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Sleepmonger, deathmonger, with capsules in my palms each night, eight at a time from sweet pharmaceutical bottles I make arrangements for a pint-sized journey. I'm the queen of this condition. I'm an expert on making the trip and now they say I'm an addict. Now they ask why. WHY!
Don't they know that I promised to die! I'm keeping in practice. I'm merely staying in shape. The pills are a mother, but better, every color and as good as sour balls. I'm on a diet from death.
Yes, I admit it has gotten to be a bit of a habit - blows eight at a time, socked in the eye, hauled away by the pink, the orange, the green and the white goodnights. I'm becoming something of a chemical mixture. that's it! My supply of tablets has got to last for years and years. I like them more than I like me. It's a kind of marriage. It's a kind of war where I plant bombs inside of myself. Yes I try to kill myself in small amounts, an innocuous occupation. Actually I'm hung up on it. But remember I don't make too much noise. And frankly no one has to lug me out and I don't stand there in my winding sheet. I'm a little buttercup in my yellow nightie eating my eight loaves in a row and in a certain order as in the laying on of hands or the black sacrament. It's a ceremony but like any other sport it's full of rules. It's like a musical tennis match where my mouth keeps catching the ball. Then I lie on; my altar elevated by the eight chemical kisses. What a lay me down this is with two pink, two orange, two green, two white goodnights. Fee-fi-fo-fum- Now I'm borrowed. Now I'm numb
Acabo de me apaixonar. Por uma mulher. Morta. Seu nome é Anne Sexton, uma poetisa norte-americana que se suicidou, aos quarenta e seis anos e que deixou um legado de precisos retratos de dores e agonias. Foi (ou está sendo?) um amor à primeira vista, que nasceu de mais uma tarde morta passada aqui na rede. Estou aqui há um bom par de horas copiando e colando todos os poemas dela que eu achei disponíveis online para minha enorme pasta super-nerd de boas idéias poéticas.
Se reencarnação existe, eu sou uma parte dela que renasceu. Parte é o máximo que posso pretender, porque, certamente e ao contrário dos seres ordinários, ela não tinha uma alma singular, única, mas carregava dentro de si uma imensidão de sentimentos multifacetados e intensos.
By the way, meu aniversário está chegando e eu sou uma pessoa desmonetarizada, desempregada, e qualquer outra merda de "des + (insira sua preferência aqui) + ada". Aceito, dentre outras coisas, livros dos meus autores preferidos.
Nesta madrugada tediosa e depressiva, tive uma repentina idéia de fazer uma retrospectiva da minha bloody life, para fins de acentuar o papel deste blog enquanto confessionário e extensão do meu caro divã semanal. retroceder no tempo. Tá, a idéia em si é nada original - psicanalistas têm feito uso desmedido da regressão e já vi alguns blogs também tentarem fazê-lo.
Bom, eu pensei em pegar cada ano já extinto e falar dos seus fatos mais relevantes. Começar pelo último, 2001, e ir descendo até o ano do meu nascimento. Falar do passado, afinal, é apenas mais uma forma de escapar dos inúmeros problemas presentes ou uma tentativa de melhor compreender suas raízes? Acho que já falei disso aqui - estou-me cansando, definitivamente. Hmmm... quem sabe, eu não consiga retornar ao útero e achar uma paz já esquecida? Acho melhor não. Minha adorada mãe já fumava na gravidez.
Anyway, acho que é uma idéia como tantas outras minhas, que já morrem antes de dar o primeiro sopro.
Cadê meu botão de sumir? Troco um por um maço de cigarros semi-cheio, pelo meu carro batido, por todo meu guarda-roupa, pelo meu corpo já não tão saudável, enfim, pelo que quiserem!
ElesEla, sempre elesELA! Já falei que, embora eu faça parte da minoria que não dá a mínima, ou melhor, que não suporta a Copa do Mundo, eu acho que ainda devo ser minimamente respeitado por isso! Basicamente, a sua liberdade termina onde começa a minha. Uma frase pronta e batida é tudo o que uma situação dessas merece.
Eu sou um garoto mimado, sedentário e mal-acostumado; e, por conta disso tudo, quase nunca entro num metrô e muito menos ando a pé. Hoje foi o dia de contrariar a (des?)ordem das coisas. Tive de ir até a delegacia fazer o tal do B.O. Quando eu cheguei no distrito policial, vi que tudo poderia ser feito pela Internet, mas acabei pensando que, como eu já estava lá, era melhor fazer. Na verdade, minha terapeuta me recomendou terminantemente que eu fosse fazer isso e sozinho, porque eu preciso parar de permitir que os outros metam as fuças nas minhas coisas e, com isso, adquiram a propriedade de me apontar seus dedos em riste e de me atirar, enfileiradamente, uma série de impropérios. E, como não se recomenda desobedecer a conselhos médicos, lá fui eu.
Quase caí no vagão, me perdi pra chegar até uma mal-cuidada casa amarela onde funciona o D.P. E claro, tive de enfrentar a morosidade que caracteriza qualquer coisa nesta terra que não é só campeã nas quadras, mas em outros quesitos não tão louváveis. Só que, apesar das quase quatro horas que eu passei lá dentro, eu vi gente. Não essas pessoas que normalmente me cercam, padronizadas por logotipos de roupas, perfumes, manias, restaurantes and so on. Vi gente simples, que sequer sabe o número do seu RG; vi gente estressada e que trabalha de verdade tendo o seu sossego aviltado pela marginalidade; vi gente que representa essa marginalidade, desfilando de algemas; e vi gente desanimada de ter a sua vida sugada pela mediocridade e pela mesmice do funcionalismo estatal (um concurso público, por mais bem remunerado que seja, realmente vale a pena?).
Enfim, eu vi gente que está sempre compartilhando, fisicamente, muitos dos mesmos lugares em que eu estou; gente que, por exemplo, está encarapitada no ônibus do lado, mas cujas presenças eu, e tantos outros como eu (provavelmente você que está lendo isso), deliberada e inconscientemente, ignoro (amos?). Por mais que saibamos que as personagens de Estação Carandiru são de carne e osso, esta é uma consciência puramente formal, que carece de uma vivência de que nos privamos. Porque, dentre muitas outras coisas maléficas, carregamos implícito um sentimento calvinista, que nos proíbe de olhar pra baixo, que ordena que nos limitemos apenas a querer, em todos os sentidos, mais e mais.
Bom, feito o B.O., saí passeando pelo bairro da Liberdade, de onde vêm muitas das lembranças da minha infância. Adentrei algumas lojas que já foram velhas conhecidas, comprei algumas pequenas guloseimas (há um biscoito japonês, em forma de coala, recheado de chocolate, que é delicioso). E peguei o metrô de volta pra casa, às cinco e tantas da tarde. Um metrô lotado. Dessa vez, ao menos, eu não me desequilibrei (nem tinha como), mas, principalmente, não bufei de raiva. É. As coisas têm de vir aos poucos e, às vezes, eu até aceito que seja assim.
Esses comments já estão-me dando problemas. Vejam que depois de alguns posts, eles simplesmente desaparecem, ou melhor, não são mais indicados os números; e, pior, não abrem mais em outra janela! O que fazer?
Amanhã (isto é, em algumas horas), eu vou exercer forçadamente a minha porção antropólogo-observador-do-mundo e vou à delegacia fazer um boletim de ocorrência (vulgo B.O.). Depois, se me der na veneta, eu conto aqui as minhas impressões sobre este evento.
Crianças, vocês que me têm no ICQ e ainda querem manter contato comigo, enquanto essa situação calamitosa não se resolve, peçam o meu MSN Messenger. É, eu acho horrível, mas é o que tem.
Por que o Weblogger, que é brasileiro, demora mais pra carregar do que o Blogspot, que é estrangeiro? Não deveria ser o contrário? Depois tem gente que ainda se orgulha de ser deste país!
E as provas terminaram! Como já vinha prevendo, fechei mal o semestre. Caíram questões difíceis, longas, com aquelas duas únicas respostas possíveis, ambas igualmente traiçoeiras e excludentes. Enfim, chega de falar disso. Quero passar o próximo mês não mais tendo de pensar, ou pior, OLHAR praqueles tijolos codificados. Se bem que as aulas aqui vão até o dia 19. Será que eu me dou férias e não apareço por lá?! Anyway, o fim do semestre na bloody catacumba acadêmica já me deixa menos pior. Um consolo pra minha vidinha chata, não é mesmo?
E falando em tédio, hoje teve análise. E não, não teve nada revelador, não houve epifanias nem qualquer bosta alentadora do gênero. Ressalva que eu ouvi, pela enésima vez, que eu preciso fazer as minhas coisas all by myself e não permitir que entes estranhos venham enfiando suas mãos enormes e cheias de dedos palpiteiros e acusadores. É, eu tenho sérios problemas com isso, mas hoje não estou afim de falar disso. Talvez, quem sabe, outro dia eu faça uma regressão e comece a analisar retrospectivamente os fatos determinantes que me levaram a ser isto que eu sou hoje.
