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Segunda-feira, Dezembro 31, 2001


XÔ 2001!


Longo e tenebroso inverno sem postar, espero que os meus poucos fãs cativos continuem a visitar esta página. Infelizmente, as minhas férias forçadas de Internet prosseguem: estou tendo de usar um laptop horroroso, com teclado sofrível e, pior, conexão discada. A paúra da espera de horas por um mero download, o horror de voltar a usar Webmail e outras coisinhas igualmente agradáveis me fizeram ver como o serviço do Speedy, apesar dos seus muitos pesares, ainda é ótimo. Oremos para que minha máquina retorne logo.


Último dia de um ano difícil e que eu mal espero que termine. O desfecho de 2001 não foi dos mais agradáveis pra mim; na verdade, não podia ter sido pior: passei o Natal mais pavoroso da minha vida cujos resultados amargos ainda estou colhendo. Sorry, mas ainda não me sinto à vontade para expor tudo por aqui, aguardar cenas dos próximos posts. Let us hope that time really heals everything.


Gostaria de agradecer a todos que me enviaram votos de boas festas. Aos amigos da vida real que, por razões óbvias, não podem ser devidamente listados e àqueles do
fantástico mundo do blog. Renato, Paula, VegaBrazil, muitíssimo
obrigado, de verdade. Aos trancos, barrancos e alguns minutos de linha ocupada, tenho acompanhado suas peripécias, e, creiam-me, elas têm sido muito importantes pra mim. Registro meu pesar pelo fim do blog do Vega, uma das poucas preciosidades
restantes neste mundo blogueiro repleto de pretensão e de  assassínios contínuos e indiscriminados à nossa sacrossanta língua. Seus posts farão falta!.


Francamente, não sou muito afeito a esse período de festas e não acho que um novo ano nos limpe de todos os erros que cometemos, que zere nosso contador, que nos isente de todas as besteiras e sofrimentos. Mas tenho de admitir que este ano foi realmente conturbado. Por isso, digo, sem pestanejar: adeus 2001, ano horrível! Que o próximo seja sobretudo mais calmo e que traga muita paz de espírito a todos!


HAPPY NEW YEAR!!!




Terça-feira, Dezembro 11, 2001


Estava eu saindo da rede quando o neném aparece no ICQ... Adorei tê-lo "visto", ainda que a net seja um substitutivo muito pobre em relação aos outros meios de comunicação. Parece que rolou uma colocação animalesca em Los Angeles, com direito a 2,5 E's, Special K e o diabo-a-quatro. Em outros tempos, eu teria vibrado de inveja e de vontade, mas, inexplicavelmente, me mantive muito impassível. Pode ser ciúme, saco cheio momentâneo ou amadurecimento mesmo.

Ainda falando em drugs, parece que todos andam empolgadíssimos com isso. Um amigo meu, também blogueiro, que sempre a-d-o-r-o-u um baseadinho, mas que costumava-me criticar horrores por causa do excesso com os ecstasies, acaba de colocar no ar um post falando sobre uma rave bárbara regada a comprimidinhos do amor e que agora ele quer isso pra todos os dias da vida.

Deuses, onde o mundo vai parar?! Sou eu quem perdeu o ânimo pra esses desvairios, estou encaretecendo em definitivo e ficando ranzinza ou as pessoas que realmente andam exagerando e se perdendo nos meandros mundo dos psicotrópicos? Prefiro ficar com esta última alternativa. Pfff... Chega de postar, vamos às férias do mundinho virtual.

Até mais.





FÉRIAS FORÇADAS.

Como se não bastassem as perdas pelas quais eu passei ultimamente, serei obrigado a ficar por algum tempo sem um dos meus melhores companheiros: o computador. A razão é que a máquina terá de ser formatada sob regime de urgência urgentíssima, pois a performance da criatura ficou tão insuportável que nem as caixas de som estão mais respondendo.

Espero estar de volta o mais rápido possível, sentirei falta da leitura de muitas páginas.

Wish me luck!





