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Terça-feira, Julho 30, 2002
 
(Nem) meu cu...!

Cu, a despeito da vulgaridade toda que o termo encerra, consta em todos os dicionários, e é uma palavra oxítona. E mais importante: até segunda ordem, não deve ser acentuada, segundo as regras que ainda regem a nossa não mais tão sacrossanta língua.

Quer bancar o ofensivo, vestir a capa de revoltadinho e vir defecar, mijar e vomitar as suas idiotices aqui no meu jardim? Vá em frente. Mas, ao menos aqui, tem de aprender, no mínimo dos mínimos, a escrever. E, ao menos aqui, não permito que essas porcarias enfeiem o meu espaço.

À criatura ignóbil, provavelmente gerada por abiogênese de camisa suja de Avanço, saiba que há um monte de pessoas aí que a-do-ram brincar com IP's alheios. E, sim, eu tenho Norton Antivirus e a sua gracinha foi barrada a tempo.

No seu linguajar abjeto: nem meu CU pra você.





 
Uns têm tanto, outros nada têm...

Não é mais ou menos assim que se diz por aí? Mas eu ainda acredito que exista algum equilíbrio na vida. A pós-graduanda ressurgiu do umbral do seu desconhecimento da língua de Shakespeare e do seu paraíso de espertalhões que conseguem uma vaga naquele recanto não tão paradisíaco, ao contrário do que muitos pensam. Ela veio para mim. A Caroline fofa veio para a minha alguma luz anglofílica e para as minhas trevas de falta de esperteza, que já me renderam algumas "reavaliações".




 
E tem dias em que o espelho é um putinho desgraçado.



 
Embora hoje não seja propriamente mais segunda-feira, é assim para o meu relógio biológico. Nas palavras desmerecedoras da minha irmã, acordei às "dezoito". De novo. Bom, as segundas são mundialmente reconhecidas por promover o tédio e, conseqüente, retração criativa. É, ainda, classicamente, o dia universal da ressaca. Comigo, apesar das minhas excentricidades, não é muito diferente; e, estranhamente, é o dia atribuído ao meu signo. Acho que posso carregar a semente que eternamente não germina dentro de mim. Delírios à parte, hoje não tem o que escrever, mesmo.

Então, vamos aos velhos testes de sempre, que, tais como as letras de música e os poemas, só interessam a mim. E só enchem páginas e saciam parcialmente o vício de (argh) blogar, ou melhor, postar.


*** Misticismo...


*** Política...


*** Mais e mais Madonna, que esse assunto é inesgotável...



I am LIKE A VIRGIN Madonna // find out what Madonna you are here.

By Carly @ x-girl.co.uk

Será que já fiz esse?

*** Cores...


*** Diabólico...


*** Mitologia...



You are a siren.

What legend are you?. Take the Legendary Being Quiz by Paradox

Eu só queria ter sido um centauro...



Segunda-feira, Julho 29, 2002
 
NOSTALGIA...

É estar-se sentindo velho. É isto.




 
Uma nave-mãe...

Este fim de semana sexta-sábado-e-domingo foi a tríade dos dias mornos. O tripé que dá sustento a uma existência tépida. A máquina fotográfica pipocou vários daqueles entontecedores flashes, e respondi a esses estímulos fazendo a cara do bom moço sorridente. Que já não sei se é fictítica, se já existiu em mim algum dia e eu deliberadamente matei, se é apenas o caminho da rendição de um outro caminho inverso que já fiz outro dia. Estou na fase mais-que infantil dos porquês.

Teve aniversário de criança. Criança é irreal e míope da minha parte, porque meu primo já fez quatorze anos. Dois ciclos completos da inteireza que o sete encerra. Com esses meus primos mais novos, entendo melhor aquela máxima de que aos olhos dos pais, os filhos nunca crescem. Ainda fico meio estupefato quando eles soltam palavrões. E mais ainda quando vejo que eles já me superaram em altura, embora isso não seja grande mérito. Dentre outras coisas, igualmente naturais e óbvias, que me fazem concluir o ululante: estou ficando velho. E isso tem sido vivamente elucidado ultimamente, na forma de bolos e de docinhos: eu mesmo fiz anos há poucos; ontem, vi outra amiga, já em vias de matrimônio e contemporânea minha, também apagando velinhas; e, agora, mais essa festinha de hoje. Em breve, outro primo meu, também faz outros quatorze anos. Que coisa.

Então, teve a festa. Num "apertamento" pombal. Num espaço quadriculado de pouco menos de oitenta metros quadrados. Neste cercado exíguo e abafado, em que se percebe mais fielmente a vida familiar. Aquele amor intenso. Cuja força vigorosa é melhor notada quando os corpos estão mais acotovelados, quando há quase nenhum espaço que permita que as pessoas fujam e diluam aquelas teias invisíveis e conectivas, que prendem estes seres uns aos outros mais do que os laços de sangue.

A altura não me trouxe a dita sensação de liberdade; os ventos frios e cortantes não penetraram naquela gaiola sem barras. É. Certas metáforas podem ser não apenas antitéticas, mas oxímoras. Preciso fechar um pouco os livros. Preciso de tantas coisas.




Domingo, Julho 28, 2002
 
É bom possuir...

Eu estou descompassado. Dentro de mim, há um algo que está trabalhando muito rápido; e, na outra ponta, há um outro algo que está num vagar quase parando. Na verdade, acho que o fio condutor que deveria ligar essas duas pontas está queimado. Talvez indelevelmente. Num pensamento mais aterrador, tudo já pode estar inerte. Aí, eu não estaria apenas em desritmo, mas em estado de completa falência. Funcional e emocional. E talvez, de novo, indelevelmente. Talvez, quem sabe, nunca se sabe. Merda monumental da dúvida e da desorientação que nunca me deixa. Usando o velho chavão de sempre, não sei de mais coisa alguma. Estou-me perdendo nesses dias que têm-se passado de uma forma tão pacífica e tão prosaica, não estou conseguindo-me divisar nesse rio caudaloso e sereno de acontecimentos e de fatos.

Tenho adquirido. Trouxe para mim acobertadoras camisas, acondicionantes carteiras, terrenos cinzeiros e outros badulaques concretos e palpáveis. É bom possuir, é bom possuir, é bom possuir. A frase lida há pouco reverbera na minha cabeça; e seria acalentadora, não fosse a perturbação a que ela se pretendia (e conseguiu). Não sei se todo esse bom desempenho de vida está-me jogando na rotina das pequenas e comezinhas alegrias...

É bom possuir. Mas essa bondade dura muito pouco, têm prazo de validade inferior ao da margarina doméstica. Muito inferior. E não se possui de fato; possui-se a ilusão de possuir. Para que essa ilusão não se desmonte, criam-se várias ilusões simultâneas em que se agarrar, para que o apagamento, sempre rápido, de uma dessas estrelas não seja percebido. De ilusão também se vive? Não e não. Só de ilusão é que se vive.

Sinto falta das minhas mágicas. Mágicas redondas, cilíndricas, atômicas. Vidas num branco gritante e imenso, num rosa gritante e cegante, e até num angelical azulzinho pastel. Alegrias em barrinhas, em neve, em líquido. Sinto falta dos meus e não meus estrobos. São muitas estrelas ao mesmo tempo, muito mais do que eu posso ter. Elas vêm aos montes e vão também aos borbotões. E são tantas, indo e vindo, que nem dá para pensar que e se elas não são minhas nem deles. Sinto falta. Do corpo suando e expelindo toda a pequenez, da garganta queimando e limpando os germes das expectativas medianas. Sinto falta, sim. E não quero que ninguém me explique, nem física, nem quântica, nem narcótica, nem psicológica, nem utilizando-se de qualquer um "mente" qualquer. Nem que me venham com recomendações. Já tenho uma boa horda de conselheiros carnais e imateriais.

Minha saúde, aquela cujo aspecto é analisado por cálculos aritméticos, melhorou. As olheiras clarearam um pouco e até ganhei outro pouco punhado de peso. Estou soterrado numa boa aparência de tecidos, de couro, de vidros e de cerâmicas. E de mais carne. Não posso gritar que esses escombros me sufocam. Ninguém vai dar ouvidos, sobretudo a minha consciência lesada pelas culpas. Ou uma consciência amadurecida? Ou é tudo a mesma coisa? Não quero respostas, nenhuma vai-me convencer, por enquanto. Ninguém vai dar ouvidos, porque é assim que todo mundo, incluindo a minha fugidia e inconsistente consciência, prega que se deve viver. E é assim que, lentamente, essa saudade vai-se esmaecendo, que o alvoroço vai dando lugar à quietude. E é assim que se vai do maremoto à calmaria, em que, nem sob as águas mais estáticas, vão-se encontrar formas pulsantes de vida. E é assim, neste dia, que terá chegado o amanhã.