Bom, a propósito desse marasmo nos meus encontros semanais, acho que eu atingi um estágio tão avançado de estagnação que já está repercutindo em todos os aspectos do meu cotidiano - minhas sessões de análise apenas estão refletindo essa mesmice
E, claro, tem estes escritos, que também não têm sido outra coisa senão uma aporrinhação colossal. Não que eu me importe em ser repetitivo neste pedaço; afinal, as dores e aflições humanas são basicamente sempre as mesmas e comigo não poderia ser diferente - ou seja, eu não posso ser muito criativo e ficar criando versões diferentes pros meus problemas. E, até pouco tempo, eu realmente não me importava em ficar escrevendo sobre as mesmas coisas, pois, em cada roupagem sutilmente diferente que eu dava a cada questão, eu achava que estava exaurindo todas as facetas das minhas aflições e, com isso, eu estaria mais apto a lidar com elas e, se possível, extirpá-las em caráter definitivo.
É, notem a conjugação no passado, porque, agora, acho que eu já repisei demais os mesmos pontos e, se eu já cansei vocês com meu blabla porcamente-freudiano-existencialista, sou eu quem está mais-que farto de sempre estar gravitando em torno das mesmas questões. More action instead of talking, eu sei. De novo, vamos pro de sempre: sentar, esperar e ver.
Estou com uma virose das bravas. Na verdade, é o meu micro que foi infestado por um desses malditos aí. Mas como, vergonhosamente, este aparelho é uma extensão de mim, sinto que eu também estou doente. Os sinais já são claros: ele demora muito tempo pra iniciar; meu ICQ não abre mais, mesmo após inúmeras e seguidas tentativas de desinstalação / instalação; o Outlook Express acusa datas totalmente insanas de recebimento de mensagens (no momento, para o iG, estou no ano 2025); aquela mensagem irritante pipoca numa janelinha hedionda a todo instante.
Vou ter de pedir ajuda médica, técnica e mediúnica pra que eu volte a conseguir viver, porque não há mais diferença entre vida real e virtual pra mim. Meanwhile, torçam pra que eu volte logo (ou não) e peguem leve no quesito e-mail. Nada de correntinhas virtuais, arquivos PPS enormes e de gosto duvidoso e conexos. Em tempo: eu não preciso mandar pra você uma rosa de cristal ou uma figura pavorosa de Nossa Senhora pra mostrar que eu sou seu amigo, tá bom?
That's it. Espero que a abstinência não bata muito forte e que eu fique babando tanto a ponto de furar o chão do meu quarto.
Meus nervos estão em frangalhos. Sou um hospício hermeticamente fechado por esta blusa comprida e por esse casaco quadriculado. Ah, se eu não tivesse um instinto gaysha predominando, ainda que aos trancos e barrancos! Eu já teria quebrado este computador com os dentes, reduzido este cinzeiro de vidro a caquinhos atômicos e ateado fogo nesta casa e em mim mesmo. E tudo antes mesmo que você pudesse pensar em pronunciar uma singela vogal. Se eu fizesse isso, quem sabe, finalmente, a minha boca reclamante se calasse, meus dedos frenéticos parassem de digitar, e esses comandos neuróticos emitidos pela minha caixa craniana cessassem . Em definitivo. That would make things a lot easier. To all of us.
Mas eu não sou como Sylvia Plath, não tenho bolas suficientes pra enfiar a minha cabeça num forno e dar fim a essa burundanga (palavra achada na minha infância, aleatoriamente, no dicionário e que significa mistura de coisas imprestáveis). É, a loucura requer muita coragem, alguém certamente já disse isso, de um jeito ou de outro. Fazer um estardalhaço respeitável, gritar tanto até que esteja esgotada toda a força que seus pulmões e a sua alma podem fornecer, fazer-se realmente ouvido e desabafar de verdade, até que você esteja completamente vazio e murcho, pronto pra se inflar novamente, isso tudo é privilégio de pouquíssimos. E eu não faço parte dessa seleta casta da humanidade, e você seguramente também não.
Preferimos, cada um a seu modo, ruminar. Acreditando naquela desculpa de que cultivar os males e levá-los às últimas conseqüências fortalece o espírito ou, em termos mais rasos, acreditando que é melhor desconsiderar coisas que nos foram ensinadas como irrelevantes. E assim, terminamos por agir feito quadrúpedes ungulados, que se resumem a ficar mastigando, revolvendo e engolindo de novo esse enorme bolo fecal. Com a diferença, no meu caso, de que a graminha não é verdejante, mas tostada e de que, até segunda ordem, eu tenho apenas um estômago. E, ponto-chave, toda essa burundanga só é expelida aos poucos, porque o decoro e o aguçadíssimo senso de autopreservação falam mais alto e não permitem que efetivamente se vá às últimas conseqüências.
Se jogue de cabeça no mar, mas não tão fundo para que você se afogue e nunca mais volte à tona. Leve uma vida libertina, mas não o bastante pra que você de fato se liberte de si mesmo. Fale e aja de forma ultrajante, mas de modo que você não afronte a si mesmo. E, o mais importante, berre, mas não a ponto de você despejar todo o seu ser - apenas grite para fins terapêuticos de alívio momentâneo.
Mas, por Deus ou por qualquer outra coisa que você coloque acima d'Ele, nunca se deixe perceber que, por trás de toda a sua autenticidade e coragem, você é tão boçal e sem sabor quanto aqueles que você abomina.
Meu ICQ pifou. Agora, eu estou ainda mais isolado - como se isso fosse possível. Mas é. Que ódio.
Dá licença...
Puta do cais mode on: MERDA NO VENTILADOR LAMBUZANDO TUDO, CARALHO FLÁCIDO E MOLE, VÃO TODOS A PUTA QUE OS PARIU E QUE NÃO TEVE O BOM SENSO DE FAZER UM ABORTO!
"Arquivos requeridos para a execução apropriada do Windows foram substituídos por versões não identificadas. Para manter a estabilidade do sistema, o Windows deve restaurar as versões originais desses arquivos.
Insira CD-ROM do Windows 2000 Professional agora."
E cumpre informar que eu tive uma briga homérica com meu genitor, que durou das seis às oito. Da manhã. Desnecessário dizer que, por conta disso, meu humor está pior que o de costume.
Já tinha feito esse teste há muito tempo e eu tenho a mais absoluta certeza de que os resultados não tinham sido tão preocupantes. Se eu já não fizesse terapia, diria a mim mesmo que eu preciso de sessões intensivas e maciças no divã. Mas sejamos pseudo-otimistas e vamos acreditar que aquele amontoado de reais está resolvendo uma série de coisas e que eu vou-me tornar uma boa pessoa.
"(...) Ando tão à flor da pele, que qualquer beijo de novela me faz chorar (...)"
Zeca Baleiro & Gal Costa - Flor da Pele / Vapor Barato
Pois é - mais uma vez as músicas falando sobre mim. Acabei de assistir a um filme muito triste na MGM (o título em original é It's My Party e achei uma página sobre ele). Conta a história de um arquiteto com AIDS que, ao saber que uma doença oportunista e fatal vai dizimar sua vida em pouquíssimo tempo, decide dar uma festa de despedida. Emocionante, não apenas pela temática queer que ronda o filme, mas pela abordagem sensível sobre a efemeridade da vida, sobre o medo da morte que sempre nos assalta e assim por diante.
Resultado: me debulhei em lágrimas. Péssimo, por ser tão descaradamente cafona? Ou bom, por ser mais uma maneira de dar vazão a sentimentos e, mais, provar que eu não estou tão apático quanto penso? Anyway, já foi.
Repararam alguma coisa nova aqui? Cliquem no "sobre mim" aí ao lado e vejam um perfil tosco sobre a minha pessoa. Notem que eu não domino HTML, então é isso o que deu pra fazer.
A prova foi uma catástrofe. Mesmo munido de lembretes e das respostas pras questões, não adiantou. O filho da puta daquele ser que, infelizmente, tem as raízes no mesmo arquipélago que o da minha família, dividiu a sala em turmas; e, ainda, distribuiu várias provas diferentes. Como a Lei de Murphy é a rainha-regente-absolutista da minha vida, é óbvio que eu me fodi com todas as cores possíveis e peguei a mais difícil. A que não tinha qualquer das perguntas que ele deu em aula; e, pior, pra que o cheat code improvisado não tinha respostas. Merda.
Não sendo isso suficiente, perdi a carteira na afobação pra fazer a prova. Carteira contendo algumas folhas de cheque, RG, CIC e outras quinquilharias fundamentais a qualquer cidadão. Fui à sala dos bedéis, fui ao guichê dos (sic) seguranças, fui ao Centro Acadêmico. E nada. Espero que eu ache, ao menos, os documentos. Merda II.
E estou deprimidíssimo, por razões mais-que divulgadas por aqui. Não tenho tesão por absolutamente nada do que eu faço; sinto-me insatisfeito e impulsionado pela simples inércia desde o primeiro milissegundo em que abro os meus olhos até o último instante antes de capotar na cama. Passo o dia todo "estudando" coisas que eu detesto, aturando um lifestyle que me sufoca e que me anula. Agora que the party is over, eu deparei com a grandessíssima porcaria que é a minha vida, em que não há um único momento de prazer digno de nota. Merda III, IV, ad infinitum...
