Atencao:Alegislacao atinente a direitos autorais tem
aplicacao estendida a todo· material apresentado na Internet.
Sao vedadas quaisquer copias, parciais ou integrais, do conteudo aqui
exibido sem a previa autorizacao.
Recomendo essa visita. Assim que meus problemas informáticos estiverem resolvidos, eu vou incluir esta página na minha lista de links preferidos. Ele gosta das coisas boas da vida (dentre as quais homem, balada e música de qualidade) e escreve de um jeito descontraído e gostoso. O que mais posso dizer?
Crianças leitoras destas palavras, tive uma recaída e me droguei de novo. Foi na quarta-feira: vodkas no Mestiço e no Allegro, meio E e mais uns três bumps de K na UltraLounge.
Não quero (mas vou) recair naquela cantilena chata de dilemas com a colocação já tenho feito isso há tempos e isso tem-me rendido apenas chateações e posts repetitivos. Continuo reconhecendo que drogas são, literalmente, uma merda. Nada mais do que paliativos estúpidos para esmaecer nossos fantasmas ou nos dar a sensação de que somos suficientemente fortes perante eles. É fuga mesmo, para usar o chavão de sempre. Estou para conhecer alguém que fuja a essa regra e, vejam, conheço um número considerável de pessoas. Sei que, especialmente aqueles que se escondem sob máscaras bem construídas de recreational users, estão, em última instância, pedindo penico para descarregar todas as suas descompensações.
Bom, passei muito mal antes do meu E bater, porque meu corpo estava cheio de álcool e misturar tanta coisa assim é imprudente e perigoso. Foi a primeira vez que um E me causou revertérios físicos antes de surtir efeito. Mas, no final, isso foi bom. Para eu efetivamente ver que aquele mar de rosas em que as drogas me afogam têm o seu preço, pago na moeda caríssima da própria saúde. Isso antes era algo que eu tinha em mente, mas não suficientemente enraizado; eu sempre via o dno físico como algo muito distante e que eu sentiria a longo prazo, ou que não viria (como de fato não tinha vindo até então) em doses fortes o bastante.
Em vista de tudo isso, o que eu posso-me prometer e, com razoáveis chances de sucesso, é que, se eu fizer de novo um dia, vai ser com uma consciência muito mais clara dos prejuízos com que eu vou ter de arcar e estando disposto a isso. E é só.
Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos? Se têm a verdade, guardem-a! Sou um técnico, mas tenho a técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito de sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, pelo amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim como sou, tenham paciência! Vão para o diabo, sem mim, Ou deixem ir-me sozinho para o diabo! Para que havermos de ir juntos?
Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia! O céu azul, o mesmo da minha infância - Eterna verdade vazia e perfeita! O macio Tejo ancestral e mudo, Pequena verdade onde o céu se reflete! Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje! Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
17:00 E já é domingo. Acabei nem postando tudo ontem, pois a minha irmã estava pendurada no telefone e, como sempre, eu estava em cima da hora. Tive ainda um ridículo pequeno acidente doméstico que aumentou ainda mais o meu atraso: eu já estava pronto, arrumado, desligando luzes, computador, catando celular, carteira, meus cigarros, tudo às pressas, quando um dos meus adoráveis gatos pula no meu colo, numa demonstração de carinho igualmente inesperada e inoportuna. Resultado: eu, até então todo de preto, vi minha roupa se transformar num indesejável cashmere, salpicado de pêlos, o que obrigou a trocar de roupa. E sair dirigindo na chuva, para descobrir que o meu amigo ainda estava "no banho". Mas eu me imbuí de força de vontade e de paciência e fiquei dando voltas no quarteirão até que o fofo descesse do seu apartamento, pois eu não ia ficar lá fora, na chuva.
Ao teatro, agora. Memória da água (é esse o nome da peça) tem produção razoavelmente caprichada, como já é de se esperar desse tipo de montagem que envolve nomes globais. A trama é honesta, dando ênfase à questão dos relacionamentos humanos, especialmente familiares, com toda a sua complexidade antitética de amor e ódio, de liberdade e de dever. Andrea Beltrão e Eliane Giardini têm boa performance, arrancando risos e reflexões ao mesmo tempo.
Infelizmente, não se pode dizer o mesmo dos outros atores, com apresentações fracas, forçadas e pouquíssimo convincentes. Um deles, cujo nome eu não faço a mínima questão de recordar, tinha uma dicção tão péssima que era inevitável ouvir muitos "o que foi mesmo que ele disse?" ecoando pela platéia. Uma tática bem baixa de marketing, essa: estampar dois ou três nomes conhecidos do grande público para atrair audiência e encher o resto do elenco com atores medíocres.