Sábado, Julho 27, 2002
 
Pouco é o quanto eu tenho escrito, é o quanto eu tenho pensado; muito é o quanto eu tenho dormido, é o quanto eu tenho comido. Tenho sido um autista do mundo.



Sexta-feira, Julho 26, 2002
 
Mais uma campanha perfeita de Daniela Abade...


Eu já tinha falado disso anteriormente aqui. A nomeação estapafúrdia, porém não surpreendente (como quase tudo na vida e, especialmente, neste país), do alquímico a uma cadeira no hall dos "imortais" dá o tom adicional. E complemento, ainda, que escrever - assim como dirigir e portar armas - deveria depender de licença. O mau uso de uma caneta ou de um teclado, aliás, podem causar mais danos do que um fulminante tiro de AR-15.

E tenho dito.




Quinta-feira, Julho 25, 2002
 
BARBIE WORLD - Life in plastic!



You are the Presidental Barbie! While the rest of the world thinks the middle east is just where America goes to test out bombs, you actually realize it is an important section of the world. What's more, I bet you enjoy taking World Geography!! Politics are important to you. If you are a GOOD Presidential Barbie, you realize that the Green Party sucks.


Nota posterior: faltam apenas alguns centímetros de altura, o laquê, madeixas douradas, e os tailleurs das grandes maisons pra que eu chegue a Mistress Clinton. Rá.



 
Em uma visão bem camoniana, bem pessimista e bem realista, concluo que mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e permanecem as frustrações. Não é mesmo?



 
Uma portenha semi-analfabeta; uma amantezinha de escritor nordestino que reforçou a venda da imagem da mulata Globeleza como padrão de mulher nacional; um político oligarquista com veleidades literárias, que até faz o kitsch do Olavo Bilac ser um sumidade; outro político-presidente multimídia em cujas veias não corre um único átomo de escrita... Perante tão notáveis aquisições, a Academia tornou-se, textualmente, uma academia jiu-jiteira da Zona Sul carioca. Em que brutamontes marombados e paquidérmicos esmigalham, com seus rabões e com suas patas, as poucas letras que restam. E acossam, com sua barbárie, mocinhas delicadas depois dos muitos estranhos e funestos chás.

A entrada do alquimista nesse circo armado, com certeza, não foi das mais atrozes. Machado, provavelmente, nem deve ter-se revirado no túmulo, como muitos devem estar pensando por aí. Pelo contrário. Deve até ter simulado um esgar de sorriso aliviado. O estupro poderia ter sido (como já de fato foi) muito maior.




 
Desarranjei, de novo, o meu relógio biológico. Fui-me deitar quase às seis da manhã pra deixar a cama, efetivamente, só às quatro da tarde. Fodeu tudo. Continuo, literalmente, sem lenço (porque esse acessório não me cai bem e ainda me resta um senso do ridículo) e sem documento (porque, com esse levanta-acorda em horários pouco ortodoxos, não tem como providenciar RG, CIC e todas essas outras siglas despersonalizantes).

Nessa última e que será a última por algum tempo sessão de compras, adquiri, além de algumas pecinhas de roupa, pequenos objetos de decoração aqui. Coisas bobas, como mais um mural magnético para fotos, algumas velas, porta-cartões e apoios para livros. Sei que são um tanto quanto impessoais, mas, por ora, meu escasso budget não permite que eu pendure um Manabu Mabe original sobre a minha cama. Bom, animado por essas novas aquisições, decidi reorganizar o meu pequeno espaço, que foi o que justamente me manteve acordado por toda a noite. E, pior, não consegui fazer o que eu queria e acabei dormindo no meio de uma tenda árabe, rodeado, dentre outras coisas, por uma profusão de estátuas de Shiva, de matrioshkas e de carrancas soltas por estantes. Ainda tem o canguru gigante e tem folhas soltas de xerox das quais eu não posso-me desfazer até passar pelas horrendas reavaliações. E tem livros espalhados.

Literalmente, estou imerso na desordem.




Quarta-feira, Julho 24, 2002
 
E ontem eu fui fazer compras. Fui nutrir aquela sanha consumista, que até mesmo o mais impávido comunista que tenta ser low profile tem dentro de si - afinal de contas, ele também precisa do vil metal para comprar o seu Marx, para bancar os seus programinhas bicho-grilo e para adquirir a sua indefectível e pavorosa boina. A propósito, eu tenho pavor mesmo daqueles pedaços de feltro que encimam cabecinhas pretensiosamente brilhantes, bem como de qualquer outro paramento de indumentária comuna. Como se inteligência e atitude dependessem do porte de um objetinho qualquer; isso, claro, para nem adentrar no personalíssimo campo do bom-tom estético, do qual não abro mão.

Enfim, nessa incursão ao fabuloso mundo da compra e venda eu poderia até ter tido uma daquelas epifanias descritas num outro livrinho ótimo que li aí faz tempo (que, aliás, é injustamente rebaixado à categoria de literatura inferior; e, embora, de fato, não prime pela originalidade e pela técnica, tem mais valor do que muita obra consagrada). Bom, esse eureka refere-se ao momento em que a autora-narradora-autobiográfica do livro se vê em plena Saks Fifth Avenue e, subitamente, se dá conta daquela obviedade de como aquelas peruas todas estão comprando pra compensar outras coisas, notadamente a falta da boa e velha foda mesmo.

Mas não deu nem pra ter essa visão dantesca, porque eu acho que a situação no país está tão preta que nem mesmo no abastado Shopping Kasher da cidade as vendas têm sido das melhores. Tudo às moscas, poucas sacolas e muitos cachorros e perfumes doces circulando pelos corredores.

Como há muitas freqüentadoras meia-mais-pra-terceira idade, não pude deixar de pensar na velhice. E no que consiste o tão dito "envelhecer bem". Embora, por enquanto, eu não consiga ter muitas pistas a respeito desse ideal, acho que ele não significa roupas excêntricas, expressões rijas e olhares blasé. Tampouco pendurar no corpo estampas e metais estapafúrdios e não se dar conta de que você não é mais cocotinha. Definitivamente, não.




 
É, hoje parece ser um daqueles dias em que eu não estou animado a escrever. Não estou mal humorado, nem cansado, nem especialmente deprimido, nem tomado pela euforia. Hoje, estou naquele insosso equilíbrio de nada. E o espírito equilibrado - aquele tão pregado pelos monges e agora buscado ardorosamente também pelos ocidentais - não inspira qualquer tipo de sentimento além do rigor estático de uma estátua.

Então, vamos permanecer quietos. E não por muito tempo, porque eu me conheço e sei que daqui a pouco vou sentir algum incômodo (positivo ou negativo) que vai-me tirar deste estado letárgico.




 
Eu dependo demais de tudo. Dependo mortalmente da nicotina, que, quando me falta, me desorienta mais ainda. Não vivo sem os outros, o que se demonstra pela profunda depressão que me toma quando eu não posso exercer vida social e pelo quão altas são as minhas contas telefônicas. Preciso de contato humano, por mais que eu me apregoe esquizóide e misantropo.

Necessidades que contribuem para que eu me torne, pouco a pouco, insano. Sábio é meu pai que diz que deveríamos nascer ermitões no meio do nada.




 
Após uma maratona de compras, uma releitura de Clarice e uma sessão de terapia, é difícil verbalizar qualquer coisa.



 
MINUTOS DE SABEDORIA - cortesia de uma grande amiga.

"Durante muitos anos esperamos encontrar alguém que nos compreenda, alguém que nos aceite como somos, capaz de nos oferecer felicidade apesar das duras provas.
Apenas ontem descobri que esse mágico alguém é o rosto que vemos no espelho."


Richard Bach




Terça-feira, Julho 23, 2002
 
Amanheci. De verdade, com a luz do sol entrando pela janela, inundando todo o recinto. Os pássaros estão literalmente cantando lá fora, é mais uma antítese do bucolismo estético da minha casa que se contrapõe a uma rotina urbana e, portanto maluca, em que eu vivo. Mas eu sou teimoso, me escondo dessa claridade; mesmo inconscientemente, não pemito que ela me desnude e revele uma série de coisas que eu não quero. Metafórica e realisticamente falando. Me protejo na penumbra na noite, atrás de óculos escuros, de gestos cordiais pré-estudados e de frases convenientemente preparadas.