Minha vida está, simplesmente, uma bosta monumental. Acho que um elefante (adulto) tem defecado por aqui e, como eu sou pequeno (não só na altura, admito!), me afogo no meio desse estrume, sem conseguir divisar qualquer possibilidade de sair disso tudo. Ou, se vislumbro essa hipótese, meu corpo e minha cabeça não se mostram capazes para empreender os esforços necessários.
E já que estamos no ritmo de tocar em assuntos recorrentes e largamente discutidos, o que dizer do fim, lamentável mas esperado, deles? Eu já estou-me virando com esses aqui, mas acho que, em breve, eles também estarão finados. Gone with the wind. Ou, melhor, com as ameaças de processos multimilionários.
Eu só digo uma coisa em relação a essa febre de proteção desmedida a direitos autorais; e, confesso, de antemão, que repito os argumentos da Courtney Love (mesmo não gostando muito dela): o cantor, a cantora, a banda, o artista em geral, ou what the fuckrealmente bons não precisam ter medo desses programas de Internerd. Porque o bom artista sempre vai ter fãs incondicionais, que nunca vão-se contentar com as MP3's baixadas, que nunca vão deixar de lado sua avidez pelo cheiro e pelas cores de um encarte, de uma caixa bonita e diferente.
E é verdade. Por mais que eu tenha mil músicas da Jewel aqui no meu computador, dificilmente eu deixaria de comprar um CD dela. E é isso. O que me deixou triste, com a morte do AudioGalaxy, é que eu perdi todas as remissões a músicas que eu fazia aqui.
Eu sou um outsider e não estou vendo o jogo. Aliás, nem precisa. É só ouvir a hora em que os fogos ficam mais intensos pra perceber que o Brasil fez (mais) um gol.
Sobre a Copa do Mundo. Sendo curto e grosso: não curto. Acho qualquer tipo de exercício físico simplesmente enfadonho (excetuando-se dançar, andar em shoppings e congêneres de futilidade). Mas respeito o gosto alheio; ou melhor, tolero, suporto. Afinal, nem todo mundo é obrigado a gostar de pessoas do mesmo sexo, nem de trance, nem de mil outras coisas que eu considero indispensáveis pra mim. Acontece que eu não fico enfiando as minhas preferências goela abaixo dos que não compactuam com meus gostos pessoais. Em vista disso, acho razoável e civilizado que eu receba o mesmíssimo tratamento. Então, por que essas criaturas cretinas ficam soltando esses fogos barulhentos, atazando a minha tranqüilidade e a dos meus pobres pets? Há algum problema em respeitar um mínimo decente de decibéis? Só queria saber isso.
Faltam 2 provas, uma amanhã (ou melhor, hoje, mais tarde) e outra na quarta-feira (uma substitutiva terrível, de um dos poucos professores decentes, mas que cobra a matéria com maestria!)
Terminei o último trabalho!
E hoje, entreguei o trabalho do carinhosamente apelidado velho de um crédito, já que é essa a assombrosa quantia que a matéria dele nos fornece. Trabalho é força de expressão, porque eu enchi as folhas de jurisprudências antiqüíssimas roubadas daqui, usei espaçamento duplo, fonte tamanho 12 e dei espaço entre os parágrafos. O resultado? Sete páginas! Rá. Bom, mas está terminando. Fui andorinha mais uma vez e já tenho mais ou menos delineadas as respostas pra prova de amanhã. O professor Senhor Miyagui, anão desgraçado que dá uma aula péssima, entrecortada por hmms e pausas nada estratégicas entre as palavras, nos deu as possíveis perguntas. E eu fui perguntar ao meu outro professor, daqui as respostas pras escabrosas questões.
Não estava ontem mesmo dizendo que era só dar uma aliviada pros infortúnios começarem a aparecer, soprando sadicamente sobre qualquer ilusão de estabilidade? E ontem mesmo eu aderi à campanha de morte aos donos de concessionária (que deveria-se estender a donos de seguradora). Coincidências mórbidas.
Hoje, lá estava eu, não tão feliz da vida, indo ao já-quase-falecido cursinho para concursos públicos, passando pelo túnel da Consolação quando eu vejo um carro parado, cercado pela inútil comitiva da CET. Penso comigo mesmo na desgraça do infeliz, em como deve ser terrível passar por uma coisa dessas e blablabla. E eis que, quando eu olho pro meu painel , voilà! Nada, absolutamente nada funcionava naquela porra. Conta-giros, indicador de combustível, velocímetro, tudo zerado, como se o carro (o meu, desta vez) estivesse desligado.
O mais estranho é que a criatura continuava andando. Desliguei o motor, religuei e tudo na mesma. Como bom queer que sou, desesperado e, orgulhosamente, leigo em qualquer assunto de mecânica, liguei desesperadamente pra casa, sem saber o que fazer. Me tranüilizam, dizendo que devia ser algum fusível, nada grave, que era só ligar pra seguradora que eles iam reparar o dano. Bom, parei no estacionamento deles, liguei pra mais um cretino 0800 da vida, e depois de passar alguns minutos ouvindo músicas que não são especialmente as que eu mais adoro, fui informado pela voz do outro lado da linha que, como o carro estava andando, eu não poderia ser assistido pelo "socorro" deles. Claro que eu devia ter dado uma de andorinha e dito que meu carro estava em pane, que estava saindo fumaça pelo painel, que tinha um Gremlin lá dentro querendo-me atacar, mas fui, inédita e estupidamente, sincero.
Em suma, pela minha falta de espírito hiperbólico, passei o dia todo dirigindo sem seta, sem luz de freio e, muito menos, sem o básico e razoável direito de saber a que velocidade eu estava dirigindo. O mais bizarro foi no meio do caminho de lá pra analista, quando o infeliz do automóvel começou a tremer e as luzes do painel começaram a ficar fracas e eu não conseguia abaixar o vidro.
Imediatamente, me lembrei de episódio do Night Visions que eu vi esses dias, em que o carro da personagem principal carregava o espírito da amante suicida do marido. Claro que, no final, a pobre coitada morre. Dentro do carro e morta pela outra, possessa de ciúme. Já pensou que final trágico? Morrer engarrafado no meio da 23 de Maio, sem o mínimo requinte de luxo? Miss Isadora Duncan, ao menos, morreu enrolada numa echarpe, era poderosa e sua morte é célebre até hoje. Same to Grace Kelly.
Eu, no máximo, sairia no Notícias Populares (isso ainda existe?).
I am silver and exact. I have no preconceptions. Whatever I see I swallow immediately Just as it is, unmisted by love or dislike. I am not cruel, just truthful - The eye of a little god, four cournered. Most of the time I meditate on the opposite wall. It is pink, with speckles. I have looked at it so long I think it is a part of my heart. But it flickers. Faces and darkness separate us over and over.
Now I am a lake. A woman bends over me, Searching my reaches for what she really is. Then she turns to those liars, the candles or the moon. I see her back, and reflect it faithfully. She rewards me with tears and an agitation of hands I am important to her. She comes and goes. Each morning it is her face that replaces the darkness. In me she has drowned a young girl, and in me an old woman Rises toward her day after day, like a terrible fish.
Espelho Sylvia Plath
Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos. Tudo o que vejo engulo imediatamente Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão. Não sou cruel, apenas verdadeiro - O olho de um deusinho, de quatro cantos. Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente. Ela é rosa, pontilhada. Já olhei para ela tanto tempo, Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila. Rostos e escuridão nos separam toda hora.
Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim, Buscando na minha superfície o que ela realmente é. Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua. Vejo suas costas, e as reflito fielmente. Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos. Sou importante para ela. Ela vem e vai. A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão. Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha Se ergue em direção a ela dia após dia, como um peixe terrível.
Faltam 2 provas, todas mal distribuídas pelos dias restantes. Fiz a "temida" hoje e entreguei mais um trabalho (copy and pastedeles);
Falta 1 trabalho, ainda versando sobre o empolgante e invoador tema internacional;
E o professor tirânico-nicotinado acabou de ir pro saco, at last! Bom, não vou-me vangloriar nem me aliviar por antecipação, porque eu tenho aquele pensamento de que, a (má) sorte se aproveita de qualquer descanso nosso. Portanto, vigilância constante é meu lema; ou podem entender como neurose incessante mesmo. Mas eu acho que deu. Fui uma andorinha (this is an internal joke), fiz um resuminho no computador em que eu transcrevi literalmente as palavras que o caquético utilizou na sala, coloquei no meio do meu imenso Código Comercial deles, que eu comprei lá trás, no meu primeiro ano (calouro é idiota, gasta fortunas em legislação!). Nem preciso dizer que baixou o Chico Xavier em mim e eu psicografei as folhas. Copiei palavra por palavra dos meus "lembretes" (sejamos eufemísticos, "cola" é uma palavra muito feia) e nem mudei as vírgulas. Fairplay, jogo limpo são noções inexistentes em qualquer faculdade, especialmente nas de direito.
