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Nada demais, por enquanto, mes enfants. Depois eu volto, ok?
Creiam-me, esta busca gerou uma das visitas à minha página. Olha, a julgar por este post, a pessoa que entrou aqui não deve ter ficado nada satisfeita com o que viu.
" (...) Não tenham dúvida: a Igreja é acusada e humilhada porque está inocente. Seus detratores a acusam porque são eles próprios os culpados. Nunca a teoria de René Girard, da perseguição ao bode expiatório como expediente para a restauração da unidade ilusória de uma coletividade em crise, encontrou confirmação tão patente, tão óbvia, tão universal e simultânea.
Quem quer que não perceba isso, neste momento, está divorciado da sua própria consciência. Tem olhos mas não vê, tem ouvidos mas não ouve.
Mas a própria Igreja, se em vez de denunciar seus atacantes preferir curvar-se ante eles num grotesco ato de contrição, sacrificando pro forma uns quantos padres pedófilos para não ter de enfrentar as forças que os injetaram nela como um vírus, terá feito sua escolha mais desastrosa dos últimos dois milênios.".
Não vou dizer que eu concordo com tudo o que o Olavo de Carvalho pensa (muitíssimo pelo contrário, aliás). Mas o último texto dele sobre o pedregoso tema da pedofilia na Igreja está pra lá de acertado. Quem quiser, ver o conteúdo na íntegra, clique aqui.
Tive um professor de Direito Comercial que era alcoólatra. O odor de 51 podia ser sentido a léguas de distância, ele tinha aquele olho parado e aquela voz pastosa típicos de bêbados, and so on. Enfim, nada surpreendente: aquela faculdade nunca primou pela seriedade e o Departamento de Direito Comercial sempre aglomerou a maior concentração de membros do AA.
O que eu quero contar é que, num fatídico dia, esse professor, mais ébrio do que o normal, entrou em sala e começou a discorrer, com a seriedade possível, sobre Fábulas de Esopo. O ponto alto foi a afirmação de que "a andorinha era um bichinho muito safadinho.". Nem preciso dizer que a sala explodiu em gargalhadas descontroladas, ao que ele reagiu neuroticamente, dizendo que aquilo era questão importantíssima e muito pertinente à matéria. Mais uma cena folclórica para a minha coleçãozinha.
Fato é que eu e meu grande amigo taurino adotamos o termo "andorinha" como sinônimo de safardana, ardiloso e conexos. Nós temos o nosso semidialeto e eu não vou contar todas as nossas expressões e piadas particulares porque, primeiro, vou atestar definitivamente a minha insanidade e, segundo, e mais importante, porque esse é a nossa maneira de usar uma linguagem cifrada e poder falar dos nossos assuntos sem ninguém meter o bedelho.
Todo esse intróito só para dizer que eu fui uma andorinha ontem. Muito safadinho, acabei não indo só pra lá, mas estiquei a noite e cheguei em casa às oito e meia da manhã. Tenho prova amanhã e depois de amanhã. Então, vou tentar-me remendar aqui, porque a vida continua e, parafraseando a Clarice d'O Clone, eu "estou no mundo a serviço e não a passeio.".
A noite de sábado já caiu - esse dia de promessas, de aparições, em que todos os gatos viram pardos. E a quem possa interessar, vou dar uma passadinha no café deles. Tem um chill in gostoso (é o que dizem), e uma amiga minha de muito tempo, com quem não falo há outros muitos tempos, está trabalhando lá. Até queria uma baladinha, mas ainda estou gripado. E tenho (mais?!) duas provas na semana que vem. Cada um com o que pode ter, não?
Após uma sucessão de desastres de todas as cores e formas, este vai ser o design desta página por tempo indeterminado. Desculpem, eu queria uma coisa mais legal, mais vibrante, mais a ver comigo, mas não deu. Quando eu julguei ter encontrado um template decente, o título sumiu e o corpo dos posts ficou em total desordem.
Pronto, finalmente mudei os links aí do lado. Como vocês podem ver, adicionei vários itens à minha lista diária de leitura - os que, infelizmente, foram extintos, estão tachados. Sim, integrei o vício de ler blogs à minha vasta lista de hábitos rígidos e cancerianos.