BEAUTIFUL
by Mandalay

You can depend
On certainty
Count it out and weigh it up again
You can be sure
You've reached the end
And still you don't feel

You know about anything

Do you know you're beautiful
Do you know you're beautiful
Do you know you're beautiful
You are, yes you are

You can ignore
What you've become
Take it out and see it die again
You can be here
For who's a friend
And still you don't feel

You know about anything

Do you know you're beautiful
Do you know you're beautiful
Do you know you're beautiful
You are, yes you are

Innermost thoughts
Will be understood and
You can have all you need

Do you know you're beautiful
Do you know you're beautiful
Do you know you're beautiful
You are, yes you are

Pra você, mon petit enfant, mesmo sabendo que dificilmente você lerá isso...





Apelo público: VOLTEM A POSTAR, PELO AMOR DE DEUS!

Pessoas que escrevem os meus blogs de leitura diária, por onde andam vocês...?!

Seus posts desapareceram do nada, não há atualizações...!!!

Será uma misantropia coletiva?! Please, voltem a escrever!!!





Quatro dias sem me manifestar aqui, publicamente. Não tenho andado bem, como já era de se presumir, o que fez com que eu ficasse alguns vários dias sem postar. Mais pontos para a veracidade daquela teoria de Lygia Fagundes Telles da qual sou seguidor ferrenho e que já foi colocada aqui à exaustão. Mas, de fato, eu, simplesmente, não consigo escrever quando estou em momentos de agrura. É defeito, eu sei, mas o que posso fazer? Eu adoraria fazer tratados sobre a minha dor no exato instante em que a sinto e, assim, fazer uma produção literária digna de emoção, mas não dá. Eu sumo do ar, não tenho vontade de fazer porra alguma. Bom, vamos ao relato dos dias que se passaram...

Sexta-feira foi um dia patético, conforme o esperado. Despedida na casa dele, entrega de presentes e minha idiotice de não conseguir chorar na frente dele. Fomos eu e outra amiga dele, de longuíssima data e, oh que ironia, "tornou-se" lésbica. Ha-ha. Então, nós dois só conseguimos abrir o berreiro quando estávamos dentro do elevador, eu muito mais do que ela. E, claro, eu tenho de me autodestruir, de completar o ciclo de "eu-adoro-ser-trash-e-adoro-ter-pena-de-mim". Eu tenho a obrigação moral, o dever cívico de sofrer muito e de provocar todo o sofrimento.

Inicio minha via crucis num boteco horroroso dos Jardins, esquina da Tietê com a Consolação (Brejinho, a quem interessar possa), junto com a amiga dele, bebendo algumas cervas. Rememoramos nossos porres (apenas de álcool) nas extintas Mad Queen e Disco Fever, de alguns encontros posteriores nossos, já não tão santinhos, nos after hours loucos da cidade. Nossa inocência e nossas mudanças. Eu, terminando uma faculdade que odeio e perdido em minhas dúvidas. Ela, andando com um povo totalmente underground e barra-pesada, com direito a uso de ilícitas fortes, pequenos furtos e, creiam-me, cadeia. Detalhe: a garota é toda bem-nascida, filha de uma família alemã tradicionalíssima, trilíngüe.

Nada novo, bem sei que pessoas que teriam tudo para seguir o curso natural e burguês das coisas e ser "bem sucedidas" são as que mais facilmente se perdem nos erros da vida, mas é chocante e deprimente ver isso na frente do seu nariz, ainda mais com alguém que passou a adolescência com você. Conversinha encerrada, promessas de fazermos baladas juntos, que, obviamente, pelos rumos diferentes que tomamos em nossas vidas, não vão ser cumpridas, eu vou encontrar um amigo meu (PF), escraviário num escritório bam-bam-bam lá dos Jardins para jantarmos juntos e eu "me acalmar" (sic).

Rumamos para o delicioso NaMesa (recomendo, fica lá Consolação, parte dos Jardins, bem escondidinho) e continuamos a entornar o caldo. Eu, agora já bastante ébrio, me empolgo e resolvo ir pro usual Allegro. Duas vodkas pra cada, irmanamente, sem discussões e voltamos pro apê dele completamente chapados, mal conseguindo andar. Começo a me penitenciar por não ter chorado tudo o que devia na hora, por não ter falado tudo o que eu queria. Por ser covarde e não ter desistido do odioso curso a tempo, por não ter tomado uma série de medidas contra a minha castração. Choro, choro, muito choro, embalado por álcool. Cena péssima, dispensável e já mais-que batida.