Eu não sou um dos alunos mais prodígios da faculdade, mas há tempos eu não esculhambava assim. Acontece que, na outra prova, só foi bem quem copiou as anotações ipsis literis; quando eu fui pedir a traumática revisão, percebi que aquela alma que vaga num corpo podre me tirou pontos pelo simples fato de eu ter utilizado sinônimos em vez das palavras literais que ele vomitou em (sic) aulas. Uma criatura dessas não merece qualquer tipo de consideração, definitivamente.
Enfim, já foi. O martírio já está-se reduzindo. Obrigado a todos que têm torcido por mim. Se quiserem-me incluir nas suas orações, agradeço; e se, nos seus pedidos celestiais, quiserem acrescentar um plus e gentilmente solicitar pra que eu me dê bem não apenas nas palavras, agradadeço duplamente!
Parte do trabalho já foi feita. O esqueleto disforme dessa merda já está mais ou menos delineado na minha cabeça, isto é, ainda não fiz praticamente porra nenhuma. Mas vamos ficar bem.
Passei o final de semana bonitinho em casa. Mais um fim de semana como todos os últimos cinco ou seis que eu passei bem comportadinho, sem qualquer ingestão de substâncias tóxicas proibidas por lei (as razões de tudo isso não cabem ser discutidas agora). Bom, me livrei dos males da vida noturna, me tornei uma criatura caseira. So what? Eu deveria, de acordo com um cronograma mínimo e mental que eu me impus, já ter preparado um trabalho e ter estudado parte de uma matéria, só que eu simplesmente ainda não fiz absolutamente nada.
Bem, não sejamos tão radicais, nada é exagero. Fazer nada restringe-se a respirar, comer e defecar. Deixar que seu corpo aja meramente por inércia. E não foi bem assim que eu me comportei hoje; ao menos, não formalmente. Primeiro, recebi a visita de mamãe, que me trouxe alguns reais e uma caixa de chocolates maravilhosa. E eu também fiquei um pouco no telefone - ou melhor, fiquei bastante pendurado naquele aparelho, o que prova que eu sou um bom queer que não abre mão de suas sagradas, longas, inúteis e superficiais conversas telefônicas. Também assisti aos episódios pendentes de Family Law pra reforçar a minha convicção de que o mundo jurídico não é pra mim.
Enfim, foi um domingo de coisinhas singelas e ordinárias, mas que não vão evitar que eu seja reprovado na faculdade. Amanhã (ou melhor, ainda hoje, à noite), tenho uma prova de Falimentar. Isso seria mais-que tranqüilo, se não houvesse o trabalho e a outra prova na terça-feira. Não disponho de qualquer tipo de bibliografia decente e muito menos de idéias próprias pra discorrer sobre Perspectivas e limites da integração latino-americana. Ao menos, não o suficiente pra encher cinco laudas no Word.
E, ainda, tem a temida prova de terça-feira. Eu tirei um hediondo quatro na primeira prova daquele professor cretino e sádico que fuma na sala de aula. E o maldito me obrigou a pedir a primeira revisão de nota dos meus quase cinco anos de faculdade e, pior, sem ter aumentado um único milicentésimo da minha nota. Claro que a criatura me recebeu empunhando um de seus horrosos Marlboro Light. Não pude deixar de pensar naquele papo de que as pessoas desajustadas que dispõem de poder (grande ou pequeno) gostam de exercê-lo realizando as atividades mais escatológicas. Tem as cenas míticas que ilustram o pensamento, como o rei insano que recebia os seus súditos enquanto cagava ou, em contornos mais contemporâneos, a do produtor fucking rich de Hollywood que recebe, nu, os aspirantes. No meu caso, eu fui um suplicante recebido por uma figura fantasmagórica, que retira qualquer glamour que possa estar implícito no ato de fumar. Trágico.
Bom, minha vida acadêmica está aí, clamando por medidas urgentes de minha parte e eu respondo a essas exigências como um cruel tirano, indiferente a qualquer apelo, impassível e acendendo meu cigarro. Sou um garoto birrento e mimado.
Resolvi colocar um sistema de comments. Já aviso de antemão que sou um pouco avesso a opiniões contrárias e / ou grosseiras. Tenho de, em nome dos ideiais democráticos e contra a minha vontade, aturar muitas idéias estúpidas na vida cotidiana. Mas não pretendo que essa tolerância se estenda a este espaço. Mensagens odiosas serão sumariamente cortadas. Como vocês poderão ver, eu sou tirânico neste meu reino!
Depois de publicar SYLVIA PLATH e CLARICE LISPECTOR (elas merecem letras garrafais e todas as reverências possíveis), eu me envergonho de escrever um único bilhetinho.
"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".
But I would rather be horizontal. I am not a tree with my root in the soil Sucking up minerals and motherly love So that each March I may gleam into leaf, Nor am I the beauty of a garden bed Attracting my share of Ahs and spectacularly painted, Unknowing I must soon unpetal. Compared with me, a tree is immortal And a flower-head not tall, but more startling, And I want the one's longevity and the other's daring.
Tonight, in the infinitesimal light of the stars, The trees and the flowers have been strewing their cool odors. I walk among them, but none of them are noticing. Sometimes I think that when I am sleeping I must most perfectly resemble them-- Thoughts gone dim. It is more natural to me, lying down. Then the sky and I are in open conversation, And I shall be useful when I lie down finally: Then the trees may touch me for once, and the flowers have time for me.
Eu já falei que eu passo horas neste computador, não falei? Parte desse amontoado de horas gastas aqui na web é dedicada, naturalmente, à leitura de blogs. Pois bem, em estilo coluna social, Caras e afins, no espírito da extinta Jackie Miller, enumero algumas coisinhas legais e engraçadas que eu li recentemente nos blogs de sempre:
Dentre as poucas coisas boas que existem em ficar trancafiado em casa, longe das luzes e das batidas das pistas, é a economia financeira que isso representa. Agora, por exemplo, eu consigo usar meus isqueiros até o finalzinho. Antes, eles eram abduzidos na boate assim que eram comprados.
You do the nice thing MOST of the time - even though sometimes you'd like to be a bit more selfish. Your friends know they can rely on you but you can be a little fickle so they don't always confide in you as much as they might want to.
O mais legal deste teste aí é que foram usadas diversas fotos da diva Ayumi Hamasaki.
Não conhece Ayu? Bom, além de linda, ela é, sem favor algum, um grande nome no Japão, que lança moda, tendências e comportamento. Suas músicas, no original, são horrorosas, bem estilo teenager japonesa pudica e irritante. Mas o que realmente importa são os váriosdubs que foram feitos a partir das músicas da moçoila, um melhor do que o outro.
Cansado de sentir que está num constante Halloween, de tantos monstrengos que lhe aparecem todos os dias? De suas tentativas de busca por um namorado ou mesmo por uma transinha inconseqüente redundarem em resultados medonhos? De só dar de cara com despachos de macumba no Cocada Preta e em outros sites do gênero?
Pois vá aqui e garanto que, ao menos desses problemas, você não vai poder reclamar! Só fotos lindas, de gatinhos e de gatinhas maravilhosos! Textual e literalmente falando!
Eu queria parar de ouvir essa maldita Honestly OK da Dido (a letra foi anteriormente publicada aqui) e todas as outras músicas de fossa que coalham o meu HD. Eu também queria parar de ler Clarice Lispector, de escolher deliberadamente os poemas mais tristes dos poetas em teoria mais alegres. Eu queria mais ainda que o modus operandi da minha cabeça desse uma reviravolta, e que minha mente se deixasse inundar por pensamentos coloridos e bonitos, que embora sabidamente falsos, são reconfortantes.
Mas eu não consigo; juro que tento, mas, quando me dou conta, lá estou eu, chafurdado em pensamentos devastadores e em atitudes autodestrutivas, revalidando meu contrato improrrogável com a infelicidade. Ou, na verdade, somos todos assim, infelizes por natureza? Afinal de contas, estamos, diiuturna e exaustivamente, nos pondo em situações de risco não é mesmo? Fumamos, nos apaixonamos, dirigimos imprudentemente, bebemos, guardamos rancores, rilhamos os dentes e fazemos muitas outras coisas prazerosas, sabendo que todas elas vão inexoravelmente trucidar nossos corpos e almas.
Faltam 5 provas, todas mal distribuídas pelos dias restantes. Já fiz uma das duas de hoje;
Faltam 4 trabalhos, todos versando sobre o empolgante e invoador tema internacional;
E falta um pouco menos para que a minha já pouca paciência se esgote de uma vez. Dormi só duas horas à noite e só vou dormir mais duas, agora, pra estudar pra (mais) uma prova. Antes, eu tenho de pedir revisão de uma nota. Sabe aqueles dias que você quer que acabem logo? Pois é... Preciso explicar?
É, eu sei que é amanhã. Mas, amanhã, é bem capaz que eu não possa falar disso, porque eu realmente estou atolado em pretensas avaliações, que acabam por testar ou a minha capacidade de memorizar dados inúteis, ou a minha capacidade de asslicker ou, pior, a minha sorte. Provas que medem todas as variáveis possíveis de um ser humano, menos a mais óbvia: o conhecimento. Aliás, eu nem deveria estar aqui, mas sentado à escrivaninha com o focinho enterrado em cópias xerocadas de anotações e de textos alheios.