Os maiores dissabores que a noite nos reservava, no entanto, não podem ser creditados à peça em si. Tudo começou no estacionamento, que estava lotadíssimo e contava apenas com dois manobristas, obrigando a todos a se espremer para escapar da chuva e fazendo com que muitos amargassem mais tempo na espera, já que eles obedeciam a uma lógica estranha: se você demorasse muito para perceber que o seu já tinha chegado, eles devolviam à garagem. Isso quase aconteceu comigo!
Depois, o restaurante: por sugestão de uma amiga nossa, fomos a um tal de DonaLoca lá na Giovanni Gronchi. Uma pizzaria bonitinha, enorme e às moscas. Dentre as poucas almas vivas no lugar, não pude deixar de reparar em alguns seres ímpares: uma beldade envolta em rastafari, um bando de velhos com bermudas, um casal naquele silêncio constrangedor que vêm depois das "discussões de relacionamento". Apenas um prenúncio de que o pior ainda estava por vir. Não tinham cigarros, a única cerveja disponível era Bohemia, não tinham frutas para fazer a caipirinha. O golpe de misericórdia veio quando o garçom, mui educadamente, veio-nos avisar que a cozinha já ia fechar e se "desejávamos algo". Em vista de tudo, única coisa que eu quis foi voltar para casa.
Mas eu ainda estava com fome e, depois de pensar em algum lugar que ainda poderia estar aberto, terminei a noite no McDonalds 24h da Rebouças, não deixando de comentar o péssimo atendimento que tinha estragado o nosso programa. Após dirigir na garoa, cá estou eu, com um péssimo humor. Vou ver se saio para arejar um pouco.
16:17 Pronto, já liguei pro gringo explicando o ocorrido. Ele entendeu perfeitamente, até porque ele conseguiu o K e até um forno microondas para prepará-lo. Ufa! Uma incumbência a menos pra mim. A noite dele foi boa ontem: os Es eram realmente fortes, como eu já imaginava e foram ainda mais intensificados pelos horrores que ele continuou emborcando lá na UltraLounge. Me deu até saudade e vontade de fazer tudo isso de novo, mas eu acabei pensando no day after: se eu já acordei hoje longe de estar no domínio pleno das minhas faculdades mentais só por causa do álcool, nem posso imaginar qual seria meu estado se eu tivesse feito outras coisinhas. Ele mesmo me disse que ainda estava um fiapo, mesmo depois das doze horas dormidas. Mas, mesmo assim, vai pra Level hoje, mais tarde. Ah, nada como ter combustível necessário para agüentar tudo isso em estado de graça... Mas chega de fofoquinhas, agora: vou dormir um pouco pra poder fazer meus programinhas de hoje; quem sabe, eu posto tudo isso mais tarde, antes de sair.
15:42 Não consegui falar com o dealer; agora me lembrei que ele tinha-me dito que estava pensando em ir pro litoral. E acho que ele foi mesmo. Então o gringo dançou - vou ter de ligar pra ele e dizer que, infelizmente, não foi possível conseguir a Keyla. É chato, isso; eu odeio quando, por razões alheias à minha vontade, eu não consigo cumprir o que prometo. Mas fazer o quê?! Eu tentei, usei as influências que eu tinha, mas nada. Vocês são testemunhas! Além disso, ele tem ecstasies de sobra . E sejamos francos: eu não estava nem um pouco afim de me locomover do conforto do meu lar, neste tempo feio, com esta ressaquinha, ainda mais pra alimentar a indústria do narcotráfico.
Três sanduíches e alguns suquinhos depois, meu ânimo e disposição física já melhoraram e, melhor sem precisar do Engov! Agora, estou animado para ir ao teatro, coisa que, aliás, eu adoro. Faz um tempão que eu não vou - a última peça que eu vi foi a impagável Duas mulheres e um cadáver - e vai ser bom resgatar meu contato com um pouco de cultura. E, ao que parece, a peça é boa. Me foge o nome agora... Ah, amanhã eu conto tudo.
Depois, vamos sair para comer e, claro, beber. Sei que eu deveria pegar leve, que eu estou em fase de reestruturação, que, em vista dos fatos ocorridos, eu deveria estar amargando uma ressaca moral gigantesca e tudo o mais. Ah, mas eu não tomo jeito! Eu tenho algum gene em mim que me empurra pra perdição; Freud ou Mendel explicam, quem sabe. Mas, pensemos positivo: ao menos, são drogas lícitas. É algum progresso, não é? É, sim. Não admito controvérsias, preciso das minhas ilusões e escusas e não tenho pudores de admitir isso.
12:13 Estou com aquele indefectível gosto de guarda-chuva na boca, bebendo litros e litros de água, e com a sensação de que minha cabeça está carregando sozinha o mundo inteiro. Trocando em miúdos, estou de ressaca. E não estou com a mínima vontade de divagar, então vou fazer um post bem my dear blog.