Este dia atípico começou bem - um download a quase 30 k/s, nas precárias condições em que meu computador tem vivido é, definitivamente, uma dádiva na forma de outro fato inédito. Pipoca é uma forma de vida que está-se metamorfoseando. É um misto de doloroso e de epifânico observar esse tipo de crescimento, uma saudade que já vai-se instalando tão antes, essa experiência mais próxima da maternidade-paternidade que eu vou poder ter. Mas me contento com esse substitutivo pobre. Aliás, não entendo como as pessoas que pretendem ter ou de fato tenham filhos consigam não gostar de animais.

E eu sei que não deveria mergulhar nesse tipo de leitura, mas estou relendo A Hora da Estrela. Não me lembrava de como aquele início era copioso e fluido, um verdadeiro tratado sobre a pedregoso tema da linguagem. As palavras são as mesmas, mas elas adquirem novas nuances e diferentes formas; são modificadas pela ação do tempo, de quem as lê, de quem as escreve, de quem as fala e de quem as pensa. Não dá pra encapsular o que quer que seja num amontoado de letras, de frases ou de parágrafos; tudo é muito multifacetado, é mutante e escapa dessas grades e torna inglória qualquer tentativa de racionalização. Metamorfose, mudanças... Clarice é meio lisérgica, mesmo.

Bom, o dia está aí, clarificando as exigências de tudo, desenterrando listinhas de resoluções e evidenciando a necessidade de seu cumprimento. Como sempre digo, respirar é muito mais do que o simples processo mecânico-físico.




Segunda-feira, Julho 22, 2002
 
QUERÊNCIAS...

E eu quis-me abrir e fechar num abraço para ele, um abraço tentaculado que engolfaria os dois num acolhimento sufocante e autista. Eu quis, eu quero. Só não quero continuar querendo. Mas querer não é sinônimo de poder, são muito tolos aqueles que acreditam nisso. E há mares intransponíveis, literais, físicos, químicos e emocionais, nos separando. Só posso endereçar um eco suave, mal falado e engarrafado em expressões incompletas e medrosas.




 
Lolitas, máquinas estapafúrdias e quinquilharias...

Além dos meus já conhecidos cinco-e-poucos leitores, algumas outras pessoas vêm aqui à cata de...:

*** página personal exibicionista - só a título de curiosidade, esta criatura é portenha! Acho que encontrou o que queria...

*** quetamina como droga - algum comentário sobre isso? Se a criatura resolver voltar aqui, sugiro a visita a este velho conhecido de guerra.

*** botox e congêneres - ainda não, por enquanto não!

*** máquina para estampar CD em casa - bom, este é um mercado persa, sem dúvidas.

*** fábulas do mar - há muitas fábulas fantasiosas aqui, de fato. Acho que o incauto não deve ter ficado tão insatisfeito.

*** lolitas - este é o campeão! Há variantes tais como lolita fuck e sexo com lolitas... Após eu mesmo ir verificar onde eu podia ter usado o termo, foi num post, lá do passado, que nada tinha a ver com a perversão que cerca a personagem de Nabokóv. Estes aí, certamente, ficaram frustrados. AQUI NÃO TEM LOLITAS!!!

*** o melhor site de filmes completos dublados - cruzes! acho que, pra juntar todas estas palavras aqui, o site de busca deve ter juntado posts de uns cinco meses diferentes!

*** domo para noivos - ???

Sugiro que vocês passem a utilizar aspas entre as suas buscas. Isso facilita muito.





 
Sem Sol há tempos. Os únicos estímulos fotoquímicos que meu corpo tem recebido são aqueles vindos das lâmpadas fluorescentes e das telas do computador e da televisão. Luzes artificiais para uma vida igualmente falsa e de aparências, sem qualquer verdade além daquelas que eu tenho convenientemente construído pra mim mesmo.

Acho que eu preciso que aquele ventinho bata mais forte e coloque tudo isso, novamente, abaixo. Preciso de novas estruturas. Ou melhor, preciso de uma estrutura, at last...




 
Crianças, agradecimentos e desculpas. Obrigado pelos encorajadores e muitas vezes pertinentes comentários. E desculpem pela não resposta aos mesmos - leio todos, garanto, mas uma porçãozinha Macunaíma me impede de respondê-los adequadamente.



Domingo, Julho 21, 2002
 
Às vezes, muitas vezes...

Às vezes, muitas vezes, eu barganho comigo mesmo e com a vida; me proponho trocas, me proponho a conceder, em troca de algum outro benefício. Só que às vezes, muitas vezes, acho que inverto a ordem de condicionantes e de resultados: paro com isso, se ganhar aquilo ou ganhando isso, paro com aquilo?

E, às vezes, muitas vezes, por conta de todas essas dúvidas, também acho que toda a minha arquitetura de id, ego, super-ego está ruindo. Sou uma casinha contra a qual sopra um vento que balança as minhas vigas e que chacoalha minhas janelas. Essas investidas não cessam até que só reste um punhado não identificável de madeira esfarelada, de vidro estilhaçado, de expectativas destruídas, de mitos mastigados, enfim, até que sobre apenas um amontoado de nada.

Para que dessas cinzas, venha aquela fênix (que todos carregamos dentro de nós) e me faça reconstruir uma nova morada. Que, invariavelmente, mais dia menos dia, vai-se reduzir a um nada... Aquela mesma ciranda de que eu já falei, que em nada lembra a cantiga infantil e inocente.

E se eu sou só emoção-coração, uma hora não há mais fibra que resista a essa sístole-diástole, expira-respira, afrouxa-relaxa.

Boy you best pray that I bleed real soon...




 
Adorei isso.
Pena que não tenha mais atualizações, que os arquivos não carreguem e que não haja um e-mail qualquer que possibilite que eu peça à moça que continue escrevendo.



 
E EU ADORO FLORBELA ESPANCA...

Florbela Espanca (1894 - 1930)

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada
Que me saiba perder... pra me encontrar...




 
Gugu-dadá... Hoje teve bolo gostoso, teve fotos ridículas, teve coxinhas e salgadinhos gordurosos, teve os telefonemas de sempre, teve o brilhante argent de presente, teve um perfume gostoso também de presente... Teve essas coisinhas todas simples, cuja simplicidade ao mesmo tempo eu rechaço e não vivo sem.

Não sei explicar o porquê, mas depois de muito tempo, fui insolitamente revisitado por uma enxaqueca como aquelas que, por anos a fio, tiraram meu sossego. Uma dor insuportável e lancinante, que me fez, novamente como antes, querer bater a cabeça no chão até que ela estourasse, até que dela vazasse todo o incômodo pulsante e pontudo.

Uma aspirina depois - que eu também não colocava na minha boca desde quando me excedia tanto no mundo das pílulas fofas, já prevendo o desastre do dia seguinte - estou melhor.

Pode ter sido um efeito psicossomático?




Sábado, Julho 20, 2002
 
MAIS TESTES...

O que uma noite tediosa na rede não faz...



which asian are you?


Made by Cherry


Take the 'Which Magic Stone are you' quiz! by. Xera a.k.a Xerampelaine


Which Magic
Stone
are you? by. Xera

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You are an Accord EX-V6. You're not quite plebian, but you're a comfortable and conservative sort of person who keeps a balanced view and level head during a conflict. You can be rather demanding at times, but it's all in a pursuit to keep things mellow.



which honda are you? | visit high mileage





 
Parabéns! :)

Happy birthday... To me, myself and I...

Joyeux anniversaire... Pour moi même...

Feliz aniversário... Pra mim mesmo...


Vinte e três anos. Formalmente, completados às 10:50 da manhã. Mas vamos deixar um pouco de lado essa exatidão toda e falar disso tudo agora...
Estas datas comemorativas, de uns tempos pra cá, têm-me lançado na mais profunda melancolia. Até os dezoito anos, era ótimo ficar mais velho: a data significava um degrau a mais galgado na longa e almejada escalada da independência e, de quebra, o dia ainda equivalia à agradável sensação de ganhar todos aqueles presentes.

Superficialmente, pouca coisa mudou. São mesmas as lembranças trazidas pelo aniversariar: mais um passo na empreitada pela liberdade e o monte de agradinhos ganhados. Com a sutil, e nada agradável, diferença de que, com o tempo, essas mudanças já não são mais tão bem-vindas. É como um filme gasto, que vai gradualmente perdendo o seu vibrante colorido e ganhando tons lúgubres de sépia, é como uma flor da qual se esvai o frescor e o perfume, dando lugar à opacidade e ao cheiro de guardado.