Enfim, não é disso que eu quero falar. Quero falar desse odioso Dia dos Namorados, que é mais detestável ainda pra quem se encontra, como eu, em estado infinamente prorrogável de solteirice. Bem, não vou ser, e nem pretendo, original. Dia dos Namorados é como qualquer outro "feriado" comercial, inventado justamente para alavancar as vendas de toda a sorte de produtos, num mês em que o comércio está tipicamente desaquecido. Reparem na conveniência temporal do diazinho em questão: estrategicamente posicionado no mês de junho, no meio do ano, preenchendo uma lacuna entre o Dia das Mães, em maio, e o Dia dos Pais, em agosto.
Bem, nessa ciranda de débitos e créditos, ficam quase todos satisfeitos: o consumo, que é alimentado; os bolsos dos comerciantes, que ficam cheios; e, last but not least, a insatisfação humana, que é temporariamente apaziguada pelo pensamento ilusório de que a vida não é uma merda tão grande assim quando se tem "alguém". E é aí nesse raciocínio que reside a maior merda enganadora de todas: o "estar com alguém" como condição imprescindível pra felicidade em sua plenitude. E, em sentido pior e contrário, o "estar sozinho" nunca como uma escolha pessoal, mas como um caminho único e que veio de todos os lugares, menos da vontade própria.
E é em dias como esse que nos sentimos os últimos dos seres por não termos namorado. São dias como esse que nos relembram gentilmente que a sociedade, e principalmente nós mesmos, nos acusam de inépcia por estarmos sozinhos. E são dias como esse que nos fazem sentir como criancinhas, que ficam a babar por trás da fechadura, excluídas da grande festa da vida a dois, mesmo sabendo que essa festa na verdade é muito mais um inferno do que um paraíso. Nessas horas, de nada adiantam pensamentos libertários solidamente construídos por conhecimento e por absorção de toda a casta de literatura e de experiências alheias e próprias. De nada serve a crença, ávida e desesperadamente internalizada, de que a bachelor's life não é tão ruim assim como dizem, muitíssimo pelo contrário!
Afinal de contas, nem tudo, na vida a um, resume-se ao tédio do corn flakes no café da manhã. Por trás da solidão e do vazio que se alegam por trás da solteirice, existe, entre outras coisas, o precioso bem da liberdade, meu Deus! A liberdade individual de não ter sua identidade atrelada à condição de esposa, marido, namorado, amante ou o que seja de fulano. A liberdade de não submeter qualquer mínimo ato seu ao crivo de mais uma criatura, como se já não bastasse a vigilância constante e impiedosa sob a qual, por natureza, já vivemos. E, crianças, é sabido que qualquer relacionamento acaba descamabando pra essa gradativa anulação de personalidade.
É, eu sei de tudo isso - eu me forcei a aprender assim. E, honestamente, continuo achando que é esse o modo mais acertado e sincero de tocar a vida. Porque condicionar a sua razão de viver a outro é uma grandessíssima sacanagem consigo mesmo, é mais um modo de delegar mais uma rédea da sua vida a outro e de, portanto, diminuir seu o domínio sobre ela. Viver em single status é bom e é melhor, sim, é o que a minha razão apita todas as horas nos meus ouvidos. Só que, de vez em quando, ah de vez em quando, eu simplesmente deleto tudo isso da minha cabeça. E me vejo desejando coisas absurdamente piegas e de mau gosto.
Odeio o Dia dos Namorados. Ele é nocivo às minhas crenças pessoais.
Eram três os grandes ideários arcadistas, todos pregando a simplicidade e o pragmatismo nos discursos. Alguém pode-me lembrar do terceiro, por favor? Ela já ficou lá pra trás. E, como eu já disse, às vezes a minha memória consegue a proeza de ser seletiva, acabando por deletar as coisas que lhe forem muito traumáticas.
Bom, foi pensando em todo esse objetivo de limpidez que eu tomei uma decisão: de agora em diante, só vou escrever posts curtos. Chega de parágrafos longos, adeus aos pontos-e-vírgulas e outros penduricalhos.
É estranho e não muito agradável você perceber que a liberdade a cada dia se torna mais e mais inexistente. Não basta a própria prisão que a minha mente impõe a mim mesmo, reprimindo qualquer tentativa mais ousada de sair da minha concha. Eu, agora, tampouco disponho do meu fundamentalíssimo direito de ir e vir, sem possibilidade de impetração de habeas corpus.
Corpo e mente finalmente em indesejada sintonia, vivendo no mesmíssimo estado de estagnação.
Sinto-lhes informar que, por um tempo, os posts desta página vão rarear ainda mais. O motivo é simples, inevitável e alheio à minha vontade: estou em época de provas. Esse inferno vai perdurar até o dia 28 de junho, com alguns pequenos intervalos.
Torçam por mim, qualquer tipo de ajuda será muitíssimo bem vinda. Novenas, promessas a santos (canonizados ou não), incensos, velas, correntes, mensagens de apoio para mim e tudo mais que a criatividade e a benevolência de vocês permitirem! Só não valem oferendas em encruzilhadas, galinhas mortas, velas pretas e vermelhas, pombas-giras e exus, porque eu tenho medo dessas coisas.
Infrutíferas tentativas de injetar ânimo, diretamente de mim pra mim mesmo: "Temos provas esta semana, e na outra, e na outra." "Mas vamos ficar bem. Seremos devidamente recompensados pelas férias." "As férias provavelmente serão tediosas, mas, ao menos, vamos descansar. E vamos ficar bem, não vamos?".
É assim que eu falo, mentalmente, comigo mesmo, quando estou no tênue limiar entre a sanidade e a loucura. É assim que eu falo comigo mesmo quando estou atrasado, quando os cigarros acabaram, quando estou-me sentindo sozinho, ou quando um pensamento muito sincero toma conta de mim. É como eu retruco, sozinho e em vão, às situações de merda que teimam em acontecer comigo.
Igualzinho àquelas enfermeiras remelentas e eficientes que insistem em tentar fazer qualquer tarefa ingrata parecer menos penosa. A manhã está cinza, você está entrevado numa cama e lá vem ela, profissionalmente sorridente, dizendo "agora nós vamos tomar o seu café da manhã.". Rá. Como se o emprego do plural fosse capaz de amenizar esse martírio. Aliás, é esse o intuito do meu joguinho mental. É, eu admito que é uma atividade bem irritante. Eu gosto de me irritar. Sou um discípulo de Masoch, com grandes possibilidades de superar o mestre. Me flagelo mesmo quando tento-me impôr a calma e o sossego.
E tá faltando falar da última sessão de terapia, não é?! Ainda não falei das conclusões altamente reveladoras que eu extraí daqueles minutinhos preciosos. Literalmente preciosos - algo em torno de R$2,5 por sessenta segundinhos, é o que a minha rústica matemática permite calcular. Pois bem. Eu realmente saio de lá me sentindo conhecedor dos mais profundos segredos da minha vida e com a sensação plena e inequívoca de que eu vivenciei altas epifanias. E isso é sério.
Só que, com o passar dos dias, todo aquela bola cheia de eureka vai-se esvaindo e dando lugar a um minguado átomo de insatisfação. E, nessas horas, eu tenho de dar razão a um pensamento maldosinho que eu ouvi aí em qualquer lugar. Análise é como comida japonesa - é um banquete de sentidos que satifaz a fome, mas o seu estômago já está roncando na hora seguinte.
Não, eu não posso pensar assim, porque assim eu estaria atestando o quão pródigo eu sou. Vamos atribuir tamanho ceticismo ao sono e ao cansaço. Como sempre, é mais fácil.
Não, não tem nada a ver com converter messalinas ao cristianismo, nem com impedir que arrivistas engravidem do primeiro pop star que lhes apareça. Não, não, nada desse gênero!
Positivamente, a minha idéia de um domingo minimamente humano não passa nem perto de....:
*** levantar mais cedo do que o que o seu corpo e a sua preguiça pedem, só pra fazer uma prova;
*** me sentir uma mula de carga arrastando um punhado de livros e de códigos;
*** passar nervoso porque o seu pai erra o caminho e correr o risco de os portões fecharem e você, portanto, perder o seu diploma;
*** me sentir de volta ao jardim de infância e ter de pedir permissão pra "tia" me deixar fumar e ir fazer pipi;
*** ver que cinco anos de inferno desembocam num teste de paciência, consistente em ficar folheando livros e legislações à cata de respostas;
*** passar quatro horas constatando tudo isso.
É, teve PROVÃO hoje. Mais uma forma de minar meu já escasso humor. Mais um meio ridiculamente trapalhão que não alcança o fim que se pretende: em vez de filtrar as faculdades de quinta linha que pipocam por aí, acabam justamente por fazer o contrário. Essas instituiçõezinhas de merda fazem cobras e lagartos para que seus alunos ganhem bolsas do CNPQ. E, o pior, de fato o conseguem.
COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE IR PARA A FACULDADE
1- Não importa quão tarde é a sua primeira aula, você vai dormir durante ela. Verdade! A menos que você já esteja no último ano, tendo mudado de período e perdido a coleguinha CDF que antes assinava as listas de presença e anotava as aulas pra você!
2- Você vai mudar completamente e nem notar.
3- Você pode amar um monte de gente de um monte de modos diferentes.
4- Alunos de faculdade também jogam aviões de papel na aula. E escrevem em portas de banheiro!
5- Se você assistir aula calçado todo mundo vai te perguntar porque você foi tão chique. Ou, se você for de tênis e moletom, vão olhar pra sua cara como se você fosse como um pária degenerado da sociedade, abjetamente improdutivo por não ter-se rendido ao "sistema".
6- Cada relógio no prédio mostra um horário diferente.
7- Se você era inteligente no colegial... azar o seu.
8- Não importa tudo o que você prometeu quando passou no vestibular: você vai nas festas mesmo que sejam na noite antes da prova final.
9- Você pode saber toda a matéria se ferrar numa prova.
10- Você pode não saber nada da matéria e tirar 10.
11- Sua casa é um ótimo lugar para se visitar.
12- A maior parte da sua educação é adquirida fora das aulas.
13- Amizade é mais que ficar bêbados juntos.
14- Você vai se tornar uma daquelas pessoas com as quais seus pais falaram para você nunca se meter.
15- Domingo é uma ilusão coletiva do mundo.
16- Psicologia é na verdade Biologia.
17- Biologia é na verdade Química. Química é na verdade Física. Física é Matemática.
18- É possível estar sozinho mesmo quando está cercado dos seus melhores amigos. Isso, já se aprende antes, "baby"!
19- A única coisa que compensa o inferno da faculdade são os amigos que você vai ter lá... E o que a reforça como o próprio inferno são as inimizades eternas que você vai carregar de lá.
Diretamente copiado e colado daqui. Os comentários rabugentos, como sempre, ficam por minha conta!
Tenho uma grande amiga de infância. Ela estudou comigo no primário na já mencionada escolinha de freiras que me deu as primeiras lições sobre hipocrisia religiosa. Ela mora do lado de casa, eu tenho todos os telefones em que eu posso encontrá-la (casa, casa2, celular, trabalho). Ela trabalha colada ao lugar onde eu estudo. E sabem como eu fico sabendo a quantas anda a vida dela e vice-versa? Pois é. Pelos nossos blogs.
É, a vida moderna é estranha. Não, acho que sou eu mesmo o esquisito. Esquisito e nerd. Acho que eu preciso sair deste computador já e get a life.
Saindo desta rápida incursão ao passado, retomemos o presente. Como eu já contei, eu tinha de tirar as tais fotos hoje. E tinha de fazê-lo devidamente paramentado pelo conhecido uniforme para ocasiões solenes: terno, gravata e sapato social. Pensei em deixar aflorar o meu espírito outsider e ir de moletom, jeans e tênis. Mas, além da minha natureza burguesa e da consideração pelos amigos, um lembrete educado me impediu de fazer isso. "Os alunos que não estiverem adequadamente trajados serão terminantemente proibidos de tirar as fotos.". Acho que eles não chegaram a tal requinte de linguagem, mas a mensagem, em essência era essa.
Preciso fazer algumas considerações sobre essa fantasia-de-gente-séria. Primeiro, o terno. Hello! Alguém já se deu conta de que vivemos nos trópicos, num país bem pertinho da linha do Equador? Como já quase não se faz frio nesta terra, esse par paletó forrado + calça de tecido pesado formam uma verdadeira sauna em forma de tecido. E subverte a nossa natureza: afinal, em teoria, nossa temperatura corpórea não é a mesma da externa, não é mesmo? Acho que não são necessários muitos neurônios e explicações para perceber que não tem muito sentido você sair vestido assim por aí.
Agora, a gravata. Mulheres, vocês que vivem reclamando do martírio dos saltos altos, saibam que a indumentária masculina tem a sua forma equivalente de suplício. Tenho raiva de quem inventou esse acessório e tenho mais ódio ainda de quem convencionou que você só pode ser considerado decente e aceitável quando portar aquilo ao redor do pescoço. Este incômodo materializado numa faixa de pano aperta tanto a garganta que deveria ser considerada uma arma imprópria, apta a provocar asfixia. Além disso, a maldita tira qualquer mobilidade natural e é muito propensa a se sujar com pasta de dente ou com qualquer outro dejeto que se gruda na pia.
E o sapato, ah, o sapato! Percebam como o verniz de um calçado é inversamente proporcional a seu conforto; quanto mais reluzente e mais impecável, mais dores ele vai-lhe causar. Talvez devessem fazer uma tese a esse respeito. Não sei onde eu li que os saltos altos foram uma invenção engenhosa dos alemães pra destruir a raça francesa. Não duvido, acho que a teoria pode-se estender aos sapatos masculinos "classudos" e "másculos"! Argh, a possibilidade de ter de me vestir assim todos os dias é mais um fator que me levam a crer que não, eu não nasci para advogar, nem para viver trancado numa salinha tendo de resolver conflitos alheios.
Bom, não bastasse isso tudo, hoje é dia de feira na minha rua. Todas as quintas, eu convivo com mil barracas obstruindo a minha entrada e jogando toda a sua imundície na calçada: são cascas de frutas, escamas de peixe, restos de verdura e outras coisas que eu me dou por feliz por não conseguir identificar. Todas as quintas, eu tenho de deparar com essa grotesca reconstituição dos tempos medievais. E, nesta quinta-feira, eu tive de agüentar tudo isso com a minha roupa de advogado. Com meus pés se contorcendo, eu tive de ficar perambulando feito um pamonha pra achar algum táxi, porque, aos primeiros passos, percebi que andar do metrô até a faculdade não era algo inteligente a se fazer, a não ser que eu ainda pretendesse usar as minhas pernas.
Bom, deixando as ranhetices de lado e invocando todo meu espírito classe-média-ordeira-vamos-fazer-tudo-certo, é imprescindível ter esses recuerdos pra posteridade. Meus ossos estão esmigalhados, estou suado e nojento, mas, ao menos, "saí bem na foto". E daqui a alguns anos, com certeza, eu vou olhar pra essas fotos com muita ternura e saudosismo.
Só que, agora, não posso deixar de pensar em como nós humanos, podemos-nos considerar racionais: nossos conceitos de beleza estão irremediavelmente atrelados ao sofrimento. Você tem de ser magro, e, para isso, tem de se submeter a regimes humilhantes; você tem de ter pernas torneadas, tórax definido, ombros largos e, para isso, tem de passar horas se torturando entre ferros pesados e se alimentando feito um herbívoro; ainda, você tem de ser elegante e, para isso, você tem de se espremer em roupas desconfortáveis. Sim, nós somos muito inteligentes.
Sim, como vocês já viram aí ao lado, eu leio vários blogs. E um deles é O Caminho Dourado de Dorothy. E ele acabou de publicar o meu tosco fansign! Como este micro é muito mal servido de softwares, eu só disponho, para fins de "editoração gráfica", dos avançadíssimos Imaging e Painting. É, aqueles que vêm com o pacote do Windows, completamente primatas.
Bom, eu acabei encontrando a página dele por engano, já há alguns meses. E, logo nas primeiras linhas, ao dar de frente com o inconfundível estilo cáustico, engraçado, surtado, eu percebi que eu já o conhecia há muito tempo. Quem conhece o Djoh e lê o blog dele logo o imagina falando todas aquelas ao vivo, do seu jeito peculiar.
Nos conhecemos, efetiva e pessoalmente, no início de 99, quando nós ainda éramos viciados em mIRC e quando saíamos todos juntos em "caravana do canal" pras jurássicas Mad Queen e Disco Fever e quando, em nossa inocência de novatos, achávamos toda aquela merda ótima. Graças a Deus, com o tempo, você aprende que até pras drogas você precisa ter um critério. Mas esse é outro assunto.
Fato é que sempre nos apontavam como irmãos, devido à nossa semelhança física, com a diferença que ele foi mais afortunado do que eu e não herdou os genes de estatura de anão, típicos dos orientais. E tivemos muita coisa de irmãos, mesmo. Compartilhamos juntos momentos de descobertas iniciais, trilhamos juntos os primeiros passos do caminho nem tão dourado que leva à vida adulta. Épocas memoráveis em que nós ainda ficávamos mais-que alegres com uma simples dose da imbatível vodka-coca. Em que saíamos, de pilequinho (tá, muitas vezes mal conseguindo-nos equilibrar), "entrevistando" as pessoas na boate. Em que voltávamos no metrô dando escândalo. Em que demos os nossos primeiros choros por paixonites inconseqüentes e inconsistentes.
E o tempo gradualmente foi-nos separando. Não por ressentimentos, picuinhas e afins que, costumeira e infelizmente, põem termo às amizades. Mas porque cada um de nós foi intuitivamente prosseguindo com o andar de suas respectivas carruagens, construindo nossas identidades. Permaneceu o gostar, a consideração e aquela cumplicidade dos early years. E, vejam como são as coisas. Foi justamentea Internerd, desta vez com os blogs, que fez com que eu voltasse a trocar e-mails com ele. Coisas da vida moderna.