Saí ontem com meu amigo gringo que está em Sampa desde quinta-feira, fazendo, literalmente, uma volta no mundo. Ele é sueco, mora na Austrália, foi visitar sua mãe morimbunda em Estocolmo e resolveu "dar uma passadinha" por aqui antes de voltar pra Sydney. Fui arranjar brinquedos para a criança (dez ecstasies) e depois fomos ao Spot, para jantar. Jantar é força de expressão, porque mais bebemos do que comemos. Só que ele é escandinavo e, naturalmente, faz jus à fama de bebedores profissionais de seu país. Resultado que eu ria mais, falava mais e, claro, pagava mais micos do que ele. Só perdia pro meu outro amigo que nos acompanhou, que, além de já ser, por natureza, mais fraco do que eu (pra álcool, claro), estava exausto por causa de sua jornada longa no trabalho, típica de escraviário. É por isso (também) que eu me desanimo a estagiar.
Mas houve cenas hilárias: a bichinha que pegou um cigarro que outro cara tinha deixado cair e veio pedir o isqueiro emprestado pra mim e, de quebra, ficou usando o nosso cinzeiro; a velha perua no banheiro tentando fazer bilu-bilu em mim (argh). Sem contar as lembranças engraçadas, como a de um amigo nosso, louquíssimo na pista, que pegou o corretivo para disfarçar as espinhas e, no dia seguinte, viu que tinha manchado toda a calça.
Embalados pela empolgação das vodkas, whiskies e bloody maries (do gringo, claro), decidimos zarpar pro Allegro, ao som de Barbra Streisand (dizem que maconha é o eject do cérebro, mas acho que o álcool é um forte concorrente). Mais cenas ridículas que têm mais graça ainda em estado de embriaguez: revejo e rio ainda mais da bichinha do Spot, com sua roupa multicolorida, capaz de cegar albino e sua chapinha no cabelo um consolo pra mostrar que eu nem estou tão na merda assim; outra velha no banheiro (acho que eu tenho algum problema com isso), jurando de pé juntos que eu tinha, no máximo, dezessete anos e que eu não deveria estar ali. Depois, sou eu que bebo.
Claro que , no meio dessa zoeira toda, eu senti uma tentação imensa, inenarrável de escorregar pra UltraLounge, aliás convenientemente localizada no mesmo quarteirão. Mas eu não estava na melhor das condições para tanto e, mesmo ébrio, eu tive a presença de espírito de perceber que isso seria um grandessíssimo erro que me custaria o restinho de paz que eu ainda tenho. E lá fui eu, cambaleando pro estacionamento, onde encontrei uma galera que eu não via há tempos me tentando a continuar a noite no outro lado da esquina. Mas não dava mesmo: apenas trocamos abraços, juras de amor e aquelas promessas de telefonemas que certamente não vão-se concretizar. Baboseiras e sentimentalismos baratos de bêbado, nada mais.
Cheguei em casa, me troquei descoordenadamente (como pude ver pela disposição das minhas roupas ao acordar), fiz a toilette básica e capotei na cama. Oito horas de sono, de péssima qualidade por causa das vodkas, estou aqui, escrevendo estas asneiras. E acabo de me lembrar: prometi comprar K pra criança e estou até com os quarenta reais que ele me deu pra isso. Eu nem me importaria tanto em cumprir a minha promessa, mas em sinal de gratidão pelas pílulas que eu consegui pra ele, o gringo fez questão absoluta de pagar tudo, a despeito de minhas insistências em contrário. Ah, dívidas.
E também acabo de me lembrar que eu tenho, ainda, uma peça de teatro para assistir hoje, seguida de mais um jantarzinho. E não posso fugir desse compromisso, porque os ingressos já estão pagos - uma soma considerável para mim, pobre alma desempregada, dependente de papai e que cometeu a burrice suprema de não ter feito carteirinha de estudante.
Ai, ai, ai... Vou ver se eu acho algum Engov por aqui.
Nas minhas andanças pelos blogs, deparei com essa página. Eu fumo, como já deu pra perceber antes. E não é pouco: um maço ou mais de Marlboro por dia. Sei que as minhas baforadas são prejudiciais à saúde: os dentes amarelam, a capacidade aeróbica diminui consideravelmente, a pele fica uma merda (e a Lancôme não resolve; ameniza, no máximo), vêm as olheiras, a qualidade do sono piora e o apetite vai embora. Pra não mencionar o já conhecido risco de contração de câncer de todas as espécies.
Tá, eu sei de tudo isso já estou farto de ser açoitado por essas campanhas antitabagistas. E eu fumo mesmo assim. Pode estar fora de moda dizer isso, mas eu gosto. A-D-O-R-O. E não acho que eu tenha de dar explicações sobre isso. Gostar é gostar e pronto. Eu não entendo como alguém pode gostar de mulher, mas nem por isso eu trancafiaria os heteros numa ala separada de um shopping ou os tentaria forçar a mudar sua orientação sexual. E me desculpem os puritaninhos de plantão (aliás, o fogo do inferno pra eles!), mas fumar pode, sim, ser um belíssimo exemplo de elegância. Gilda aquela piteira na mão é simplesmente deslumbrante, não há como discordar disso.