Toca outro amigo meu a ligar pra mim (CF), companheiro de análise (sim, temos muitos pontos em comum - sexualidade, bairro e analista!) e passa lá no apê e eu choro mais. Copiosa e pateticamente. Blergh. E eu, recuperado, decido ir pra porra da UltraLounge. E bebo mais. E saio do ar. Até arrisco pegar, pela primeira vez, um pouco de pó (sei que é trash, eu sei, reconheço!)... Mas, graças a Deus, sou completamente débutant e mal consigo aspirar a droga.

Mas, claro, mais bêbado do que eu podia-me lembrar em muito tempo, com vodka compondo meu corpo, eu desabo. E choro. E choro mais e mais e mais. Por tudo que eu perdi, por tudo que eu não fiz, por tudo que eu não disse, por todo meu pastiche de erros que toma uma proporção absurda na hora, parecendo que vai-me engolir inexoravelmente... E chego em casa sei-lá-como. E choro mais. Posso escrever "choro" e "mais" aqui ad infinitum que isso não vai dar conta de descrever o quanto eu me descabelei. Uó.

Acordo acabadíssimo no sábado, especialmente no aspecto físico, com uma dor muscular horrenda (sim, sabemos o por quê, não?) e ainda tenho de enfrentar um aniversariozinho da minha melhor amiga straight, a quem vou chamar de TH. Festinha íntima na Der Braumeister do shopping mais judeu de Sampa, o Higienópolis, com comidinhas gostosas, papo leve e descontraído. Como eu precisava daquilo. Uma da manhã em casa, em pleno sábado e eu capotando, dormindo horas que eu devia a mim mesmo desde tempos perdidos no passado.

Passo o domingo dormindo, comendo, lendo meus blogs, fumando... E agora, estou aqui, depois da festinha do irmão dessa minha amiga, com uma ressaca terrível de vodka, cansado de beber... Aliás, nem estou afim de falar mais... Au revoir e desculpas a quem porventura estiver lendo essa bosta aqui.




Sexta-feira, Dezembro 07, 2001


Relendo meus últimos posts, é inegável concluir que eles estão, simplesmente, uma merda, mero relflexo da beleza que anda a minha vida. Não tenho muitos fatos pra contar; aliás, nem mencionei anteriormente o quão patética foi a minha última sessão de análise, na terça-feira. Depois daquele dia adoravelmente conturbado, eu cheguei extenuado na sessão, tendo antes passado por mais um sofrimento no trânsito engarrafado de Sampa...

Pois bem, eis que chego lá, começo a relatar meu mar de rosas e, quando me dou conta, estou, simplesmente, chorando. Seguida, repetida e compulsivamente, com direito a soluços; uma cena dispensável e que faria inveja aos ataques histéricos de Mari Alexandre na Casa dos Artistas. Quando, finalmente, consigo frear um pouco o meu descontrole, a analista, com a expressão mais natural que eu já vi em todos esses meus intensos vinte e dois aninhos de existência, me estende a caixinha de Kleenex e me indica com um olhar o cinzeiro. Como eu disse, foi patético. Ridículo.

Acabei indo pra UltraLounge na quarta; passei no Allegro antes e me embebedei de vodka com soda - duas doses já me deixaram etéreo, bobo e verborrágico - bem mais do que o normal. Já chegando adulterado na UL, arranjo a aspirina mais cara da minha vida, por módicos quarenta reais, que nem pra curar a minha ressaca no dia seguinte serviu. Uma pena não poder apelar pro Código de Defesa do Consumidor nessas horas; afinal, ilicitude do objeto descaracteriza o contrato. Essa foi a minha última noite com ele - álcool, ecstasy falso, enfim a fulminação completa ao endeusamento do último momento que todos nós fazemos... Ah, claro, eu dei o amuleto budista, com todas as recomendações e explicações da importância que ele carregava. At least, eu ainda estava sóbrio naquela hora. Não vou ser tão pessimista, nem tudo foi perdido. De resto, o de sempre: conversas, palavras e frases sinceras que nos vêm à boca nesses momentos de ebriedade e que são totalmente esquecidas no dia seguinte. Faz parte, ao menos desopila um pouco o fígado.