Aquela autonomia - tão desejada e exprimida pela carta de motorista, pela expansão do direito de ir e vir (agora, sobre quatro rodas) e pelo ingresso na faculdade - não se mostra mais por fatores tão banais. Deixa de ser uma dádiva e uma meta para caracterizar mais um dever a ser cumprido. O passar dos anos não é mais anseiado; pelo contrário, o aumento de um número na sua idade apenas acende o até pouco dormente pavor de envelhecer (dizem que a velhice melhora a cabeça, mas tenho lá as minhas dúvidas) e os cremes anti-espinha começam a sumir da prateleira para que nela adentrem os miraculosos retinóis e afins da vida. E, futuramente, o bisturi e o raio laser...

Mas, claro, tem os presentes. Só que, agora, toda a euforia, que esses mimos antes representavam, é desacelerada pela consciência de que há buracos maiores a ser preenchidos. Pela consciência de que essas alegrias, como todas as outras da vida, são efêmeras e de que essa volatilidade é mais rápida e mais custosa do que o a de um vidro inteiro do seu perfume francês preferido.

Resta, last but not least, aquele gostar das pessoas que o cercam, que é comemorativamente reforçada no dia de hoje. Gostar que não se apaga com tempo, mas, muitíssimo pelo contrário, ganha matizes mais fortes no decurso dos dias. Gostar que acalenta as catástrofes da vida, vindouras, imprevisíveis e inevitáveis.

CARPE DIEM!


Happy birthday... To me, myself and I...

Joyeux anniversaire... Pour moi même...

Feliz aniversário... Pra mim mesmo...




Sexta-feira, Julho 19, 2002
 
METALINGUAGEM...

E estes escritos têm perdido o pouco brilho que um dia apresentaram, não é mesmo? Quantitativa e qualitativamente, é nítida a inferioridade dos últimos posts em relação aos primeiros. Esses dias, relendo o que eu escrevi, não me reconheço, não consigo conceber como as palavras fluíam numa cascata torrente. Foi-se construindo, com o tempo, uma cornucópia de pensamentos desconexos, que até foram-se ordenando, até irem, gradativamente, se repetindo numa cantilena monótona.

Assim que me propus a iniciar esta extensão de análise confessional - misto de futilidade e de egocentrismo e, depois, de um pouco de interação com os poucos leitores - a idéia era justamente a de reforçar o que se aprendia em terapia. E, também e até mais importante, de aliviar um pouco a frustração da faculdade de jornalismo não cursada e de, ainda, adquirir uma segurança com a escrita que, um dia eu tive, e que a faculdade foi, devagarinho, eclipsando, engessando, mascarando.

Não, eu minto. Desde as saudosas aulas de redação com a mais-que saudosa grande Lilian Jacoto, que maximizou e apurou a minha paixão pelos livros, meus textos eram acusados de grande rigor formal, mas destituídos de qualquer traço de emoção. "Me pergunto quando o seu texto vai ser visitado pela emoção..."... A leitura forçada de algumas obras jurídicas e ascéticas (e há outro tipo?), somando-se às primeiras perdas e frustrações, apenas contribuíram para que eu endurecesse e racionalizasse ainda mais o meu trato com as letras. Para que a técnica sobrepusesse a emoção. Para que a obsessão pela obediência aos padrões me deslizasse para o endeusamento de um preciosismo e me tornasse um esteta seguidor dos ideiais parnasianos.

O jeito que se escreve, assim tantos outros elementos, apenas denunciam o caráter e a personalidade. E, repentinamente, eu percebi como eu estava-me escondendo. Me escudando em fórmulas já existentes e absorvidas. Apenas papagaiando e misturando desatrosamente conceitos, palavras e frases já utilizadas. E, no meio de toda essa bagunça de movimentos, de estilos e o diabo a quatro, eu tentei dar alguma uniformidade e algum toque genuinamente pessoal a todo aquele acumulado de leituras e de vivências.

E, motivado pelos meus grandes mestres, objetos de adoração, procurei, humildemente, seguir os seus exemplos de vida e, com a escrita, me esvaziar e, contraditoriamente e ao mesmo tempo, me encontrar. Grande pretensão a minha, mas, de uma certa forma, eu ainda tento brincar de escrever. Os livros, desde pequeno, foram grandes companheiros para mim e, embora eu não deixe de reconhecer a importância da vivência prática e experimental, há uma forma de conhecimento e de sensibilidade que só o contato com as artes - notadamente literárias - proporcionam.

E, surpreendentemente, consegui tocar algumas pessoas com o que eu escrevia. Lentamente, fui recebendo mostras de que certas brechas foram-se abrindo para que filetes de emoção se insinuassem com o que eu escrevia. Este foi só o começo de uma trajetória longa, árdua, solitária e prazerosa.

Mas, ultimamente, tenho-me sentido emperrado. Como eu li na exposição de motivos que levaram ao fim do Persona, parece que há uma certa reserva de idéias, que é inesgotável apenas para alguns. E acho que não faço parte deste universo privilegiado e casto.

Novamente, retomo ao mesmo assunto de que falava ainda ontem. Não sei se já tive meu bom quinhão confissão, se isto tudo aqui já perdeu o sentido. Acho que é esse tipo de dúvida, ou melhor, de certeza, que tem causado o extermínio de tantos diários confessionais aí pela rede. Não é apenas uma modinha de "exterminar blogs", é um sintoma universal de que não somos como Veríssimo, como Sylvia Plath, não sou nenhum deles, embora eu gostaria (mos?) muito disso.





 
Tic-tac...

*** Pipoca é o mais novo membro da minha família - uma poodle branca, sans pedigree, linda e taurina;

*** Ainda falando de pets, o meu quarto agora é habitado, desde a última quarta, por um canguru inflável, enorme, vindo diretamente da Austrália;

*** Teve cena ¡nervios! com a genitora mais cedo - graças a algum deus (existem tantos, seria injustiça creditar a graça a um único!), acabou;

*** Se a felicidade pode ser degustada, literalmente falando, este é um dos lugares para tanto;

... Será que o inferno astral está, at last, passando...?




 
Bom, neste oceano estático reinante em que, quando ocorre uma mudança, ela é pra pior, um amigo meu, muito querido, deu um exemplo de bravura e foi perseguir um sonho seu. Literalmente, com unhas e dentes.
Você sabe quem é.
Sucesso, querido. You do deserve it! Viva por você. E por tantos outros...



Quinta-feira, Julho 18, 2002
 
O MARASMO...

Idéias inicialmente boas, mas que, por mediocridade e por limitação dos seus idealizadores, não prosperam, não medram, não vingam e adicionam-se a esta massa de merda, enorme, risível e enfadonha.

Vejo isso na rede, vejo isso quando abro jornais, vejo isso quando deparo - a propósito, deparar não é um verbo pronominal; "me deparar" é uma gafe equivalente a "pra mim fazer" - com tentativas de pretensão de originalidade literária.

E vejo isso, especialmente, em mim mesmo. Às vezes, tenho a sensação de que a humanidade já experimentou todas as formas possíveis de expressão, que não há mais como fugir da repetição e da mesmice.

Acho que entendo o porquê dessa onda toda de exterminarem os blogs.




 
IT'S QUIZ TIME! - MOMENTOS DE INUTILIDADE.




What's your Style? Find out here!

Quiz made by Chesa

Natural, Calm, Shy is just you.. A lot of people love to be around you, because you're so sweet and simple... You're happy to be what you're right now.. You hate to be different, that's make you a Happy-go-lucky girl!


Este, fiz só por causa da Ayumi!


Que CARRO tu é?


I'm soooo classy! Juro que não roubei!




Quarta-feira, Julho 17, 2002
 
Transtorno bipolar. É disso que eu (também) sofro.



 
Preciso, urgentemente...:

*** Arrumar meu quarto;

*** Tirar estes malditos documentos;

*** Resolver meus problemas com as notas (Solange Boneca está-me devendo um e-mail que vai-me auxiliar nesta questão!).





 
Sabe o que é? Eu tenho medo dos rápidos momentos otimistas que me assaltam. Pavor de que eles evaporem e sejam substituídos pela depressão profunda e estática. Deve haver algum nome psicanalítico sufixado de "ose" pra isso, for sure...



 
E hoje eu também estou lacônico. E chato. E repetitivo.



 
E mais uma vez faltei ao cursinho. Amanhã, vou pra lá. Vamos tentar dar um jeito neste marasmo.



 
E hoje, eu até também adorei a minha terapia.



Terça-feira, Julho 16, 2002
 
OLD DRAG POWER - MOMENTO FUBÁ.

"I'm just me, I'm enough
With myself I'm in love
I've been weak, I've been low
Made me strong, now I know
I'm just me, I'm enough
Nothin' less, nothing more
I wish everybody could just feel this kind of
love"

Kina



 
E, em certas horas, até dá pra acreditar na providência divina.