O problema é que A PORRA DO BLOGGER não está atualizando. Me respondam: eles são mesmo uma merda em tempo integral ou isso só acontece quando eu decido usar os préstimos deles? Bom, já está avisado: se algum desastre acontecer no visual já capenga desta página, não é só a mim que vocês têm de culpar, crianças.
Vou fazer um comentário sobre O Clone. Um não, vários, pois eu sou compulsivo e facilmente transformo minhas conversinhas triviais em conferências (unilaterais, logicamente). Apesar de todas as inverossimilhanças que contaminam inexoravelmente as produções globais, eu acho muito válida a abordagem sobre as drogas. Eu mesmo já cometi excessos com psicotrópicos e, se passo a imagem de alguém que acha certo que todos vivam em estado de embriaguez e de hedonismo exarcevados, não é essa a intenção. Tive meus flertes problemáticos com drogas, ainda escorrego feio e estou aquém do ideal. Mas acredito piamente que é uma afronta indecente você manipular seu corpo para ter uma sensação inconcebível pelas leis da natureza; continuo achando que isso é, em última instância, fuga covarde (se é que existe outro tipo de escapismo); e não hesito em dizer que atitudes como as minhas denotam falta completa de maturidade.
Bom, o que prevalece é que eu acho muito boa essa iniciativa. E até dou um desconto por eles terem carregado tanto nas tintas: pó vicia, sim, estamos todos fartos de saber, mas ninguém atinge um estágio tão deprimente em um espaço de tempo tão curto. Além do mais, que pó é aquele, hein? Parece que a menina tomou um convitinho pra festa do Alladin (esfrega, esfrega, que ainda sai um gênio). Nem vou falar daquele morro Projac ridículo. Esses exageros, contudo, ainda cumprem uma função louvável: além de alertar pros malefícios, com ilustrações cruéis (na medida em que uma produção daquelas pode agüentar, claro) a novela aterroriza os desavisados. E, infelizmente, nós não funcionamos sob a lógica do diálogo pacífico - ou temos de ser amedrontados até o último fio de nossos cabelos ou, pior, temos de sofrer as conseqüências na pele.
O que me deixou putíssimo ao assistir a um episódio da novela ontem foram outras falhas. A sociologia conquistou, as feministas berraram, o mercado de trabalho absorveu e só a Globo continua vivendo nas épocas chauvinistas de folhetim! Estou ficando completamente insano ou ninguém se deu conta do maniqueísmo babaca que toma conta dessa trama? A Maysa é retratada como a vilã mesquinha e fútil. Pois bem, nem vou dizer que a superficialidade dela mereça um altar. Mas enquanto ela está indo resgatar a filha naquele buraco, enquanto ela se descabela em choro, o que os outros fazem? A Mel caindo pelas tabelas, se matando à vista de todos e aquele pai estúpido dela preocupado com a Capitu? E o avô dela, tão prototipamente afetuoso, se enroscando com a social climber turbinada, se preocupando com aquele clone maldito? Olha, das duas uma: ou eu aprendi tudo errado em casa e com as minhas trombadas ao longo desses vinte e tantos anos, ou a escala de valores dessas criaturas está muitíssimo mal calibrada.
A puta oportunista é santificada; o mimado que não cumpre sua função de pai e de marido é vitimizado; o velho babão em crise de idade de lobo é enaltecido. Perdão para todos, indiscriminadamente, afinal errar é humano, não é mesmo? Não, calma! A moça má que não se deu o direito de viver platonismos e de se desprender da vida terrena merece o fogo do inferno. Quem vive segundo os ditames de sua crença, sendo ela diferente da sua, também merece ser privado de qualquer tênue esperança de felicidade.
Francamente? A isso, prefiro a santarronice reducionista das fábulas de Esopo, muito obrigado. E passar bem.
Só pra constar que eu não fechei a semana de um jeito muito grato.
Acabei de fazer uma prova que dissertava sobre uma matéria que eu pensava conhecer, a julgar pelas aulas que eu passei todas as minhas sagradas sextas assistindo. Mas... choses de la vie, que nem sempre (aliás, quase nunca) é en rose.