Estou com vontade de fazer listas hoje. Já tive meu momento Bridget Jones lá em cima (aliás, adorei isso, vou fazer sempre que me der na telha e foda-se a originalidade - este é meublog afinal, não?). O Réveillonjá foi pro saco e, com ele, também foram-se as lentilhas, as sementes de uva e romã, as roupas brancas, os sete pulinhos no mar e todas essas crendices populares. E, claro, aquela indefectível listinha de resoluções que são raramente cumpridas. Mas vou inovar (só um pouquinho!), arrolando afazeres para quando meu micro chegar. Claro, a originalidade não é tanta: permanece a lista, permanecem as resoluções e a possibilidade remota destas se concretizarem. Mas, como eu já disse, meu intuito aqui não é ser criativo; então, vamos lá. Quando o micro voltar:
1. Providenciar um novo template pra este blog. Este, além de feio e pouco criativo, não tem nada a ver comigo; 2. Mandar curricula para diversos escritórios, procurando um estágio. Inclui-se aqui deixar de lado o medo de não ser aceito, de não conseguir emprego e covardias afins; 3. Ser MUITO cauteloso com os e-mails recebidos; 4. SEMPRE atualizar o antivírus; 5. NÃO deixar o Outlook lotado de mensagens.
Os três últimos itens são importantes - se eu os tivesse cumprido, não estaria agora, aqui, fazendo esta listinha hedionda. E podem cobrar, viu?
15:15 Ah, o Veríssimo é ótimo!Estou lendo o Analista de Bagé e, a cada livro dele que eu leio, reforço a minha convicção de que ele é um dos melhores escritores contemporâneos que nós temos. Nem preciso-me desgastar em adjetivos elogiosos, é só ler qualquer uma das crônicas dele para receber doses cavalares de humor e se surpreender dando boas gargalhadas. Um verdadeiro bálsamo neste nosso mundinho em que chorar tornou-se regra e rir a exceção.
E digo mais: ler Veríssimo é deixar de lado aquele preconceito bobo que muitos têm de achar que a literatura brasileira prestável morreu com os clássicos, que só é refinado, inteligente e, portanto, digno de nota, o que é escrito de forma difícil e pedante. E perceber que há esperança de salvação literária num país que imortaliza acéfalos como o Sarney. O problema é que, como tudo que é bom, acaba rápido: é tão gostoso de ler que você não consegue parar e, quando percebe, o livro já chegou ao fim. Mas isso é detalhe.
Aproveitando a ocasião, vou reproduzir uma das suas crônicas aqui. Confesso que escolhi uma bem curtinha, por preguiça mesmo, pra não precisar digitar muito. E fica também para mudar um pouco a linha dos meus posts, que, convenhamos, não têm sido dos mais felizes.
História Estranha
Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e... O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.
O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos, como eu vou ser sentimental!
*** 13 cigarros (estou de pé desde as 7h da manhã); *** 5 filmes vistos na TV. Tenho de parar com isso, já devorei quase toda a programação da HBO, do MAX e do EuroChannel e estou apelando prasvelharias dubladas da TNT e pros dramalhões (também dublados) da bosta do Hallmark (argh!); *** 2000 calorias ingeridas (número aproximado); *** 51,5 kg (continuo anoréxico, mesmo comendo muito); *** 0 unidades alcoólicas, mas com muita vontade de tomar um absinto ou uma vodka. Até cerveja está valendo; *** 0 namorados ou aspirantes ao posto (no words about it - shame on me!); *** 0 telefonemas recebidos, me sentindo um loser, sem amigos, relegado ao ostracismo.
13:42 Continuo sem o meu micro. Continuo obrigado a usar esta conexão horrorosa. Continuo não podendo responder aos meus e-mails e afins de forma pronta e adequada. E continuo reclamando desse mesmíssimo assunto de que todos, a começar por mim, estão fartos. Mas esse martírio todo tem hora pra terminar. Semana que vem, terei meu computador de volta, com Speedy, com minhas músicas, com meu Outlook. E o melhor de tudo: vou ter dois HDs novinhos em folha e com gigabytes de sobra pra acomodar a minha imensidão de quinquilharias. Pra quem não sabe, meu disco rígido é coalhado de inutilidades de toda a sorte: fotos de pessoas que conheci em algum chat da vida e com as quais eu certamente nunca mais vou falar, históricos de mensagens e e-mailsantiquíssimos que eu dificilmente vou ler de novo, músicas que raramente vão ser ouvidas, e por aí vai. A lista é infindável. E não adianta falar que eu posso gravar tudo em um CD backup, porque eu me recuso terminantemente a isso: gosto de ter tudo ali, à mão, fácil pra qualquer "consulta"
Essa dificuldade de desprendimento que eu mostro com meus badulaques virtuais se repetena minha vida como um todo. Demoro mais do que o aceitável para pôr fim a uma amizade nitidamente desgastada. Anos são despendidos até que eu finalmente deixe uma paixonite destrutiva de lado. Acumulo um sem-número de peças no armário antes de ter a sapiência de me livrar delas, sempre achando que eu vá poder usá-las de novo, mesmo sabendo que isso com certeza não vai acontecer.