Depois do porre colossal, dormi horrores; afinal, eu estava desacostumado a beber daquele jeito - há uns bons cinco meses que eu não ficava tão bêbado. Acordei ao meio dia com ele me ligando. Tonto de sono, com a língua pastosa e a boca com o famoso umbrella taste. Batemos papo, eu ainda sobrevoando e com a mente em rodopios. Conversa encerrada, volto a dormir, ligo de novo pra ele, batemos um papo rápido. Quase oito horas da noite e eu com uma prova horrorosa de seguridade social que tinha de ser feita, impreterivelmente hoje, porque ela já era a substitutiva. Mais de cem páginas pra ler, com aquele conteúdo de bosta que já conheço desde tempos imemoriais. Não obstante, ainda o infernal trabalho pra ser entregue, com deadline hoje. Após me amaldiçoar por ser tão terrível e irremediavelmente procrastinator, me entrego aos afazeres acadêmicos com a mesma resignação de uma vaca a caminho do abatedouro.

Eis que, de repente, resolvo entrar num site que um amigo meu picareta tinha-me recomendado e encontro um trabalho prontinho, de um cara desconhecidíssimo da PUC-PR. Não hesito em me utilizar das maravilhas do copy and paste e, em quinze minutos, tenho um ensaio completo, com bibliografia respeitável. Ah, se eu soubesse daquela paginazinha antes...!!!

A prova...?! Bom, eu estava pouco me fodendo pra ela, já fui pra faculdade preparado pra fazer uso da solidariedade e do conhecimento alheios. 10 horas da manhã, olheiras, cansaço, irritação, outra ameaça de choro no carro, esperando o último maldito exame que formalizaria o início das minhas férias. 10:15, 10:30... E NADA!!! Nothing. Rien de tout. Como palermas, eu e mais algumas dezenas de almas ficamos sentados naquelas cadeiras mofadas, confinados naquela cripta que atende pelo nome da faculdade... E nenhum, nem um único puto maldito aspirante a pós graduando asslicker daquele departamento fétido aparece pra aplicar a odiosa e derradeira prova.

Alguns 40 minutos depois, aparece uma mocinha de repartição dizendo que o professor estava incomunicável, que a prova não seria aplicada, blablablabla. Eu, de início, fiquei feliz; pensei que iam repetir minha nota e que eu me livraria dessa matéria execrável. Mas não. Felicidade de pobre dura muitíssimo pouco, é sempre soterrada impiedosamente em questão de átimos de segundos: a prova foi remarcada, pra quinta-feira que vem. QUE B-O-S-T-A! Aqueles aviões deveriam ter caído naquele lugar, bem na hora da reunião da Congregação. Seria um favor imenso à humanidade.

Agora, estou aqui; ele vai embora hoje, às 23h, e eu prometi passar na casa dele pra "última despedida". Claro, estou aqui covardemente enrolando, inventando tarefas "impostergáveis" aqui em casa, como escrever essas besteiras, fazer ligações pra pessoas com quem não falo há anos. Tudo ao som de músicas edificantes e altamente elevadoras de paz espiritual...

Bom, chega. Mais tarde, volto aqui pra contar. Parcos leitores, pray for me.




Quarta-feira, Dezembro 05, 2001


DEEP WATER

"When you find yourself falling down
Your hopes in the sky
But your heart like grape gum on the ground
And you try to find yourself
In the abstractions of religion
And the cruelty of everyone else
And you wake up to realize
Your standard of living somehow got stuck on survive

When you're standing in deep water
And you're bailing yourself out with a straw
And when you're drowning in deep water
And you wake up making love to a wall
Well it's these little times that help to remind
It’s nothing without love"

(Jewel)

Discografia da moça recomendadíssima àqueles que ainda mantêm um átimo de sensibilidade.





Prova ferrada hoje de manhã - não pela dificuldade das questões, mas pela falta de estudo mesmo.

Quase cinco horas de sono hoje à tarde - há tempos não conseguia fazer isso. Ainda sinto sono.

Amanhã não tem prova, mas eu tenho uma prova realmente fodida E um trabalho escrito a ser entregue, tudo pra sexta-feira.

Tentação: sair ou não? Eis meu dilema hamletiano do dia. Hoje é dia de UltraLounge, noite CIO, recomendada pela Erika Palomino. Ir ou não ir praquela que, com certeza, vai ser a minha última balada com meu amiguinho por muuuito tempo?!

Merda.