Queer que faz jus à sua condição, tem de gostar de Madonna. E eis aqui o resultado do meu teste. Não é, simplesmente, perfeito?
Você é uma pessoa sofisticada, provocativa e controladora, mas quando falamos de relacionamentos, as coisas complicam um pouco. Deixar levar-se pela emoção e se entregar, ou fechar-se? Cuidado, como a personagem do vídeo, pode chegar um momento onde você não saberá mais o que fazer e tomar uma atitude extremada. Ninguém consegue fingir poder por tanto tempo
E o meu amigo taurino aniversariou ontem. Meu estado vergonhoso de saúde não permitiu nem que eu publicasse uma mensagenzinha a tempo.
Lá se vão dois patinhos na lagoa! Embora eu saiba que o que você deseja que não são exatamente patinhos e muito menos na lagoa, mil felicidades, querido. Acho que atingimos um ponto em que palavras em excesso já são desnecessárias.
Momento eu te adoro, sabia? - retificação de última hora
"A você, criança, amiga de longa data e companheira de tantas coisas - uma pena termos-nos visto apenas tão tarde e já tão fora de nossas consciências!"
O adendo ao post da Skol acabou de ser feito, em destaque. Desculpe pelo esquecimento, mon cher ami.
Foi assim que eu passei a minha noite e a minha manhã de hoje. E não é em estado de total reestabelecimento que eu estou escrevendo aqui. Os 39,2°C que meu corpo registrados pelo meu corpo me deram uma bad trip tão forte que eu nem vou precisar experimentar LSD na minha vida toda.
Sei que um blog que se preze não vive apenas de testes ou de irritantes "copy and paste" daquelas mensagens que todo mundo que usa Internerd há algum tempo já está farta de conhecer. Também sei que existem algumas pessoas que caem por aqui esperando ver relatos dos meus dias.
Acontece que, além de ter pouco de interessante para contar, crianças, eu estou doente. Enfermo. Debilitado. Com a saúde hipossuficiente. Uma virose que já vinha rondando furtivamente a cidade finalmente se instalou no meu pobre corpo. Parece que eu tomei uma surra, meus olhos estão pesados, meu corpo dói. E eu tenho terapia hoje - aquele sagrado momento semanal em que eu conto os meus segredinhos íntimos. Mas, com toda essa indisposição, nem sei do que vou poder falar. Trocar nomes de remédios? Falar sobre doenças? É, vai ser a conversa de comadre hipocondríaca mais cara da minha existência.
Pronto. É madrugada de segunda para terça, quase uma e meia da manhã, e eu já desisti de mexer no Blogger - vou colocar tudo isso no ar amanhã cedinho. A prova na noite de quinta-feira (18 de abril) foi, felizmente, facílima; definitivamente, eu nem precisava ter estudado tanto para ela. E os dias que seguiram esses últimos escritos passaram tão rápido que eu nem pude-me dar conta. Mas, vamos devagar. Vou tentar não seguir a minha tradição de narrativa prolixa e contar tudo bem direitinho.
Ainda na quinta, antes do exame psicotécnico alcunhado de “avaliação bimestral”, eu fui comprar os ingressos para a Skol Beats. Meu grande amigo taurino, percebendo que seria um evento imperdível, também resolveu-se juntar a mim e lá fomos nós à Pizza Hut do Shopping Paulista à caça dos benditos papeizinhos. E, surpresa: ingressos esgotados! E sem previsão de chegada. Desespero, arrependimento por, de novo, ter deixado tudo para a última hora, pronto para ouvir e enfrentar o momento ”I told you that” da minha irmã, zarpei para o Shopping Anália Franco, já tendo aniquilado mais uma batelada de aulas vespertinas. Dia quente, ar-condicionado do carro quebrado, cruzadas pela cidade, fila na Riachuelo, já prenunciando que eu compartilharia meu espaço com hordas de pessoas de todos os gêneros e, at last, ingressos na mão. Cansaço, a tal prova fácil e fim do dia.