ARGH! Vejam só o que uma mente e mãos desocupadas são capazes de fazer: acabo de analisar a minha personalidade tomando como ponto de partida o meu computador. Isso já é neurose! E extrema! Melhor eu parar por aqui. Mais tarde, eu volto.
23:10. Pronto: foi só falar na idiotice humana, pra ela se manifestar viva e gritantemente diante destes meus pobres olhinhos. Ridícula e irritante essa reportagem do Fantástico sobre a quetamina. Além de aumentar esse ranço hipócrita, que enoja qualquer cabecinha mais pensante, é mais um grandessíssimo desserviço com que a mídia nos brinda. Eles realmente acham que estão denunciando o horror do mundo das drogas e contribuindo eficazmente com o seu combate? Mostrando como é facílimo, e a um preço módico, ter acesso a uma droga forte e barata? Faz-me rir! Só faltaram as dicas: "o efeito é acentuado quando misturado com ecstasy", "bullets são instrumentos portáteis que dosam a droga para consumo". Que papelão! O que eles conseguiram com essa reportagenzinha infame foi aumentar o consumo de uma droga que antes era desconhecida pela maioria e que estava restrita a um grupo bem específico (digo isso porque muitos dos meus amigo jamais tinham ouvido falar de Special K). Deram o doce à criança, mostraram mais um atalho pra perdição, em mais uma atitude lamentável. Me arrepia só imaginar o número imenso de mauricinhos de primeira viagem morrendo de parada respiratória por cheirarem K como se fosse pó. Apenas me pergunto: o que eles ganharam com isso? Fico pensando se alguém do clã Marinho e/ou Boni têm uma rede de clínicas de desintoxicação. E um sonoro acorda Alice, desce do cogumelo pra Globo se eles sinceramente acharam que uma reportagem dessas vai fazer com que as autoridades competentes restrinjam ou dificultem substancialmente o acesso ao Dopalem e a outros remedinhos do gênero. É por essas (e por muitíssimas outras) que a cada dia eu faço menos e menos questão de acompanhar a mídia que se pretende "informativa" e que também não posso deixar de sentir nojinho pela grande parte das campanhas contra as drogas.
22:34 Parênteses fechados, retomo à vaca fria do meu cotidiano e dos meus pensamentos. Ao que parece, estou lidando melhor com aquela questão da oralidade extraviada, que estava-me torturando e fazendo com que eu me sentisse um merda incapaz de fazer nada certo. Sublinhe-se o "ao que se parece", já que sou oscilante por natureza e posso mudar de idéia em um átimo de segundo (para os astrólogos de plantão, típica instabilidade canceriana). Mas estou achando que não posso me exigir tanto e pretendo continuar assim. Já cultivo muita culpa e sofrimento, não preciso de estímulos externos. É sempre assim: se estou feliz num momento, o mal ronda a próxima esquina; se a comida é boa, vai-me engordar ou dar colesterol; o sexo não pode ser bom, há sempre os fantasmas: o da infidelidade, o das doenças venéreas, o do medo de ser usado. Medos periféricos do medo supremo de ser feliz. Como se isso fosse algo cuja consecução necessariamente exigisse uma série de perdas e danos. Deixar de lado a vida noturna e todos os vícios que a acompanhavam foi (e está sendo) duro. Não é novidade que romper com hábitos recorrentes e antigos, especialmente de forma abrupta, não é fácil. Então, por que eu tenho de me cobrar tanto, sempre achando para que tudo que eu faço não é perfeito, é imoral? Ademais, por que tem-se de insistir no equívoco de achar que toda fonte de prazer sempre implica um risco, sempre depende de um custo altíssimo? Essa impostura absurda de culto ao sofrimento aterroriza a humanidade há séculos, vitimou inúmeros homens e mulheres e exterminou tantos outros possíveis talentos. Então, por que incorrer neste erro absurdo de, simplesmente, não viver? É, a idiotice humana é como o cartão de crédito dos meus sonhos: não tem limites.