 
Done. Não foi do jeito que eu queria e que a minha mente fantasiosa planejou. Não houve revival dos loucos e inconseqüentes tempos, não houve ondas químicas nos envolvendo, maximizando e/ou ou toldando o gostar.
Mas eu jamais me perdoaria se eu não tivesse ido vê-lo.
Primeiro, pela máxima mais-que verdadeira de que nossos arrependimentos maiores são aqueles por omissão. "Antes arrepender-se pelo que foi feito do que pelo que se deixou de fazer", é mais ou menos isso, não?
Minds and bodies were all clean, the masks were no longer there.
E nessa clareza toda - que, mesmo assim ainda apresenta certas confusões e certas histórias que ainda podem ser escritas - pôde-se detectar a permanência de gostar e de um entendimento de que muitas pessoas, donas daqueles dedos fálicos e acusadores, não gostam e não entendem. E que eu também não sei expressar.
Next chapter, please



 
Vamos parar de tamborilar esses dedos, de ficar fumando estes cigarros, de ficar passeando pelo quarto...
There are important things to be done.
Essa espinha incômoda não vai sair daí e nenhum raio milagroso vai sobrevir.



 
TAMBÉM ADORO TORI AMOS!

TORI AMOS

Silent All These Years

Excuse me, but can I be you for a while,
My dog won't bite if you sit real still,
I got the anti-Christ in the kitchen yellin' at me again
Yeah, I can hear that
Been saved again by the garbage truck
I got something to say you know, but nothing comes
Yes I know what you think of me, you never shut up
Yeah, I can hear that

But what if I'm a mermaid, in these jeans of his with her name still on it
Hey, but I don't care, 'cause sometimes, I said sometimes
I hear my voice, and it's been
Here, silent all these years.

So you found a girl who thinks really deep thoughts
What's so amazing about really deep thoughts
Boy, you best pray that I bleed real soon...
How's that thought for you
My scream got lost in a paper cup
You think there's a heaven where some screams have gone
I got twenty five bucks and a cracker do you think it's enough
To get us there

'Cause, what if I'm a mermaid, in this jeans of yours with her name still on it
Hey, but I don't care, 'cause sometimes, I said sometime's I hear my voice, and it's been
Here, silent all these

Years go by will I still be waiting
For someone else to understand
Years go by if I'm stripped of my beauty
And the orange clouds raining in my head
Years go by will I choke on my tears
Till finally there is nothing left
One more casualty you know, we're too easy, easy, easy

Well, I love the way we communicate
Your eyes focus on my funny lip shape,
Let's hear what you think of me now, but baby don't look up
The sky is falling
Your mother shows up in a nasty dress
It's your turn now to stand where I stand
Everybody lookin' at you, here take hold of my hand
Yeah, I can hear them




Segunda-feira, Julho 15, 2002
 
FIND YOUR INNER PEACE!

I am passing this on to you --- it is definitely working for me.
I think I have found inner peace. I read an article that said the way to achieve inner peace is to finish things I had started. Today I finished two bags of potato chips, a chocolate pie, a bottle of wine and a small box of chocolate candy.The wine really works.

I feel better already.

Pass this along to those who need Inner Peace.

Taí. Não sou tão procrastinator assim.




 
ADORO KLIMT!




 
MICROCOSMO

Apesar de poucas atualizações, este blog merece mais visitas.




 
A NEUROSE DE DOMINGO.

O que me conforta um pouco, mas muito pouco - já que minha avidez é tanta, que diz respeito até aos consolos que me oferecem - é que esta praga niilista não se instalou apenas em mim. On the very contrary, vejo o desânimo e o desconforto angustiando um bom punhado de outros seres por aí. Conforme acabei de ler, a crise aguda de pessimismo que me assaltou tem uma explicação psicanalítica.

Em seu afã de catalogar racionalmente toda a sorte de sentimentos que tomam conta de nós, os doutos na ciência de Freud já detectaram a neurose de domingo, cujos sintomas são, segundo Campbel, "(...) um sentimento de desconforto, insatisfação, rejeição e medo do que o futuro poderá trazer.".

Definitivamente, preciso começar a ler obras de psicanálise. Assim, poderei entender a razão de todos os meus queixumes, ou melhor, sempre poderei justificá-los racionalmente. Fica cartesianamente mais fácil, não?




 
Sinceridade ou cordialidade? Ou uma, ou outra. As duas se repelem, não se misturam, se excluem. Geralmente, acaba por predominar a conveniente cordialidade, em nome de toda a vida comunitária e/ou de todos os interesses que ela exige.

Experimente deixar, a todo momento, que a sua boquinha ou que as suas feições realmente reflitam o que você realmente pensa. Impossible task, a menos que você já seja dono de um patrimônio de trilhões (e já seja despido de ganância por aumentá-lo, o que é, também, impossível), a menos que você seja um louco, ou, ainda, a menos que você seja um completo ermitão (o que, de certa forma, também revela insanidade mental).

Isto aqui funciona, mais ou menos e dentre outras coisas, como uma vaga tentativa de burla a esta regra sufocante. Claro que o império do "pense duas vezes antes de se expressar" ainda tem efeito fortíssimo. Mas estou tentando.




 
Pronto, a greve forçada terminou.

Alguns poucos puderam ter o desprazer de ver a miscelânea pavorosa de números que imperou por aqui, que poluiu o visual deste blog e que o deixou com um aspecto horrendamente seboso. Uma coisa surreal, que eu não conseguiria descrever, mas, como já apontado, foi gentilmente resolvida.

Agora, vamos às reclamações de sempre - se isso incomoda, favor desconsiderar as próximas linhas (aliás, se alguém que lê isso não gosta de complaints, não sei o que ainda vem fazer neste pedaço!).

Bom, os dias têm transcorrido na mesmice de sempre. Hoje, eu fui visitar um primo meu que foi submetido a uma cirurgia razoavelmente complexa - eu não saberia explicar com os termos adequados, muito menos reproduzir com exatidão aquelas palavras complicadas que só o pessoal versado em ciências biológicas consegue pronunciar. Sei que, no final, não fui visitar aquela pessoa que eu deveria, e, mais uma vez, não sei direito o que fazer. Algumas pessoas colecionam coisas insólitas e, no meu caso, a excentricidade não poderia ser maior - guardo um amontoado de, rancores, de afazeres pela metade e de desafetos, dentre muitas outras coisinhas.

É, mais uma vez, me vejo às voltas com a minha natureza irremediavelmente oscilante e inconstante (como já ouvi dizerem - não sei se você está lendo isso - eu tenho a estabilidade emocional de um flan!). Alguns vêem essa gangorra entre a mania e a depressão como um charme, como um dom inerente aos artistas, como uma preciosa fonte de criação.

Ocorre que eu não sou, formalmente, um artista - eu até desconto parte desta minha frustração minha aqui nestes escritos. "I am vertical, but I would rather be horizontal", é o que eu estou sempre a me repetir. A vida que eu levo (ou por minha escolha, ou por meu desleixo, ou porque me impuseram, ou porque Deus quis - essa discussão agora é contraproducente) não se coaduna com essa instabilidade. Se eu fosse um poeta, ou se eu realmente escrevesse de verdade, ou se eu fosse um compositor, essa inconstância de marés, provavelmente, me seria de grande valia. Mas, de novo, não é o caso.

Dessa rollercoaster toda, me restam um apenas os malefícios de um cansaço mortal e uma apatia tremenda, que terminam por redundar naquele mesmo acumulado (que aumenta em progressão geométrica) de objetivos apenas parcialmente cumpridos, ou, pior, em nada alcançados. E mais: os meus momentos eufóricos têm desaparecido e cedido espaço ao já bem conhecido pessimismo, com velocidade cada vez mais astronômica. E, não bastasse a minha própria personalidade submissa e cômoda, que não reage com força suficiente aos reveses, eu realmente tenho andado bem servido de elementos e de eventos externos que só têm contribuído para que os baixos apareçam em profusão e para que, em contrapartida, os altos dêem as caras só de vez em quando.

Estou pendurado em notas na faculdade. Ontem, no meio dos surtos psicóticos do meu computador, acabei vendo que fui brindado com mais um 4,0. Estou pendente em metade das matérias em que eu me inscrevi - o meu resumo escolar está lastimável. Eu até me conformaria se eu realmente tivesse sido um aluno absurdamente vagabundo neste semestre (como fui no último de 2001, em que eu, realmente, só pisei naquele chão pra fazer as provas). Só que eu, paradoxalmente, estive presente à maioria das aulas, e, de quebra, entortei ainda mais a minha coluna naquelas cadeiras velhas, assassinei a minha narina com aquele fedor que exala do banheiro, e comprometi mais graus de miopia e de astigmatismo.