Dediquei a sexta-feira inteira a mais preparativos para a Grande Festa (que, sim, merece letras maiúsculas) Fui ao cursinho, para compensar a culpa de ter faltado por motivo tão fútil e torpe no dia anterior, cortei o cabelo, enfrentei o trânsito costumeiramente infernal de sexta-feira, realizei as demais transações “comerciais” (entre parênteses, pois objeto ilícito não configura negócio jurídico – aprendam mais essa, crianças). Suado, cansado, faço rápida pausa estratégica em casa. O que era pra demorar quinze minutinhos terminou por levar quase uma hora. O meu priminho, totalmente diferente de mim em todos os aspectos imagináveis, chega aos prantos aqui, porque caiu no conto do vigário de que ia ganhar um free, esperou até a véspera da festa para efetivamente perceber que tinha sido ludibriado e dar de cara com um retumbante sold out. E lá vou eu, em busca de contatos para descolar um ingresso pra ele o que, por pura graça de Deus, consegui. Finalmente, vôo pro Ritz concluir a aquisição dos armamentos para a grande guerra do dia seguinte. Pronto, eu consegui cumprir toda a minha listinha de afazeres! Como ninguém é de ferro, tive o meu momento beeshah televisiva-viciada-em-seriados descontrol, assisti a Queer As Folk e capotei.
O dia – levantando vôo
Acordei relativamente cedo no sábado, para me esbaldar no logradouro que abriga o maior foco do comércio informal da minha adorada hometown: Rua Vinte e Cinco de Março. Ou, para quem quiser dourar a pílula e atribuir ares nobres e galicistas a essa representante legítima do popularesco, a Vingt-Cinq. Num delicioso retorno à minha infância, brinquei com os inúmeros apetrechos esquisitíssimos vendidos lá e, por um preço risível e irrisório, saímos, eu e meu grande amigo taurino, carregados de óculos de sol, barras de Torrone e apitos multicoloridos.
Viemos para a minha casa e encontramos minha irmã e sua amiga em total polvorosa. Vários telefones já começam a berrar (afinal, eram quatro pessoas vítimas do escravismo do aparelho celular), com ligações de muitas, mas muitas pessoas rumando ao mesmo destino de perdição. E, daí pra frente, só posso classificar os ocorridos como baderna, zona, banzé, rififi, bagunça, pandemônio e todos os muitos outros sinônimos que nossa rica língua nos oferece.
Apartamento do meu grande amigo nos Jardins. Preparativos finais para a festa (é, mais deles!). Neurose com a revista policial. Pausa necessária no Mc Donald’s. Trânsito infernal, absurdo, insuportável. Paramos no Shopping Interlagos, com medo de não conseguir vaga no autódromo. E pegamos o ônibus fretado e dividimos espaço com teenagers deslumbrados, universitários interioranos novatos, cybermanos e toda uma fauna escabrosamente discrepante de nós. E mais trânsito. E fila, que fila, meu Senhor! Uma infinidade desordenada, a perder de vista, de roupas, cabelos, caras e bocas de todos os estilos e cores. Essa multidão desanimadora, acrescentada com a certeza de que eu já tinha perdido Kosheen e Groove Armada, os grandes queridinhos do super-evento, começou a minar qualquer disposição e humor que eu ainda podia guardar.
A festa
Foram cinco horas de martírio para, finalmente, entrar na festa. Eu já estava de pé desde as 10 da manhã, tinha amargado duas horas de trânsito, uma hora e meia na fila (tive de pagar R$0,50 para fazer xixi num banheiro imundo!), mais alguns bons minutos esperando o ônibus-caravaba lotar. Mas, assim que eu pisei naquele gramado e que eu vi aquelas tendas e aquela circulação fervilhante de seres, tive a plena certeza de que todo o esforço tinha valido a pena. Pode ser um pouco decepcionante falar isso, mas eu não tenho palavras para descrever. Tudo estava sublime, solar, etéreo, pulsante. Qualquer tentativa minha de expressar a grandeza do que eu vi, escutei e senti será irremediavelmente incompleta. Toda aquela babel de pessoas, tão diferentes e até, à primeira vista, tão conflitantes, juntava-se numa coexistência harmoniosa e multifacetada. Barbies, patricinhas e maurícios, posers, provincianos, clubbers endinheirados e da periferia, enfim pessoas que freqüentam e vêm de tantos lugares diferentes esbarravam-se, dançavam juntos, sorriam, pulavam. Claro que havia aquele leve sectarismo, havia concentrações nítidas de grupos específicos; afinal, a música eletrônica tem muitas vertentes, cada uma com um público cativo muito peculiar. Mas, a toda hora, era inevitável que essas pessoas se encontrassem, formando um caleidoscópio humano que daria um bom estudo para qualquer antropólogo em potencial. E ver aquele burburinho me deu uma sensação, já me desculpando por ser tão prosaico, muito boa.