20:47. SIM! Eu continuo sem o micro e, para meu desespero, acho que vou ter de comprar outro. Milhares de arquivos de MP3, fotos, letras de música, poemas e afins perdidos. Uma boa parte da minha vida em gigabytes evaporados. Uma lástima. Meus posts continuam sendo escritos na minha pobre máquina sem modem e posteriormente transferidos para o outro notebook. Os e-mails e as mensagens do ICQ continuam sem resposta.
Falando em e-mails, recebi váriosdos poucos, corajosos, pacientes e assíduos leitores desta página. Mensagens de elogio e de apoio, que me fizeram muito bem num tempo em que eu não tenho-me congratulado por coisa alguma. Não tinha idéia de que alguém lia estes desvairios e, pior, gostava deles. E não posso negar que descobrir o contrário foi uma grata surpresa, uma verdadeira massagem no ego. Claro que me sinto muito lisonjeado com isso e sinto que, aos poucos, meu blog atinge um dos fins a que se destina: ser lido. Ainda mais que as pessoas que me endereçaram os cumprimentos são daquela casta rara de seres que pensam, que sabem escrever e que não enchem a rede de baboseira.
Isso me remete a um assunto do qual eu sempre quis tratar, mas não tive a devida oportunidade: me cansam as pessoas deste mundo blogueiro que ficam afirmando que não escrevem pra ninguém mais além de si mesmos e que, por isso, não fazem questão alguma que seus blogs sejam lidos. Discursinho tolo, idiota e falso que não engana sequer meu cachorro. Todos, tutti quanti, procuram por algum tipo de reconhecimento, anseiam por atenção faz parte da natureza humana e isso já foi provado por incontáveis especialistas do gênero
Não vou ser hipócrita e dizer que escrevo isto apenas pra mim mesmo: claro que a função primordial deste blog é a de servir como um espelho, uma folha em branco esperando meus brainstorms; enfim, de servir uma extensão do meu divã. Aquele blablabla já bem conhecido. Mas claro que eu também espero que os outros leiam e compartilhem meus singelos pensamentos. Do contrário, eu não publicaria meus posts, não é mesmo?
Se eu (e estendo minha afirmação a todos da comunidade blogueira) quisesse que ninguém tomasse ciência dos meus escritos, eu compraria um diário e o trancafiaria num cofre, ou escreveria no Word e protegeria minhas confissões com senha. Métodos não me faltam, o próprio Blogger me dá subsídios para ocultar os posts, se eu assim desejar. Mas não. Eu espero que as pessoas leiam minhas palavras, e que de preferência gostem e se identifiquem com elas. Que critiquem - naturalmente, não me refiro àquelas tão conhecidas ofensas gratuitas e infundadas, invariavelmente vindas de pessoas medíocres e infelizes. Leitura é simbiose. Qualquer escrito, ainda que um bilhete, vem ao mundo pra ser lido, por mais óbvio que isso possa parecer; afinal, um livro mofando na estante não tem a mínima razão de ser.
Dados do dia, listinha inspirada direta e descaradamente no Diário de Bridget Jones:
7 cigarros consumidos até o presente momento; 14 horas de sono; (anorexia pulsando preciso voltar à personal urgentemente!); Milhares de calorias ingeridas; 0 unidades alcoólicas, número que provavelmente se manterá forçosamente estável; 0 namorados, rolos, pretendentes, vítimas e conexos; Sem micro, ainda submetido ao isolamento humilhante do mundo. Morrendo de tédio e atormentado pelos pensamentos.
21:00. Que pasmaceira! Tive mais um dos meus acessos histéricos na segunda-feira, fui ao shopping, me entupi no Mc e comprei três livros, todos já devidamente lidos. Um deles, a continuação do Diário de Bridget Jones, que, como se vê, motivou o cabeçalho deste post. O livro é despretensioso, engraçadinho (dá pra rir em algumas passagens, juro!), mas é muito fácil e, portanto, rápido de ler, apesar de suas quatrocentas e tantas páginas. Fato é que já se foram meus livrinhos pra estante e estou, de novo, sem ter o que fazer. Com a mente mais uma vez ociosa, pensando na minha última sessão de análise e nos fantasminhas ocultos que ela trouxe à tona.
Bem, cá estou eu, no meu lifestyle careta e quase nerd, fazendo coisinhas saudáveis como ler, dormir e comer bastante (o que não significa bem). Longe das drogas, das poucas horas de sono, da futilidade e da promiscuidade da cena noturna queer de Sampa. E sinceramente concluindo que aquilo não era vida pra mim, pessoinha razoavelmente estudada e de boa família. Em suma, com a convicção de que eu estou retomando as rédeas da minha vida, com aquela agradabilíssima sensação de controle e, portanto, com razões de sobra pra estar satisfeito. É pelo menos o que eu pensava, até a última fatídica sessão, quando cheguei todo orgulhoso e percebi que o meu discurso era apenas mais um blablabla de auto-engano. E percebi como as coisas pouco mudaram: o ecstasy, a vodka, a Level, a UltraLounge e os incontáveis after-hours que vinham depois apenas foram mera e convenientemente substituídos. Entraram em ação, sem correspondência de ordem, os livros, as séries e os filmes de TV, a Coca Light, os chocolates, os salgadinhos e outros integrantes da casta de junk food.