Embora não tenha sido exatamente porque eu quis, eu realmente aderi a um estilo de vida de uma singeleza, literalmente, franciscana. O resultado desta vida certinha? Esse monte de notas abaixo da média, que vão-me tirar as já escassas férias. Aí, é inevitável se fazer a pergunta: realmente vale a pena tornar-se uma pessoa "séria"? Deixar de lado a vida "errante" e "pecaminosa"? Pois, desta nova árvore de retidão que eu plantei, só colhi o fruto amargo do vislumbre de viver um inferno ininterrupto por um tempo indefinido, sem direito a qualquer tipo de alívio.

As generosas duas semanas de férias que eles me deram vão ser consumidas em repetidos estudos daquelas mesmas matérias que já li exaustivamente. Com muita sorte, vou conseguir cumprir os meus vinte e um créditos, e, ainda assim, tendo menos descanso do que quem trabalhou menos do que eu. E, ainda, tendo o maldito exame da OAB no final do ano, que vai ser seguido pelo início de uma maratona competitiva dos concursos públicos. E, mais uma vez, deixando de lado uma série de questões que vão deixando uma interrogação colossal na sua vida. Quando, efetivamente, chega a hora de dar essas respostas?

E não sei se é mais uma paranóia minha, mas o meu restante senso de percepção me mostra pessoas vivendo numa tranqüilidade comparativa e infinitamente maior do que a minha, e com menos méritos para tanto. Pessoas que continuam por aí, sem sofrer restrições de qualquer gênero, "divertindo-se" até menos saudavelmente do que eu e de forma nitidamente mais compulsiva-destrutiva, e, ainda, portando-se de forma muito menos altruísta. Vejo essas pessoas vivendo aqui mesmo na minha própria casa em todos os outros domínios em que eu acabo caindo.

É muito difícil, nessas circunstâncias, sentir-se minimamente animado. É difícil prosseguir com seus planos, por mais ínfimos que sejam, se são despejados mais e mais baldes de merdas a ser administradas.

Estou azedo mesmo. Don't come any closer. E, se for o caso, trate de espantar esses seus pensamentos de "você mereceu" - I have my very own good share of these thoughts.




Domingo, Julho 14, 2002
 
Vários posts de teste, algumas horas e muitas ajudas depois, o probleminha com o design está, at last, resolvido.



Sábado, Julho 13, 2002
 
QUE NOJO! ME RECUSO A ESCREVER AQUI!

Só volto quando este problema estiver resolvido.

Ao que tudo indica, eu fiz uma grandessíssima merda com meu template archive; ao que tudo indica melhor ainda, eu simplesmente o deletei.

Essas tags, pra mim, são mais complicadas do que sânscrito. Então, se alguém puder ter a finesse de me auxiliar, ficarei muito grato.




 
ARGH!!! Socorro! Agora, eu não recebo mais aquelas mensagens, mas o leiáute desta página está pavoroso! HELP ME!



 
VIVA!
Graças a Azolan, da Casa de Rosemonde, consegui resolver meu problema.
Azolan, mais paciente e perseverante do que eu, descobriu como resolver os chimiliques do blog.
Se você estiver sendo vítima daquela mesmíssima mensagem inconveniente, visite Casa de Rosemonde.
E para outras coisas também!



 
Vamos ver se funciona...



 
EU QUERO SABER "AONDE" ESTÃO OS MEUS POSTS!



 
Check out: Blogger Pro. New features, better performance, flexibility, reliability

Além dos nossos pecados, eles querem que nós paguemos em cash, mesmo.



 
De cabelos cortados. Não só os cabelos foram extirpados - mil outras mil coisas, muitas não identificáveis, mas que fazem muita falta também já se foram. Há tempos. As tranças de Rapunzel, certamente, representam muito mais do que aparentam - algum especialista em destrinchar signos oníricos e afins certamente já se encarregou de fazer essa ponte de equivalência. Como os sapatinhos da Cinderella que são nada além da virgindade and so on.

Whatever... Algumas coisas e pessoas vêm e ficam - fazem morada, fazendo com que você se acostume com elas e com que você precise desesperadamente delas, ainda que você tenha passado bons anos sem elas - pra depois irem, baterem suas asas, e irem buscar outra freguesia pra arengar... Deixam um imenso buraco, que você vai preencher com novas coisas, com novos objetos, com novos hábitos, com novas amizades, com novas paixões, que, por seu turno, invariavelmente, vão todos, novamente, desaparecer. E fazer com que você procure outras fontes pra se sustentar...

Se esse troca-troca todo é doloroso e põe à prova toda a nossa capacidade de adaptação, imaginem o temor de que, um dia, nada mais sobre pra dar algum sentido à mecânica de abrir os olhos e continuar vivendo os dias. Nada sobre, a não ser você mesmo.

E isso é suficiente? Às vezes, acho que o "bastar por si mesmo", essa frase já tão encardida pelo uso, nada mais é do que mais uma grandessíssima impostura ideológica, em que nos forçamos a acreditar para, textualmente, não morrer de medo.




 



 
E vamos cortar a juba.
Porque eu não sou leonino e isso não combina comigo...



 
Vamos ver se agora vai...



 
Error 503:Unable to load template file: /home/Templates2/3222063_a.html (server:page)[more info]

Esta é a nova mensagem que me atormenta. Não consta na gentil lista de ajuda oferecida por eles, o que me obrigaria a me inscrever num "grupo de discussão" pra descobrir o que é este problema e, com alguma sorte, como resolvê-lo.

Minha nerdice tem limites e acho que esta não é uma boa idéia. Se alguma alma caridosa, que entenda um pouco dessas mensagens do além, chegar a ler isso em tempo hábil, agradeço a ajuda.




 
Estava sem cigarros, já tinha ficado tarde, fiquei com os do meu pai. Carlton, definitivamente, não é um cigarro de verdade. Aliás, nenhum cigarro que tenha o filtro branco é. Eu sempre digo: já que estamos morrendo com essas doses de nicotina, de alcatrão e de todas essas drogas maléficas, que seja decentemente. Essa coisa de lights é pura mariquice e covardia. Como aquelas moças idiotas que pedem Bailey's ou qualquer porcaria doce e enjoativa, porque "são fracas pra bebida".

Se sair na chuva, é pra se molhar. Certos hábitos e atitudes requerem atitudes menos amenas.




Sexta-feira, Julho 12, 2002
 
ICELANDIC COLOURS - A COURTESY BY CORBIS






 
BJÖRK

ALL IS FULL OF LOVE

you'll be given love
you'll be taken care of
you'll be given love
you have to trust it

maybe not from the sources
you have poured yours
maybe not from the directions
you are staring at

twist your head around
it's all around you
all is full of love
all around you

all is full of love
you just ain't receiving
all is full of love
your phone is off the hook
all is full of love
your doors are all shut
all is full of love

all is full of love




 
MOMENTO LEITORA DA CAPRICHO.


Operations
I'm Operations
You're a human powerhouse...
and you aren't above enjoying the benefits that power gives you.

Which La Femme Nikita Character Are You?

Quiz by nancyn of MS4 Roy Dupuis


Eu costumava assistir à La Femme Nikita, sim.

Porra, eu queria ter sido a Madeline! :(




 
*** Ao fundo: Maysa cantando Ne Me Quitte Pas - agora que a febre Presença de Anita passou, posso dizer que esta á melhor versão já feita, dentre as muitas que foram gravadas.

*** Embaixo: Gato enrodilhado a meus pés, com aquela cara de preguiça satisfeita;

*** Nas mãos: cigarros, que têm sido ótimos companheiros. Embora eu seja viciado neles (no sentido clínico-químico mesmo), eu ainda gosto de dar as minhas tragadas. Então, e difícil que eu siga os passos de Solange Boneca e largue este hábito;

*** À frente: tela de computador, praticamente inativa - acho que já esgotei tudo o que podia ter sido visto nessa rede;

*** Na cabeça: praticamente nada, a não ser este post cretino. Os pensamentos estão embotados pelo frio... Mas não vamos ser muito otimistas - a minha neurose desconhece dificuldades (quisera eu que pudesse ser assim com outras coisas minhas). Então, é bem capaz que, em breve, eu esteja afundado num estado de inquietude e de ping pong mental...

... Bom, esta é uma sexta-feira enregelada pelos mais-ou-menos 13°C (positivos), numa cidade chuvosa e de trânsito infernal. Pelo visto, acho que ela não vai-me reservar qualquer surpresa.




 
Acordei há pouco, não fui ao cabeleireiro, conforme eu tinha-me proposto (meus cabelos estão horrorosamente longos, pro meu gosto minimalista). E faltei ao cursinho. O que será que este dia me reserva?