Foi nesse espírito animadíssimo que eu tomei meu primeiro E!, um tulipa duplo divino. E que, gradualmente, fui-me entrosando com aquele ambiente, que a música foi entrando pela minha veia e se espalhando pelo meu corpo. E que trance fez todo o sentido pra mim, me deixando literalmente em transe, como se eu fosse apenas uma centelha de uma completude una, um átomo de uma verdade muito maior.
Não vou-me deter a uma análise técnica do som, há pessoas muito mais especializadas do que eu nesse quesito; meus conhecimentos de vida noturna, contudo, me autorizam a atestar a altíssima qualidade de tudo o que eu pude ouvir.
Tenda GateCrasher: Deep Dish, John “OO” Fleming, Santiago – vocês são, certamente, grandes papas, magos dos nossos tempos, que dão aleluias às dores contemporâneas. Obrigado, obrigado, obrigado!
Outdoor Stage: dia amanhecendo, a imensidão do autódromo, cheiro de grama molhada, roupa enlameada, uma rave em plena selva de pedra. Technasiaarrasou, me proporcionando uma viagem absurda, em que eu, pela primeira vez, me senti flutuando e “codificando” mensagens cifradas naquelas batidas. Mau Mau energizou a pista com beats pra lá de poderosos, provocando mais chacoalhões de braços, gritinhos e palminhas. Mas, a essa hora, meu corpo já não agüentava mais. E fui-me retirando, com a sensação de dever cumprido, integrando a massa de zumbis e aprendendo que o hype é saber a hora de sair de cena.
Estou parecendo totalmente lisérgico, eu sei. Mas só quem foi sabe do que eu estou falando e pode endossar integralmente tudo o que eu falei. E aos que perderam, só posso lamentar. Pois afirmo, sem medo, que essa festa representou muito bem o nosso zeitgeist (eu adoro essa expressão, que significa, literalmente, “espírito do tempo”). Foi um evento emblemático de uma geração urbana, antenada em música eletrônica, em balas; de uma geração composta pessoas que saem de óculos escuros pelo puro prazer de dançar e que não está interessada em qualquer outra coisa além de diversão. Podem ser valores pouco louváveis, já que não se relacionam a questões tidas como de maior importância, como política, realidade social e todos esses assuntos rotulados com a etiqueta da seriedade. Mas, inegavelmente, essa combinação louca é uma tradução, ainda que muito parcial, de uma faceta dos nossos tempos. E, de novo, paro por aqui, não querendo-me estender no assunto, pois há e haverá sociológos muito mais qualificados do que eu para fornecer uma explicação certamente muitíssimo mais acurada do que a minha.
É isso, crianças: foi ótimo. Foi demais. Foi excepcional. Foi orgasmático. Nada é perfeito, o ditado é manjado, e, por isso, totalmente verdadeiro. Como não podia deixar de ser, tive alguns poréns: a organização deixou a desejar em inúmeros aspectos (o trânsito estava indecente, acabou a água no meio da festa, as filas eram escassas e longas); minha irmã terminou por se desentender com uma amiga; eu não pude encontrar uma série de pessoas com quem eu quis compartilhar toda a minha alegria; tive uma discussão exaltada com os taxistas que queriam cobrar a corrida a um preço fechado e aviltante; e, por fim, perdi a chave do meu carro no meio daquela balbúrdia e, por isso, acabei chegando pregado ao meio-dia em casa. Mas, no cômputo geral, o saldo foi positivo. E, ano que vem, estou lá, de novo.
Momento ”eu te adoro, sabia?”
Primeiro, não posso deixar de mencionar o encontro inesperado com vários membros de nossa comunidade blogueira: Ryan, Matt, Carpe Diem e Beto. Tanto àqueles que eu já conhecia pessoalmente, por diversas circunstâncias e coincidências da vida, quanto aos que eu ainda não conhecia in persona, mas de quem eu já me sentia tão íntimo, só digo, singelamente: adorei tê-los visto.