O que mais me surpreende e deprime é ver que tanto tempo passou tão rápido e tão devagar. E que eu acho que estou ficando velho. Aos 22 anos de idade.
Como um bom amigo, sagaz observador, me apontou, há um erro de data aqui na página. É, querido, agora você me acompanha por aqui, também! E obrigado por tudo mesmo, viu? Bom, eu disse que o ocorrido infeliz na minha vida aconteceu no dia 4 de abril, mas, na verdade, foi no dia 4 de MAIO.
Pronto. Este "mais" um dia terminou. Nossa, como eu estou amargo, deprimido, agressivo, repetitivo, não é mesmo? Isso cansa vocês? Sem ofensas pessoais, meu retumbante cu pra isso. Já cansei de dizer que este é meu espaço, em que eu posso dizer o que eu quiser, com a freqüência que bem me aprouver e do jeito que eu bem entender. That's it.. Percebam a tônica nos pronomes: "eu", "meu", "me". Só faltou "mim" e "comigo". É narcisismo puro mesmo. Claro que, subsidiariamente, se o que eu escrevo vier a agradar a alguns, isso é ótimo, agradeço poder exercer algum papel na vida de vocês, seja como mero passatempo, seja como um arremedo de alter-ego, whatever. Mas caso isso não ocorra, reitero, sem meias palavras: my ass!
Enfim, o dia terminou, e a análise semanal também terminou. E oh, ela acabou sendo produtiva: desencavei alguns traumas de infância e acabei fazendo a óbvia e inevitável ligação freudiana desses dramas passados com o meu status neurótico de sempre. Acho que, contrariando às minhas expectativas negativas anteriores, eu acabei fazendo algumas descobertas. Claro que os elementos são sempre os mesmos, ou seja, a minha voracidade oral, os meus problemas com mamãe, etc, etc, etc, mas eu os consegui relacionar de uma forma nova hoje.
Mas agora eu estou quebrado, levanto cedo amanhã e terei de tirar as fotos. E destrinchar tudo isso exige um esforço que eu não estou disposto a fazer. Então, boa noite.
Mais um dia. MAIS UM. Hoje tem terapia. Se eu for agraciado com alguma nova idéia brilhante, eu conto. Notem a condicional "se". Porque, às vezes, parece que estou simplesmente fazendo uma releitura dos mesmos dramas e repetindo as mesmas constatações para resolvê-los. Vamos ver.
1) Ligar pra empresa de formatura. Eu ainda não paguei o valor remanescente, e os preparativos pra essa grande pagação de mico já começaram. Quinta-feira já vão tirar as fotos em grupo que vão ser impressas nos convites (não disse que isso tudo é um grande processo vexatório?). Então, se eu não pagar isso logo, eu nem vou sair na foto e minha família vai ter uma síncope se isso acontecer. E chega, eu não posso mais me sentir culpado por causar dissabores ao meu clã, não é mesmo?
2) Comprar livros. É, as provas começam semana que vem e eu preciso abastecer a prateleira menos querida e freqüentada da minha estante (a de obras jurídicas, naturalmente!). Vários reais pra encher a barriga de dono de editora, porque os autores das obras, meus diletos professores, recebem pouquíssima parte dos lucros.
3) Comprar livros (II). Tem Provão no domingo e, como eu fui um aluno bem abaixo do desejado durante todos os anos, vou precisar de uns resumos milagrosos e bem sintéticos pra isso. Senão, vou fazer feio e manchar a reputação ilibada da secular instituição em que estudo. Se bem que, on second thought, isso seria bem interessante.
Oh, a lista terminou! Bom, claro que essas são as tarefas fáceis de ser cumpridas. Tem muitas outras, mas essas merecem outro post.
Não, não tive um dia muito bom. Que novidade. Estou cansado. Dormi pouco. Gozei pouco. Ou melhor, não gozei. Passei todas as horas do meu dia fazendo coisas que eu detesto, em lugares que eu abomino, rodeado por pessoas que eu desprezo. A auto-estima que um dia brilhava com uma chama fraquinha já levou um sopro derradeiro da vida. É, em palavras mais simples, o amor próprio está reduzido a zero. Acabou. C'est fini. Le roi est mort.
Saudade de dias mais felizes. Em que eu sorria com espontaneidade, em que eu gargalhava. Hoje, eu na maioria das vezes sorrio, um risinho amarelo acompanhado de um leve arquear de sobrancelhas e alimentado por ironias e sarcamos. Será que esses dias mais gratos realmente existiram ou é apenas a minha mente produzindo ilusões, maquiando o passado pra que, assim, eu me sinta menos miserável? Olhar pro agora é insuportável; pro depois, desanimador; me resta o antes, a nostalgia. Ainda que ela seja tão indecente e escandalosamente falsa como uma nota de dois reais.
Não, sem insights (ou lampejos, em homenagem ao vernáculo). Não. Não hoje. Obrigado pela atenção, senhoras e senhores.
E, sim, eu tenho de ir pra aula agora e não estou afim. Vamos ser otimistas e pensar que tamanha desmotivação se deve às poucas horas dormidas e ao fato de que estamos na indigesta segunda-feira. Fica mais fácil.
Quem nunca está a reclamar das obrigações do dia a dia, por ter de acordar cedo, de dormir tarde, de fazer hora extra e blablabla? Queixar-se é verbo de conjugação e de prática onipresentes na vida de todos, não é mesmo?! Esses constantes resmungos, que são parte integrante de nossas rotinas e que aparentemente revelam nada além da óbvia rabugice escondem, na verdade, duas situações totalmente díspares em sua essência.
Você pode suportar os seus dias pautando-se na esperança de que outros melhores virão, acreditando que essas concessões cotidianas são sacrifícios feitos em prol de um bem futuro e maior. Só que você também pode suportar os seus dias pela mera falta de perspectivas ou, pior, você até vislumbra uma chance de vida libertária, mas a sua covardia e o seu comodismo e o seu medo não permitem que você dê uma decente virada no jogo.
E é triste, muito triste, perceber que é o seu medo de voar que lhe aprisiona numa rotina insípida, inodora, e incolor; uma rotina quase como a água, não fosse a sua falta de limpidez e de transparência.
Mas, claro, a culpa também é minha. Aliás, é muito minha. Afinal, eu sou o orgulho, tem um instintozinho enganador que assovia, baixinho e a todo instante, a minha falsa bandeira de auto-suficiência. E também me murmura falácias, me propõe barganhas indecorosas, o insolente! "Não, quando você tiver um carro novo, a sua vida vai mudar", "este creme vai tirar o amargor dos anos", "este perfume vai-lhe trazer o frescor que a sua alma não tem mais", "é só passar no concurso que os seus problemas vão estar resolvidos, você vai ver".
Não, isso tudo é mentira. E lá vem a repressora consciência silenciar tamanho besteirol. É, porque eu sei que isso tudo é uma grandessíssima inverdade. "Ah, que besteira, 'nenhum homem é uma ilha', você não se resolve sozinho!" "Há algo de errado em tentar encontrar a sua felicidade no focinho alheio; pior ainda é condicioná-la a um fato futuro ou à aquisição de um objeto! Isso é uma puta sacanagem e falta de sinceridade consigo mesmo!" Mas é claro, isso é óbvio, é evidente, é gritante, é ululante! Afinal, eu já sou "grandinho", já presenciei um razoável número experiências alheias e tive as minhas próprias, já li bastante, também, né? Essa lição já me é ensinada há tempos. Mas, na prática, eu não aprendo, talvez eu nunca aprenda, talvez esse desafio seja mais um dos fardos impostos a todos nós, humanos, desde que fomos expulsos do Éden. É, eu estou ciente que estamos todos sujeitos a nos curvar a um monte de objetivos cômodos, para não empreendermos buscas mais perigosas. É mais fácil pensar que o ingresso na faculdade vai pôr termo à sua insatisfação do que ter de estourar os miolos e tudo o mais se enveredando por caminhos menos nítidos para que você não se sinta tão miserável.
Só que aquela vozinha sub-reptícia, que se insinua no começo e que a nossa racionalidade desesperadamente tenta ignorar, não é totalmente abafada. Restinhos dela persistem ecoando, nos levando a prosseguir cometendo as mesmas bobajadas, mantendo a incômoda sensação de incompletude, e a nos perguntarmos onde erramos. Ah, como se não soubéssemos! E pronto, mesmo sabendo de quão errado é isso, estamos lá, perseguindo a nossa felicidade em carros, em diplomas, em namorados, em amigos, em todos os lugares. Menos em nós mesmos.
Escrituração de pensamentos internos dirigidos a uma imensidão de seres...
Caso não tenha percebido, eu estou aqui. Eu. Não um mero espectador da sua vida, não um simples ouvinte das suas lamúrias, não um constante conselheiro das suas desgraças pessoais. EU ESTOU AQUI, PORRA!