Terça-feira, Dezembro 04, 2001


BLOGBLOGBLOG

Não dormi. Não estudei. Fumei mais. Passei a tarde inteira vagabundeando no telefone - meu sonho é ser uma perua mesmo, de verdade, e poder passar o dia todo enfronhado em conversas e afazeres frívolos e fúteis. Enfim, mais uma vez, fiz tudo o que não devia e não fiz o que devia. Coisas da vida.

Recebi o telefonema diário da criança e ficamos horas jogando papo fora; eu, claro, convenientemente fingindo que o dia não vai chegar, que não vai mais ter balada neste fim de semana que vem, mascarando tudo conveniente sob uma máscara de falso civismo. Guardando pra chorar tudo na frente dele quando chegar o momento derradeiro e inevitável, o último. Incrível como temos incutida na mente a necessidade de chorar e espernear nos momentos duros. Em velórios. Em despedidas. Ao não passar numa prova. É uma obrigação implícita abrir o berreiro nessas horas; não fazê-lo é ser insensível, é como sundae sem cereja, é como tomar ecstasy sem beijar na boca. Sofrimentos cristãos instituídos, solidificados e dos quais eu não fujo. Tenho-me poupado de lamuriar muito na frente dele para que eu possa reservar tudo pro último dia, praquele último olhar, pro último tudo. A grandiosidade do "último." - outra merda da qual eu também não me furto. Esse enaltecimento do último. A última-qualquer-coisa tem de ser eternizada, emoldurada em retrato para toda a posteridade. E, muitas vezes, nesse medo de perder, nesse preparo todo para o sofrimento, acabamos colocando tudo a perder.

Outro amigo meu me liga, animadíssimo pra sair no final de semana, cair na balada e na colocação. E eu aqui, neste bode, nesta coita. E eis que levo um colossal balde de água fria no meio das minhas fuças. Um discurso breve, mas grosso de quão contraproducente é esta minha atitude de querer-me trancafiar em casa e de cultivar meus demônios e minhas dores. Sou obrigado a concordar. Ainda não mencionei todo o meu rolo platônico e insano com meu queridinho aí (e nem estou afim agora - ex vi o post anterior e a conclusão magistral de Fagundes Telles), mas não posso deixar de reconhecer a veracidade de parte do esporro que eu levei, apesar de ter sido muito reducionista e superficial. Ah, outro dia, eu falo disso; outro dia, prometo que vou tentar contar toda história, pessoas envolvidas et cetera. Mas hoje não. Esse tipo de retrospectiva e de conclusão não me faria bem agora, em absoluto.

Bem, esse meu amigo do esporro acaba-me contando que tem um diariozinho virtual. E eu, candidamente, acabo-me entregando, dizendo que também tenho o meu diariozinho... E passo pra criatura esta maldita URL. Começo a me arrepender do que fiz; sei que estou sujeito a essa exposição, mas... Mas... Acho que hoje não estou bom para finalizar meus raciocínios. Vou tentar ler meu novo livro da Agatha Christie, já que meu sono da tarde, pelo visto, já foi pro ralo.

Ah, tive uma grata surpresa ao visitar o meu já conhecido site de Clarah Averbuck e, alguns links mais tarde, descobrir uma "versão ao-redor-da-fogueira" de A Little Respect do Erasure, cantada por ela e uma amiga. Adorei. Não tenho o exato endereço da página com a música agora, mas é só procurar lá pela página dela que vocês podem achar. Mais tarde, eu coloco aqui.

Vou pra leitura agora.





A DISCIPLINA DO AMOR: MAIS UM MOMENTO METALINGÜÍSTICO

Sei que, por amor a meu corpo, eu deveria estar dormindo um pouco para poder ir à analista e estudar direito pra mais uma prova que eu tenho amanhã. Mas eu me lembrei de ter citado a insigne Lygia Fagundes Telles alguns posts atrás e, como sou neurótico, resolvi procurar a fonte da minha inspiração praquele momento.

E, após remexer as estantes da casa, acho no quarto da minha irmã o livro: é uma obra mais desconhecida da autora, chama-se A Disciplina do Amor e consiste em pequenas frases, historinhas, fragmentos para usar o jargão empregado, escritos em forma de diário - uma espécie de predecessora dos blogs (será coincidência?). Aqui vai, a quem interessar possa:

"O preço da criação literária seria mesmo o sofrimento? Penso na minha experiência e lembro que justamente nos instantes mais agudos das minhas atribulações eu não consegui escrever uma só palavra. Mesmo depois, na convalescença, se vinha a vontade, faltava a energia, o movimento era apenas da alma. Olhava para a minha mesa como alguém com sede fica olhando um copo d'água: quer beber mas fica rodeando o copo, faz outras coisas na frente e emboa pense o tempo todo na água, não faz o gesto essencial para tomá-la. Não sei dizer se os frutos colhidos mais tarde (alguns até doces) teriam vindo dessa figueira brava.".