Pena mesmo foi não ter encontrado meu caríssimo Smile Amarelo, que suplantou o medo (!) que sente de mim e até me ligou quando eu estava preso no engarrafamento da Interlagos. Espero mesmo vê-lo em breve. Você é uma das provas de que afinidades e o gostar são inexplicáveis e brotam, muitas vezes, de fatores que fogem à lógica. Pena também não ter encontrado com o Rê, com quem eu vinha trocando mais idéias ultimamente e eu tive muita vontade de conhecer! Fica pra próxima!
E, mais ainda, tenho a obrigação de agradecer a duas pessoas sem as quais, certamente, eu não teria tido tamanho prazer e que mostraram seu papel fundamental na minha vida. Little Sis e Taurino, je vous aime. A meu amiguinho que aniversariou em plena Skol, muito embora você não seja leitor das minhas insanidades, só desejo tudo aquilo que você merece. E digo que estou morrendo de inveja da “sua festa”! A você, criança, amiga de longa data e companheira de tantas coisas - uma pena termos-nos visto apenas tão tarde e já tão fora de nossas consciências! E a muitos outros, que sabem que têm um lugar pessoal e intransferível no meu coração, mais “obrigadíssimos!”
Não foi possível acordar em tempo hábil para ir ao cursinho: após ter dormido apenas três horas em dois dias, meu corpo se ressentiu dos abusos infligidos e exigiu a reposição que eu lhe devia. Terminadas as duas aulas da faculdade, meu celular já começa a tocar, me oferecendo uma série de oportunidades de exercício de vida social. Minhas amigas lesbian chic me convidando para ir ao Bar da Grá; o já mencionado taurino querendo ir ao cinema; e, por fim, meu outro amigo, pisciano e vizinho de bairro, com vontade de, em princípio fazer algo light.
Parênteses agora para questão de identidade desses entes que compartilham dos meus dias. Já expliquei, há muito tempo, que não posso publicar os nomes das pessoas envolvidas aqui. A mais óbvia razão para isso é que muitas das atividades e acontecimentos aqui narrados estão longe de ser louváveis e essas pessoas poderiam ter o bom andar de suas vidas seriamente prejudicado se eu começasse a expor seus nomes neste blog. Além disso, invasão de intimidade e de privacidade são afrontas seríssimas à nossa Constituição e, após anos na faculdade recebendo exemplos ilustrativos a respeito do tema e após ter passado por uma experiência desagradável em relação a isso, eu positivamente, eu não estou afim de ser processado criminalmente e passar dias como visitante forçado do nosso maravilhoso sistema penitenciário.
Para minimizar a confusão gerada pela existência desse sem fim de pessoas participantes da minha vida, tentei alguns artifícios. Apelei anteriormente para iniciais esdrúxulas, mas percebi que isso, como quase tudo que eu faço, era meio confuso. Então, de agora em diante, vou, experimentalmente, identificar meus amigos pelos seus respectivos signos, já que, como toda beeshah que se preze, eu adoro Astrologia e acredito que nossa personalidade é muitíssimo condicionada à data, ao local e ao horário em que nascemos. Mas já fugi demais do assunto. Basicamente, tem o meu grande amigo taurino, a quem já inclusive dirigi um post recentemente. Tem, ainda, esse meu outro amigo pisciano, que mora aqui do lado de casa, estudou na mesma faculdade que a minha e tem também muitas coisinhas em comum comigo. Aos outros, vou-me referindo com o tempo, porque, pelo que vejo, linearidade não está sendo meu forte hoje.
Feito o adendo, vamos aos fatos. Depois dos telefonemas, voltei para casa, pedi uma pizza e estava pronto para fazer algo bem tranqüilo, para voltar para casa em horário decente e para, sobretudo, poupar meus parcos reais e minha cambaleante saúde para a desejadíssima Skol Beats. E meu vizinho pisciano veio aqui em casa, com seu carro, para irmos dar uma volta. Bom, pelo título do post, e pelo que eu já demonstrei da minha personalidade impulsiva e inconseqüente até agora, nem preciso dizer que a única coisa light que teve no meu programa foi a água necessária para acalmar a desidratação de sempre.