Tenho sido alvo de uma maciça campanha antitabagista aqui em casa. Hoje mesmo, já contabilizei uma série de comentários, desde os mais sutis até os mais grosseiramente indiretos, para deixar as minhas baforadas de lado. O Fantástico vai exibir mais uma reveladora e criativa reportagem sobre os males do fumo. Pronto, foi só aparecer a chamada da reportagem que eu já recebi, na sala, os irritantes cutucões virtuais - é, daqueles que não são dados com o cotovelo, mas cuja força tem muito mais peso. E, ainda hoje, mais cedo, outra tentativa para me convencer de parar de fumar: a minha tia retirou do meu quarto, sem aviso prévio, a minha lixeira, habitual depositária de cinzas e tocos.
Crianças, já é fato mais-que sabido e repisado que o cigarro faz muito mal. Eu mesmo, após três anos, sinto muito dos seus efeitos "colaterais". E devo admitir que nem sei mais se eu sou fumo porque eu sou uma pessoa nervosa ou o cigarro quem me tornou mais neurótico. Ocorre que eu só vou parar quando eu bem entender, ou quando eu receber um ultimatum médico nesse sentido - e olhe lá!
O mais irritante é que, junto com essas insistentes "sugestões" para abandonar o vício, vem aquela falsa idéia de que parar de fumar é fácil. Ah, sim, é muito fácil. Gosto daquela tirada: "Parar de fumar é fácil. Tanto que eu já fiz isso inúmeras vezes.". E estamos conversados.
You're PRIDE! You like yourself, and you aren't afraid to show it. You don't like to admit when you're wrong, and you think you're better than most. You're represented by the color violet.
Fico disperso, a minha concentração vai-se esvaindo, as mãos ficam levemente trêmulas e a ansiedade vai-se fazendo presente... É, acabaram os cigarros.
E já que estamos falando de datas e fazendo balanços por conta delas, acabei de me dar conta que, daqui a pouquinho, vai fazer um mês que eu estou vivendo na minha reclusão forçada. É, tenho vivido apartado de muito do que já foi parte mais-que integrante da minha vida antes. E aproveito o ensejo do que que eu deixei escapar anteriormente e abro mais uma frestinha da minha intimidade: uma abertura que eu venho insistentemente postergando, ou melhor, uma abertura que só aos poucos eu vou conseguindo fazer maior. Porque é só aos poucos que aquele quadro caótico inicial em que o desespero embaralhava toda a sorte de sentimentos numa mistura confusa vai-se cristalizando e tomando forma. É bem devagarinho que a visão que começa turva vai-se tornando capaz de divisar as coisas com maior apuro. E é muito lentamente que as palavras vão escorrendo, formando frases e idéias.
Devido a um fato inesperado e bem desagradável, que eu já cansei de tentar descobrir se aconteceu graças a uma imprudência minha ou a uma providência divina e misteriosa, a minha vida mudou bastante. Há quase um mês, mais precisamente na madrugada do dia 4 de abril(MAIO) , eu, literalmente e sem pieguices, quase encontrei a morte. Um ao-que-tudo-indica-falso ecstasy me provocou alucinações tenebrosas, me fez ver portas derretendo, mezzanino se fechando sobre a minha cabeça, pessoas tremeluzindo à minha frente. Essa pílula exagerou no seu propósito de fazer com que eu saísse de mim, extrapolou a sua função psicotrópica e me proporcionou uma experiência indesejada. Não vou detalhar o desenrolar das coisas, porque, por enquanto, essa seria uma forma descabida de remexer nas minhas feridas. Fato é que terminei a fatídica noite na UTI, com um batimento cardíaco altíssimo (algo em torno de 140) e com níveis desregulados de todas as substâncias que puderam ser avaliadas no meu corpo. Passei arrastadíssimas doze horas numa sala em que a luz nunca era apagada, dividindo espaço com pessoas morimbundas, vertendo as primeiras de muitas lágrimas. Isso tudo, resumidamente, Just for a start.
Dispensável dizer a reação compreensivelmente desesperada da minha família. O pânico gerado pela novela mais o modo de vida isolado que eles (my family) levam fizeram com que eu fosse categorizado como a mais nova Mel, em sua versão queer e nipônica. O que entremeeou tudo isso é deprimente e nada original e, de novo, acho que não precisa ser mencionado. Em linhas genéricas, após ter sido levantada a hipótese de internação, terminou-se por decidir, momentaneamente, pela supressão dos meus direitos fundamentais. As medidas tomadas consistiram, basicamente, na tomada do meu carro, na vigilância completa e na mudança do meu pai para esta casa.
E desde então, tem sido substancialmente menor o rol das coisas que recheiam o meu cotidiano de intermináveis aulas. Meu pai me levando e me buscando em todos os lugares, madrugadas livres aqui na web, terapia uma vez por semana. Com o fim da concorrida e lotada agenda noturna de finais de semana, estes demoram pra passar. E sob essa aparente calmaria da minha vida, vigora uma balbúrdia mental. Como se a minha vida fosse uma lagoa serena, debaixo da qual coexistissem diversas formas de vida predatórias entre si. Dilemas, embates...: vivo uma constante conjugação de "sei" e de "não sei". Não sei se sou um viciado que precisa dar as costas a todos os colocóns e abraçar pra sempre o lema deles de "cada dia uma vitória". Sei menos ainda se esse foi apenas um grande azar que eu dei, se eu sou mero recreational user e que, portanto, as drogas seriam apenas um alívio esporádico para as pressões do dia-a-dia. A única coisa de que eu tenho certeza é que o tempo, algum dia, vai-me dar a resposta, ou, pelo menos, parte dela. Sei mais ainda que é fácil dizer isso, mas que esperar é torturante. A paciência, definitivamente, é uma virtude que eu não tenho.
*** Labour Day - Inaugurando o mês, o feriadinho aí foi criado para relembrar um fato aparentemente óbvio àqueles que convenientemente têm a memória prejudicada, ou seja, que a escravidão já terminou há tempos. Condições humanas de trabalho, férias, décimo-terceiro, fundo de garantia e conexos não são regalias, mas condições sine qua non. A lição que, em teoria, deveria ser retirada do lamentável episódio que originou o feriado, acabou não sendo aprendida em absoluto (como se pudesse ser diferente!). Enfim, é mais um dia celebrado pra hipocrisia. E, neste ano, caiu no meio da semana. E foi uma merda pra mim.
*** Geminianos - É neste mês que eles começam a nascer. Chatos e complicados; irritantemente dúbios, chorões e instáveis; exibicionistas por natureza, numa forma diferente dos leoninos, clamam por atenção e são capazes dos piores subterfúgios para alcançar tal fim. A astrologia acabou-me provando que as pessoas encarnam as características do seu signo. Neste caso, as piores. Todos os geminianos que eu conheci, invariavelmente, terminaram por ser rebaixados à minha listinha de desafetos. E sem possibilidade de ascenção do status.
*** Mães - Eu realmente preciso falar alguma coisa sobre isso?
*** Noivas - Só me pergunto: afinal de contas, por que certas pessoas resistem tanto a se juntar a nós, do século XXI? Cerimônias religiosas são uma obrigação maçante, exceto para os noivos, e, olhe lá, para seus pais e para outras pessoas mais próximas. Ah, sim, e para fazer a alegria das solteironas frustradas, indefectivelmente obesas, sempre de lenço em punho pra debulhar suas lágrimas "de emoção".
*** Corpus Christi - Honestamente, nem sei do que se trata. Acho que os anos amargados entre as nada fraternas soeurs fizeram com que certas coisas fossem apagadas da minha memória. Além disso, como deu pra perceber, este meu feriado também está sendo uma bosta. Computador, junkie food e cigarros versus uma infinidade de festas maravilhosas acontecendo na cidade. Um binômio em que eu escolhi a primeira alternativa não necessariamente por vontade própria. Mas aqui já estamos entrando num assunto que eu não quero abordar, por ora. Quem sabe, nunca...
E assim o mês de maio vai embora, tendo tido a proeza de reunir várias das coisas que eu mais abomino. E, hipérboles à parte, tendo conseguido ser um dos piores de toda a minha existência.
Como são as coisas! Durante o dia todo, durante o banho, durante conversas telefônicas, enfim, a todo momento, a minha cabeça é assaltada por rápidos flashes de genialidade, de idéias que podem ser perfeitamente aproveitadas e transplantadas pra esta página. Ocorre que, em todas essas vezes, eu estou longe do computador, ou, pior, totalmente impossibilitado de usar o bichinho. Pois bem. Agora, eu tenho essa tela, este quarto todo para mim, libérrimo para deixar minhas idéias tomarem espaço e até mesmo pra eu fumar! Diante de tamanha disponibilidade e facilidade... Nada! Branco total. Eu até teria algumas coisas bem importantes e escabrosas pra contar, mas, ainda não tenho nem vontade nem preparo espiritual pra isso. E, se bem conheço à ordem das coisas, tenho certeza de que eu vou ter mil idéias quando o feriado passar e eu não puder sentar e escrever. No banho, nas minhas conversas telefônicas. Pfff... Lógica e coerência? Rá. Imagine, a vida desconhece essas palavras.