Same script, different cast. Eu só troquei de droga, na verdade. Pois eu continuo aqui, com meus Marlboros e com minhas mesmíssimas neuroses de fábrica. Continuo aqui, com essa minha compulsão, pra usar o jargão psicanalítico, eminentemente oral, devorando e colocando pra dentro tudo o que aparece na minha frente de modo desesperado e voraz: cigarro, livro, comida. E pra quê? Pra preencher aquele vazio interior, que, em última instância, pede por sexo, por pau, por gozo. O mau emprego da libido, que eu justifico naquele papo de não encontrar alguém que valha a pena, no medo de tomar um chifre e de se decepcionar. Medinhos que, no fundo, ocultam o pavor maior de crescer. E volta à cena a minha maldita Síndrome Peter Pan. Mas acho que já chega. Não vou ser estraga-prazeres: os quilos de comida chinesa que eu encomendei estão pra chegar e eu vou lá exercer a minha oralidade torta.
O horário - sempre o horário a me infernizar! Como já disse, estou tendo de me submeter a um processo humilhante para continuar postando. Para não gastar meu tempo nem minha paciência, vou escrevendo tudo na minha pobre máquina sem modem e publico tudo de uma vez, depois, na outra máquina, sem teclado. Por isso, indico, ao final de cada post, o real horário em que ele foi escrito.
Não posso deixar de relatar esse episódio detestável: ontem, no cinema, um casal lindíssimo (uma cetácea e um varzeano, como tive o desprazer de ver quandos as luzes acenderam) não parava de trocar beijos durante a sessão. Inúmeros. Estalados. Irritantemente barulhentos. E ainda intercalados por um ruidoso e incessante abre-e-fecha de saquinhos de pipoca, balas ou whatever (imaginar outras hipóteses me dá arrepios!). Mais uma cena ridícula e dispensável à minha vidinha. E antes que me chamem de insensível, de bicha mal comida ou de outras coisinhas pouco elogiosas, eu afirmo que não sou contra demonstrações de carinho e afeto. Muitíssimo pelo contrário. Acho, criatividade à parte, o amor lindo. Só que, crianças, suas carícias não me interessam, em absoluto - se eu estivesse afim de presenciar manifestações de libido, eu alugaria um filme pornô, iria a um peep show, veria go-go boys. Se suas vidas me despertassem qualquer curiosidade, eu os teria em meu círculo de relacionamentos, ou leria seus respectivos blogs. Eu, muitas vezes, não faço a mínima questão de compartilhar com vocês o mesmo ambiente, e acho que a recíproca é verdadeira. Infelizmente, nosso mundinho é muito populoso e somos forçados a nos submeter a uma série de interações indesejadas. Então, tentemos minimizar esse martírio, ok? Isso chama-se boa convivência social.
Acho que vou escrever, naturalmente em linguagem bem didática e acessível, um manual básico de comportamento. Apenas duvido que meu livrinho vá ter sucesso ou mesmo que vá ser minimamente compreendido e absorvido pelo público-alvo, mas creio que vou poder ganhar alguns níqueis. Ao menos, algumas ex-modelos e globe-trotters conseguiram, lá nos idos da Era Collor.
RÁPIDO MOMENTO RUBENS EDWALD FILHO OU QUALQUER MERDA EQUIVALENTE.
Indo à sessão querido diário agora: o fim de semana transcorreu sossegado. Como eu não estou mais me jogando nas baladas, há os livros, as comidinhas, os programinhas light. Ontem mesmo, fui ao cinema, coisa que eu não fazia há decênios e assisti ao já exaustivamente cometando Os Outros. É, eu sei que estou meio atrasado, o filme já estreou há tempos, mas, por conta dos tantos comentários que eu ouvi e li, fiquei curioso pra ver.Aliás, o filme é, pra usar uma expressão nada criativa, realmente legal. Enredo interessante, com pouquíssimos furos e um desfecho razoavelmente inesperado. Um filme de "terror" sem o abuso daqueles efeitos especiais idiotas e que não assustam nem meus priminhos de cinco anos. Nicole Kidman mostou que pode ser bem mais que uma Satine de formas perfeitas e que uma atuação honesta e digna não depende da exibição de atributos físicos (aliás, é o que se deseja!). Algumas muitas aspirantes a atriz podiam tentar incutir essa idéia em suas cabecinhas, ou, melhor, desistir da carreira e parar de nos brindar com suas "expressões artísticas"! Nem vou citar nomes, poderia encher blogs e blogs com uma lista.