1) Ritz – duas doses de Smirnoff, encontro com meu amigo pequenino e leonino, já convenientemente munido da companheira Keyla. Conversinhas preliminares, banais e abordagem inusitada pelos promoters da nova casa GLS de Sampa, a Fiction, com direito a uma chamativa (não sei se no bom sentido) van.
2) UltraLounge - amigas lesbian chic com meu E! entertainment. Ele e mais outro amigo com Keyla. Suadouro, viagem, social. Bebedeira do meu amigo pisciano, que estava longe da balada há tempos por conta do namoro; que estava em vias de repensar esse namoro, o que se fortaleceu com uma briguinha telefônica iniciada no Ritz; que, por conta do álcool e da discussão, se excedeu e fez algumas besteirinhas; e que, por tudo isso, ainda exigiu que fôssemos aqui.
3) Trajeto UltraLounge - A Lôca. Este foi o ponto crítico da noite. Meu dileto amigo, no estacionamento, tem uma crise de Madalena arrependida e, contrariando todas as regras de bom senso, resolve ligar, altamente alcoolizado, para o namorado. Com o Johnnie Walker no corpo, começa a expelir uma série de impropérios, de cobranças, tudo isso salpicado de muito choro. Deprimente, enervante, quebra total de colocón. Crianças, essas cenas certamente vão para a minha vasta listinha das mais escabrosas. Fui obrigado assumir o papel de mediador e de idiche mamma dos pobres rapazes, o que incluiu ter de arrancar à força o celular da criança, conversar com o ser no outro lado da linha, acalmar seus ânimos e segurar o volante para evitar uma colisão. Seguidamente, ainda tive de fazer o tortinho prometer que não ia dar escândalo e nem abrir o berreiro dentro da boate.
4)A Lôca - A este momento, já tinha recobrado toda a minha sobriedade. Nunca vi aquele lugar tão cheio em toda a minha vida. DJ importado, pessoas de todas as castas e orientações sexuais imagináveis, ambiente pulsante. E lá se foram todos os meus planos de economia monetária. Vodkas, outro E!ntertainment, e até uma inesperada aparição da minha amiga Keyla.
5) Chez moi - Essa noite (?) insana teve fim às nove e meia da manhã, na minha casa. Tive de inventar uma desculpa esfarrapadíssima para a hora em que cheguei. Pior, gastei todo o dinheiro que eu tinha, inclusive o que o meu pai tinha-me dado para comprar a frente do rádio que me foi roubada em plena Av. Paulista há mais ou menos um mês atrás. Needless to say que eu ainda estou me sentindo arrependido e a piada de que eu sou a Mel em versão paulistana e oriental está tomando um sentido bem amarguinho pra mim.
Isso tudo foi escrito na segunda-feira (14 de abril) e eu ainda não tinha tido tempo de terminar o post. O final de semana transcorreu normalmente, dentro dos limites comportados por uma ressaca. Já é madrugada de quinta-feira e a semana já passou voando: eu tenho uma prova horrorosa hoje à noite e meu espírito irremediavelmente procrastinator me leva a enfrentar uma maratona de preparativos pra Skol Beats.
Listinha de afazeres:
1) Comprar o ingresso; 2) Pegar os entretenimentos da festa; 3) Cortar o cabelo; 4) Fazer a prova.
Claro, é pouco, é praticamente nada se comparado com a fome do mundo, com a desigualdade social que assola o mundo, blablabla. Mas razões pra reclamar nunca faltam. Queria falar mais, mas preciso dormir agora. E ela, a tão aguardada, está chegando...!
E ela, a famigerada, a aguardada, a sonhada, a idealizada Skol Beats já foi. Tenho muitas coisas pra contar.
Ainda estou em dívida com estes meus relatos egocêntricos. Mas, certas coisas não mudam: a Lei de Murphy continua ocupando alto posto de regência na minha vida e, justo hoje, quando estou com vários posts atrasados para publicar, esta porra está intratável.
Então, vamos combinar como antes: depois, mas prometo que vai ser um "depois" bem próximo, eu conto tudo!