 
E hoje não tem nem ¡nervios!, porque até eles foram congelados pela baixa temperatura.



 




 
E, crianças, obrigado pelos comments. Dei uma olhada, obrigado pelo retorno; depois faço a réplica (espero). E, sintam-se à vontade pra "treplicar", se for o caso.



 
Talvez isso não vá adiantar muito, mas o endereço da criatura infeliz, autora dessa acintosa mensagem é deuclidespyan@hotmail.com, ou, simplesmente, "Deuclides". Não querido, eu não sou seu tio e não quero Mentex. E nem emprego. Au moins, não esse que você tá-me "ofertando".

Querem aliviar suas infelicidades? Gastar seu rol de impropérios? Aqui sugiro um João Bobo virtual para tanto.




 
"MORRA SPAMMER! MORRA NA MERDA!"

Um poder de síntese a que o meu espírito prolixo e barroco deu licença, após estar-me sentindo o último dos mortais. E a única mensagem que pingou na minha caixa de e-mail foi uma propaganda forward dessas. Ninguém merece. Quer dizer, muita gente merece (minha lista, no presente momento, seria maior do que um tapete estendido em casamento de família real européia), mas não eu. Não hoje.

Seguiu-se, à singela resposta, outro lacônico e certeiro "block sender", naturalmente.




Quinta-feira, Julho 11, 2002
 
É difícil manter o seu bom humor e não permitir que o ceticismo tome conta de você quando...:

*** Você amanhece mais um dia, desmotivado pelo frio e por uma rotina contra a qual você está tentando lutar e cuja mesmice você está tentando neutralizar e até dar ares de glamour;

*** Nesse mesmo espírito de pão amanhecido, você abre seu computador e descobre que você tirou um 4,0 numa matéria em que o professor era, supostamente, sossegado e totalmente destituído de animus fodendi;

*** Você, já percebendo que este quinto e último ano da faculdade já está-lhe reservando mais inconvenientes do que todos os outros anteriores, descobre que outro filho da puta está-se recusando a lhe devolver uma nota que ele, larápio contumaz, lhe surrupiou;

*** Você tem de andar no meio da chuva e da feira pra buscar o seu carro e desembolsar vinte reais pela dupla "pernoite + lavagem";

*** A chuva engrossa justamente no dia em que você decide dar um banho no seu carro (Lei de Murphy, você precisa ser revogada!);

*** Você gasta mais dinheiros no estacionamento da faculdade, tem de atravessar as ruas imundas do Centrão velho de Sampa, encharcado, porque a sua faculdade, tão prestigiada, bloqueou duas das suas entradas, por problemas de segurança (o que faz você sentir saudade do seu colégio semi-reformatório, mas que, por ser bem pago, tinha papel no banheiro e não lhe expunha a situações vexaminosas como essa);

*** Sua saudade do segundo-grau presídio se reforça quando você, mais uma vez, toma no rabo com uma nota e você está, de novo, com um 4,0 (e ainda tem de dar com as fuças numa anotação "resposta copiada do colega" - como se aquele bastardo abortado primasse pela originalidade!);

*** Você enfrenta um trânsito daqueles, com o câmbio do seu carro argentino mais rebelde do que nunca, e sem rádio;

Duas reavaliações; outra provável reavaliação, que só vai ser afastada depois do envio de inúmeros e-mails e de um desgastante processo de bate-boca com um salafrário que cobra quatro avaliações semestrais, ao mesmo tempo que mantém o escritório mais escravocrata de São Paulo.

Muita chuva, muitos dissabores. ¡NERVIOS!

Eu tentei elaborar uma lista com coisinhas fofas que me ocorreram hoje, mas não deu. Quero Prozac. Agora. Ou, melhor, queria que algumas pessoas tivessem suas respectivas existências sumariamente riscadas da face da terra. Que se abrisse um buraco no chão e todos esses seres fossem rapidamente tragados. Ou que fosse eu mesmo. Ou eu ou eles, Deus. Você escolhe.




Quarta-feira, Julho 10, 2002
 
Reykjavik.

'Ast, friður og hamingja

Isso aí quer dizer "amor, paz e felicidade", em islandês. Aprendi essas palavras, ou melhor, a sua grafia, com a Sóley, minha antiga penfriend islandesa.

Dos 16 aos meus quase 18 anos, eu colecionei correspondentes ao redor do mundo, nas nações e nas cidades mais insólitas do planeta. Aprendi muitas coisas com aquelas dezenas de pesados envelopes multicoloridos que aterrisavam diariamente na minha casa, exibindo os mais diversos selos, recheados com friendship books (F/B's), fotos e cartões-postais.

Descobri a beleza dos países bálticos e a sua riqueza multicultural - até então, a Estônia, a Letônia e a Estônia eram apenas países minúsculos que integravam aquela babel de republiquetas pós-queda da URSS, cujos nomes, similares em sufixos, só serviam para me complicar a vida nas provas de geografia. Percebi que os formatos de letras eram parecidos em cada lugar (só pela grafia nas cartas, era possível saber de que região do mundo elas vinham). Reforcei o meu entendimento de que os norte-americanos, em geral, são uma massa homogênea e sem-sabor de (maus) gostos e de estreiteza de pensamentos. Conheci o recato do Oriente Médio, com aquelas meninas sonsas, reprimidas e totalmente encasteladas num mundo de Cinderella. Foram as inúmeras paisagens da França, com toda aquela elegância que me despertaram a vontade de aprender francês (como efetivamente o fiz por dois anos)...

... E, inesperadamente, descobri que a Islândia era hype antes mesmo de a Björk começar a fazer sucesso. Aquela pequena ilha tocando o extremo norte do planeta tinha muito mais do que esquimós e baixa densidade demográfica. Era um pedaço predominantemente vulcânico de natureza selvagem e exuberante, apresentando com os mais belos fiordes, que, em contraposição, ostentava um povo cordato, bonito, cosmopolita e muitíssimo bem-educado.

E desbravei aquele país, imaginariamente e apoiado por qualquer tipo de referência escrita e visual que me caíam às mãos. Prometi a mim mesmo que a minha vida não estaria completa até que eu pisasse em Reykjavik, fosse até Akureyri, no extremo norte, misturado naquela multidão de lindos gigantes vikings.

Naturalmente, veio a faculdade, com todo o seu concreto realista, significando também uma transição de vida. O que, evidentemente, foi-me tirando deste ciclo escapista. As cartas foram gradativamente rareando, até desaparecerem. E com elas, foram-se, também, os planos de conhecer, in persona, todos aqueles países e aquelas gentes. Foram idéias que eu deixei engavetadas por muito tempo e que eu retomei, recentemente, em mais um dia ocioso a vagar pela rede. Além de tudo o que eu já sabia sobre a Islândia, descobri que os caras lá, além de pra lá de open-minded, são, ainda, lindos. A única boate gay de Reykjavik consegue reunir belíssimos espécimes humanos...

Hmmmm... Um dia, quem sabe. Quem sabe, logo.




 
Um CD de músicas românticas, bregas, meigas, melancólicas e roedeiras de dor-de-cotovelo (com sotaque paulista, especialmente pra você). Um pout-pourri da minha faceta pop, que deseja e que sente coisas comuns...:

1) All Saints - Never Ever
2) The Bengals - Eternal Flame
3) Sade Adu - By Your Side
4) Gabrielle - Out Of Reach
5) Lee Ann Rimes - I Need You
6) Jamie O'Neil - All By Myself
7) Heather Nova - Heart and Shoulder
8) Jewel - Standing Still
9) Jewel - This Way
10) Madonna - This Used To Be My Playground
11) Tori Amos - Silent All These Years
12) Mandalay - Beautiful
13) Patricia Kaas - Il me dit que je suis belle
14) Patricia Kaas - Je voudrais la connaître
15) Adriana Calcanhoto - Devolva-me
16) Carly Simons - Coming Around Again
17) Carly Simons - It's Too Late




 
Dear Kitty,

Eles tinham comido meu último post, como acabei de perceber. Republiquei o dito cujo (aliás, escrito num momento de intenso mau humor) e espero que ele tenha ido ao ar. Bom, eu tenho andado meio ausente daqui, de qualquer forma. A minha cabeça tem trabalhado demais e, com o estado merdal em que este micro tem trabalhado, não me sinto disposto a correr o risco de ter tudo apagado.

Terminei a tradução, ganhei um dinheiro razoável para dois dias de trabalho e acho que vou continuar prestando meus serviços a essa moça aí. Uma maneira de ganhar algum dinheirinho sem fazer muito esforço e, claro, de me inserir em todo aquele bem conhecidíssimo papo de "aprimoramento da auto-estima" e todo o mais.