De qualquer forma, paro por aqui: não sou bom comentarista de filmes e nem nutro tal tipo de pretensão. Então, melhor deixar essas análises pra quem realmente entende do riscado. Fica aí a sugestão para interessados e retardatários de plantão.
Primeiro post do ano, seguido de um razoável jejum no blog. Sim, eu continuo sem o maldito micro e tenho sido obrigado a me utilizar de um método totalmente tosco e risível para ter meu acesso à rede. Funciona assim: escrevo primeiro no meu jurássico computador sem modem, copio e transfiro meus textos e afins pro já citado notebook, com seu teclado intratável (as letras E, G e H são mais importantes na minha vida do que eu poderia imaginar) e com sua moderníssima e também já mencionada conexão discada de 28.800. Com tamanha praticidade, demoro décadas pra responder aos e-mails, leio as minhas páginas de costume com uma freqüência progressivamente menor e meu ICQ vive no invisible mode, porque eu não tenho condições de entabular um diálogo decente - esmurrar o teclado não é nada confortável. Daqui a pouco, estarei condenado ao mais profundo ostracismo, digno de um náufrago perdido num atol qualquer ignorado do mundo.
A ausência de outras manifestações minhas aqui e em outros lugares se deve especialmente pela pura falta de vontade de escrever. Não tenho boas notícias para compartilhar, definitivamente, e relatar agruras, ao contrário do que alguns podem pensar, não me agrada, em absoluto. Contar o que?! Que eu tive um Natal desastroso que culminou numa horrorosa troca de impropérios entre mim e minha querida genitora, que se espalhou pro resto da família, incluindo papai, irmãzinha, titio e titias? Que, num momento de fraqueza intensificado (ou causado?) pela vodka naquela maldita ceia, eu acabei falando bem mais do que eu devia da minha vida (sim, aí incluem-se drogas e meu compulsivo uso delas)? E que, com tudo isso, estou sob uma quarentena, que significa a suspensão de baladas e de outros pecadilhos humanos a que tanto me acostumei? Ah, claro, sem contar a longuíssima ressaca moral cheinha de arrependimento, vergonha e auto-comiseração, que me rendeu uma passagem de ano desagradavelmente memorável.
Contar, também, que ainda não sei direito o que e por que fiz, que a porra da minha analista não consegue-me apontar nada que fuja às obviedades piegas do gênero "você estava pedindo ajuda", "a sua vida saiu dos trilhos, você tem de se 'reencontrar'"? Claro, tampouco preciso dizer que tudo isso foi pontuado por alguns choros, fugas mascaradas em muitas horas de sono e de comilança, alguns e-mails e telefonemas desesperados. Tá aí, já contei os porquês do meu prolongado sumiço que muitos desconheciam. Já dei as respostas devidas àqueles que perguntavam as razões por que eu não posto, não apareço online, não respondo a mensagens e a telefonemas. That's enough. Chega de falar disso. Acho desnecessário continuar a esmiuçar detalhes de dramas nada originais, de que toda a humanidade já está farta. Vou ter alguma consideração por mim e por eventuais leitores que aportarem por aqui e que, certamente, não agüentam mais esbarrar com páginas queixosas. Prometo tentar ser menos depressivo nas minhas escritas; incluo isso naquela listinha boba de resoluções que quase nunca se concretizam, tá?
É isso: estou bem à parte das coisinhas de costume: por um tempo, não haverá relatos de raves, de noitadas, nem dicas dos melhores ecstasies da temporada. Desculpem, mas eu preciso colocar a casa em ordem, de verdade. E essas férias forçadíssimas de tudo têm-me rendido algumas reflexões, claro; vou jogando esses meus desvairios aleatoriamente e aos poucos por aqui, em nome de toda aquela consideração de que falei há pouco. A primeira conclusão, a mais óbvia, é que eu precisava mesmo dar uma respirada, um tempo. A vida que eu estava levando não era apenas desregrada, era covarde e limitada e me emburreceu em quase todos os níveis possíveis. Ok, sempre temos as ditas experiências somadas, as lições aprendidas, aquele blablabla todo. Mas, trocando em miúdos, eu estava muito mais perdendo do que ganhando. Perdendo dinheiro, sono e saúde. Ganhando mais neuroses e acumulando mais situações esperando por uma solução (listinha rápida: vida profissional, vida amorosa, esses entes que não podemos desprezar, embora seja essa a vontade recorrente). Não vou dar uma de santarrão e dizer que ficar fora do ar, usar colocóns é algo totalmente reprovável e reservado aos fracos de espírito, não vou contribuir para que o mundo se afunde ainda mais em hipocrisia. Chega agora, já conferenciei demais sobre este assunto; outra hora eu retomo o departamento lamúrias e conexos.