Chapeau. Ou não conseguimos escrever no momento profundo de nossas agonias, ou escrevemos mal, ou não nos expressamos. A despeito de tudo que dizem.





AMOR. SORTE. DINHEIRO. E MUITO MAIS.

Terça-feira, já. Dia de Marte. Tuesday. Mardi. Dia de guerra, como todos os outros. Guerra comigo mesmo, especialmente. Esta semana está passando depressa e vagarosamente ao mesmo tempo. Uma contagem regressiva pra ele ir embora e o martírio de terminar essas malditas provas e entregar esses trabalhos. Juro que jamais imaginei que eu ainda tivesse um estoque interno de água tão grande pra ser convertido em lágrimas - mais um prova de como nós, pobres humanos, nos desconhecemos e subestimamos a nossa capacidade de sermos mais ridículos do que supomos.

Sinto, também, que meus posts andam uma bosta - nem digo que são como papel higiênico, porque ao menos estes servem pra limpar alguma coisa e esta porcaria de página aqui é que precisa ser limpa, tamanha a merda. Ou extinta. Me espanto como alguns poucos leitores chamam isso aqui de corajoso. Paula, obrigadíssimo pelo elogio, mas eu não sou corajoso, não. Longe disso. Não coloquei minha foto aqui, não conto exatamente o que faço da vida, não envolvo nomes de terceiros. Diferente de você, eu teria um surto psicótico se algum desconhecido viesse perguntando se sou eu quem escreve estes disparantes aqui. Ainda, faço meu pobre genitor dispender uma quantia considerável em análise. Tenho medo de procurar emprego e ser rejeitado - tenho pavor de rejeição, aliás. Com tudo isso, coragem, este não é meu nome, positivamente. De qualquer forma, agradeço pelos elogios dispensados e espero que esta minha ladainha aqui sirva pra alguma coisa, ainda que seja entreter ou consolar a quem quer que apareça por aqui.

Aproveitando o ensejo, jogo aqui uma tese minha nada original, mas da qual eu tenho convicção ferrenha: é engraçadíssimo como adoramos ver desgraças alheias. É raríssimo compartilhar o sucesso dos outros, realmente exultar com suas conquistas, mas é surpreendentemente reconfortante ser solidário na hora da desgraça. É um alívio notar que não só nossas vidas estão na merda, que não somos os únicos a nos sentir perdidos, a ter vontade de berrar, de sair gritando, de fugir pelos meios mais covardes e convenientes que estiverem à disposição. Ver que os outros também se sentem tão ou de preferência mais acossados ainda do que nós é ótimo. Aplaca toda a nossa competitividade. Nos poupa do trabalho penoso de invejar.

Esta é a terceira semana seguida, penso, que eu durmo apenas quatro horas por noite, sem compensá-las à tarde. Sei que pode ser efeito das pilulazinhas do fim de semana, mas seria muito cômodo culpar fatores externos pela minha inquietudo. Sou eu mesmo, a minha psiquê que me deixa assim - o buraco, sans doute é mais profundo. Dormi pouco, estudei quase nada. Li a matéria mal e porcamente e, com meu rodízio hoje de manhã. Lá vou eu, com o carro da minha irmã, tendo de dirigir em plena Radial Leste, fazendo malabarismo com o Marlboro, o volante e o meu caderno xerocado de Comércio Internacional. Eu já odeio dirigir, um dos itens da minha lista de desejos é ter um motorista quando eu for bem rico. Nem precisa ser bonito e gostosão. Dirgir nessas circunstâncias e ainda quase abrindo o berreiro em plena Av. Liberdade por causa de saudades antecipadas do meu neném e ao som de Medication, do Garbage, é, to say the very least, foda.

E não só isso: ainda tendo de me esforçar pra desviar o olhar daquelas pessoas de finesse sem precedentes que adoram fazer sua higiene pessoal em pleno trânsito. Motoristas, please, em nome dos céus e de todos os deuses catalogados, não limpem o nariz ou conexos no trânsito. É feio. É anti-estético. Grotesco. Se estiverem com tanta necessidade de fazer isso, disfacem. Se precisam-se exibir, façam qualquer outra coisa, escrevam um blog, mas não façam isso em público. Inicio aqui minha campanha pelos bons modos no trânsito. Não fechem, dêem seta, sejam gentis e, sobretudo, não limpem o nariz!

50 minutos de trânsito, estresse, três cigarros consumidos, chego no mausoléum em cima da hora, ainda tenho de esperar a mocinha do estacionamento me dar o maldito papelzinho, porque é mês de dezembro e eu tenho de pagar avulso. Tentei ainda choramingar um pagamento proporcional da mensalidade, já que eu, relapso inveterado, teria substitutivas pra fazer esta semana toda, mas em vão. Lá se vão 10 reais por dia naquela porra de estacionamento. E ainda têm a pachorra de me pedir caixinha de Natal de uns "míseros" cinqüenta reais. Ela já está muito bem-paga nesta semana toda em que eles estão sendo literalmente assaltado. Faça-me o favor!

Acabado o drama do trânsito, do parking, das lágrimas contidas, lá vou eu praquele elevador que se fecha bem na minha cara. Adorável. Subo os lances de escada e chego esbaforido pela tensão acumulada. Entro na sala com a avaliação já iniciada. Pego a folha de questões e vejo mais uma prova dificílima, aquele miserável colocou as questões mais absurdas e estranhas; ao menos, não me senti tão mal quando dei uma olhada pela sala e vi todos com a mesma cara de desespero. Aquele papo de reconforto na desgraça alheia que eu já comentei lá em cima!

Terminada a prova, já resignado com minhas recuperações, rumo à Liberdade para comprar os presentes de despedida pra ele. Amuletos orientais garimpados cuidadosamente: um lindo enfeite de vidro com o kanji (ideograma chinês), simbolizando amor. Um sapinho minúsculo (kaeru) para se carregar na carteira que atrai dinheiro. Um parzinho de neko-tchans, para trazer boa sorte. Um outro amuleto budista que contém o mantra do namumyouhorengekyou, de tradução difícil, para dar todas as boas vibrações boas. Amor, dinheiro, sorte, good vibes como um todo: meu último tributo a meu bebê.

Pausa pro meu cigarro. Preciso dormir decentemente e ainda tenho analista mais tarde... God save the (drag) queen , ha-ha-ha.




Segunda-feira, Dezembro 03, 2001


EM BUSCA DE CONSTRUTOR

Aplausos. Acho que, agora, estou sem problemas de visual nesta página. Ao menos, a minha vida não está em caos completo: meu blog e meu quarto estão arrumados.

Mas, como todo ser humano, eu tenho de reclamar, né?! A página tá com tudo funcionando, mas, ainda é um template "pré-fabricado". Eu queria um personalizado, mas do meu jeito... Ajudem esta pobre alma em busca de sua identidade! Eu já tentei reeditar na bosta do FrontPage (meus conhecimentos de HTML são escassos, beirando à nulidade), mas sempre acabo tendo algum problema.

Quem tiver um arroubo de generosidade e quiser fazer a condescendência de me fazer um template bonitinho, será muito bem vindo. Retribuo com gratidão e elogios públicos nesta pobre página.





A bosta do horário está aparecendo, mas, clara e infelizmente, não obedecendo ao horário de verão.
Meus links evaporaram. Tenho medo de tentar colocar tudo de volta e foder com o visual da página de novo.
O que fazer?!
Sejam bonzinhos comigo, ajudem-me .




15:18.

Estava sem condições de escrever ontem e não tenho certeza se já estou pronto pra postar.
Lygia Fagundes Telles, em um de seus inúmeros maravilhosos livros, diz que as pessoas teimam em afirmar que as melhores produções literárias são fruto dos momentos de dor, de desespero, enfim, das horas de merda completa. E, com muita sabedoria, ousa discordar, afirmando peremptoriamente que foi justamente nas piores horas de sua vida que ela se sentiu totalmente incapacitada de escrever um simples período, que ela soltou as maiores pieguices de lugar comum. Faço minhas as palavras dela.

Quando estou na fossa, me torno a pessoa mais sem coordenação do universo - meus discursos são recheados de irracionalidades, e de chavões cansativos e nojentamente desprovidos de originalidade.

Vamos aos fatos, meu querido blog: sábado, fui jantar com ele no Ritz (al. Franca, of course). Foi aquele papo gostoso, já permeado por um monte de lembranças dos nossos quase três anos de amizade. Foi ótimo ver como nossa amizade é completa, com seus momentos despretensiosos e de confissões íntimas; período em que crescemos juntos e trilhamos nossos caminhos paralelos... Como bom saudosista, tentei-me lembrar de todos os fatos importantes, que foram construindo e reforçando esse gostar tão intenso que a gente tem um pelo outro.

Depois, passamos na casa dele... Fiquei feliz de ver que ele ainda guardava o sobrevivente daquele parzinho de gatos japoneses pra dar sorte (neko-tchans) que eu tinha dado ano passado pra ele e que a irmã dele quebrou. Adorei ter visto as fotos de infância dele. E me entristeceu ver as coisas dele já sendo encaixotadas: as roupas, os troféus dos campeonatos, as fotos... Aquele último olhar pra tudo. Uma merda de sensação.

De lá, zarpamos pra Level... Balada de sempre, nossas pequenas loucuras, abraços e promessas de sempre. O de sempre, mas com amargo gosto de último. Tudo normal até eu resolver ser pateticamente emotivo de desabar na volta pra casa dele. De tentar dizer o indizível, de tentar dizer em palavras o indescritível gostar. Lágrimas, choros, abraços e soluços terminados na garagem do prédio.

Fossa na volta pra casa. Fossa quando acordo, vejo que larguei meu celular no carro e que ele tinha-me deixado um recado perguntando se eu tinha chegado bem em casa. Mais fossa quando guardo a mensagem na caixa postal, sabendo que eu ainda poderei ouvi-la mais alguns dias depois que ele for embora. Mais fossa ainda quando olho as fotos que ele me deu. Fossa antes de dormir. Fossa de manhã, no caminho pra faculdade. Fossa durante a prova. Fossa na volta pra casa. Fossa completa, merda completa, buraco completo. Todo o choro acumulado fendendo uma rocha que eu construí esse tempo inteiro. A rachadura na minha carapaça de caranguejo despejando minha fraqueza pelas minhas lágrimas.

Acabei de arrumar meu quarto inteiro, de jogar fora quase um saco de lixo inteiro de papéis no lixo. Tentativa vã de extirpá-lo junto com isso. Após mais uma sessão horrorosa de choro e um cigarro consumido pra passar a tremedeira, estou aqui, agora, olhos inchados pelo choro e pelas parcas horas de sono, digitando esta ladainha nada original. Saudade, angústia, tristeza, sensação de perda são sempre nada originais, por mais que tentemos-nos utilizar de floreios...

Vou ali fumar e remexer mais nas minhas feridas...




Sábado, Dezembro 01, 2001


18:37.
Acordei às 14h e fui dormir às 7h. Meus cigarros estão acabando e eu comi apenas meio pãozinho até o momento. A balada foi ótima ontem - a UltraLounge estava lotada na medida certa, o Douglas tocou músicas óóótimas em homenagem ao lindinho (até tocou DJ Tiesto com a maravilhosa Urban Train). Tomamos um dos melhores E's de nossas vidas (a quem interessar possa, é o Armani branco - perfeito, podem tomar sem medos!) e aproveitamos bastante o nosso momento. Foi uma balada gostosa, feita praticamente a dois, ainda que houvesse outra pá de pessoas que conhecíamos. Embalados peloa droga, reafirmamos o quanto gostamos um do outro e de quanto nosso tesão é reprimido. Já estou sentindo saudade daquele abraço que é o melhor da minha vida - é um abraço gostoso, que realmente faz com que eu sinta que tudo vai ficar bem, que não existem problemas.

Foi nossa última balada - hoje, ele não pode sair, talvez jantemos juntos e nesta semana ainda vou estar emperrado com uma série de provas. Não queria ficar sem ele. Vontade de chorar, gritar, pedir pra ele ficar. Mas, ainda que eu fizesse isso, não teria os resultados esperados. Sou uma criança birrenta, bem sei.

Este post está uma merda, bem ao estilo "querido diário" (na pior acepção que o termo pode receber), mas não estou com inspiração, honestamente.