Falando em jargões, hoje teve terapia, e, inacreditavelmente, foi uma sessão proveitosa. Mas eu não me sinto animado a postar sobre isso. Acho que psicoterapia é como uma viagem (na real acepção da palavra, em que você toma trem, ônibus, avião, blablabla, e não no sentido junkie) - levam-se alguns dias, depois da volta, para absorver tudo. No meu caso, são algumas horas, mas eu ainda estou meio anestesiado.

A propósito, eu ando-me enchendo de resoluções, coisa que eu não fazia há séculos. Já disseram que os lugares e os objetos das pessoas são extensões da sua própria personalidade, e acho que isso procede. O meu quarto estava uma zona completa, o autêntico Mundo do Beleléu de um livrinho infantil que eu li nos meus verdes anos - uma desordem física refletindo a minha confusão mental. Posso estender isso ao meu carro e ao meu computador que vivem aos trancos e barrancos. Diante daquele chiqueiro em que eu estava imerso, tive um acesso de cinco minutos e tentei ordenar aquele amontoado de papéis, de garrafas de refrigerante vazias, de roupas espalhadas, de livros jogados em todos os cantos e de CD's fora das suas respectivas caixas.

Diante desse caos todo, me desesperei. Me desesperei porque não sabia por onde começar a arrumação, nem como separar dejetos imprestáveis daqueles que poderão ter alguma serventia no futuro. Embora tenha disposto os livros na estante (havia alguns até jogados embaixo de cadeiras) e reorganizado as minhas roupas, meu habitat está longe do ideal - eu ainda me sinto dentro de um emaranhado disforme.

E, retomando a comparação tosca e doméstica (em sua homenagem, Solange!), percebi, do desleixo com que venho tratando as minhas coisas, o quanto venho negligenciando a minha vida. E, mais do que isso, me dei conta de que eu ainda espero mudanças milagrosas, ainda acredito que um único evento vai ter o condão de, magicamente, pôr ordem na minha vida. Eu sei que é tudo balela, que, infelizmente, as coisas vêm muito aos poucos e que não haverá um momento especial e iluminado que vai ter a força de dissipar as minhas angústias.

Pensando nisso, logo depois do arremedo de faxina (em que eu estava de certa forma, me faxinando), me sentei à minha escrivaninha, tão pouco utilizada, e resolvi esboçar, no papel, algumas metas a ser atingidas. Objetivos palpáveis mesmo, de ordem financeira (coisas cuja aquisição eu havia deixado de lado), e o cumprimento de certas tarefas banais (tirar documentos, resolver aquele meu problema com notas).

Por ora, está tudo no plano ideal. Além de não estar conseguindo concatenar adequadamente todas as coisas de que eu preciso, eu tenho medo de exteriozá-las, seja oralmente, seja por escrito. No fundo, além dessa dificuldade sistemática, tem toda aquela crendice de que, se eu ficar falando dos meus planos muito abertamente, eu dou espaço pra que os infortúnios apareçam e desmoronem todos os meus ideais.

Inferno astral. Daqui a pouco, tem de passar.




Segunda-feira, Julho 08, 2002
 
¡Nervios!, diria mais um ótimo amiguinho meu (nem vou colocar link pra blog, porque a criatura já deixou de atualizar suas páginas há milênios!). Bom, estou às voltas com uma tradução mala de três textos médicos em inglês. Uma pós graduanda em fisioterapia, daqui, simplesmente não conseguiu decodificar merda alguma do texto-tarefa que lhe foi dada e sobrou pra mim. É uma coisa desagradavelmente surpreendente, já que, salvo melhor juízo, essas criaturas são submetidas a um exame de proficiência da língua inglesa. Claro que vou cobrar um preço mais-que razoável por isso.

E eu ainda sequer pude ver a pessoa que não deveria estar aqui, mas está. Continuo com minha prisão decretada há dois meses (e cinco dias, se quisermos ser mais exatos), o que já lhe retira qualquer sinal de caráter preventivo. Isso já atingiu o sadismo e a ilogicidade, é o basicamente o conteúdo das inúmeras mensagens e conselho qeue recebo.

Tá, eu entendo que meu pai teve mil razões pra tomar as medidas que tomou, só que eu peço o mínimo de coerência das pessoas que me cercam, especialmente aquelas que, como daddy se dizem isentas de qualquer traço de imperfeição - muito embora eu mesmo me reconheça como um poço de teses e antiteses hegelianas, sem qualquer direito a síntese.

O que me deixa puto é que ele se disse todo assaltado por preocupações, em virtude do "ocorrido", até se mudou pra esta casa, mas so what? Ele continua insistindo na tecla da ausência, sumindo de casa, religiosamente e no mínimo, quatro vezes por semana, a título de, usando as suas próprias palavras, "ter o seu relax". Pois bem. Eu realmente compreendo que as pessoas precisam dos seus momentos de descontração, mas eu acho um pouco questionável que um suposto pai de família fique fora tanto tempo e, pior, exija que seus filhos sigam uma postura santarrona e ascética de vida. Nevermind, eu não estou com paciência pra desfiar todos os meus conflitos freudianos-familiares e blablabla...

Vamos atribuir toda esta raiva do mundo que estou sentindo do mundo ao meu inferno astral que, desta vez, é literal mesmo. Dia 20 está aí, aumentando um dígito na minha carteira de identidade e dizem os experts no assunto que, depois disso, eu vou viver algum tempo de calmaria. Sou cético por natureza, mas vou-me agarrar a isso e estabelecer um deadline: se até uns dez dias após do meu aniversário, eu não sentir qualquer tipo de melhora, vou recorrer a algum tipo de ajuda curandeira mesmo.




 
Rest in Peace? Not anymore


Quebrando o tédio que tem assolado a minha vida e, por que não, o mundo blogueiro (detesto esse neologismo, mas não há outro), ele voltou.




 
Bonjour!

Acordei e já tenho de ir pra . É, o feriado não foi emendado, como já era de se esperar.

Na falta de algo melhor, muita folha de fichário e muita tinta azul vão rolar esta tarde.

E, claro, também vou cultivar meu calo da mão (sem malícias, please - antes fosse esse!) que estava adormecido desde a empreitada do vestibular.




Domingo, Julho 07, 2002
 
J'adore ICQ

"You have attempted to login too many times.
Please try again in a few minutes. Select 'Standby Mode', ICQ will automatically launch itself when available. To signify that you are in 'Standby'mode, the flower in the tray will be yellow.
Message Code: 124)."




Sábado, Julho 06, 2002
 
Motivada pelas ensinanças de Drauzio Varella, Solange Boneca decidiu enfrentar a dura empreitada de parar de fumar. Vamos dar as mãos e orar pelo seu sucesso.



 
TESTE.



 
...



Sexta-feira, Julho 05, 2002
 
"Sorry, publishing is temporarily unavailable."

"Why?"

Lacônica resposta do Blogger: "server maintanence".




 
Meu computador tem sido muito indócil - a configuração prometidamente "estável" do Windows 98 se revelou apenas uma prova de incompetência e/ou preguiça do técnico, que instalou essa versão jurássica do carro-chefe-monopolizador de Bill Gates ou porque não sabia lidar com as versões mais avançadas do mesmo.

Se antes eu não podia usar o ICQ, agora eu sequer posso abrir o meu Outlook; não posso tampouco abrir páginas na rede sem receber inúmeros avisos de erro de script; e, claro, tem aquela famosa e nada saudosa tela azul, com ininteligíveis avisos que, em suma, significam que você se fodeu, que você vai ter de reiniciar o seu micro e que você vai ter de esperar uma eternidade pra entrar no Windows de novo. É claro também que tem outras mil coisas, porque até os chiliques do meu computador, reproduzindo a minha vida como um todo, são intensos e imprevisíveis. Eu poderia usar o muito tempo que eu espero meu Windows abrir de novo pra fazer uma listinha, mas essa não me parece uma hipótese interessante e, ainda, já uso a minha cota permitida pra escrever à mão quando estou psicografando as longas aulas deles.

Fato é que, se essa instabilidade toda me deixou impedido de ouvir música, de ver e-mails, páginas e afins, imaginem a minha falta de vontade e de paciência pra vir aqui postar. E claro que também tem a sem-saboria que a minha vida tem exibido, o que não dá muito sentido a vir até aqui relatar os meus pensamentos. A única coisa interessante que tenho a dizer é que passei os últimos minutos, em que eu consegui miraculosamente ficar conectado, fazendo a avaliação docente da idolatrada universidade. Meu mau humor aumentado pela porcaria que é aquela faculdade geraram, no meu formulário, um altíssimo índice de "muito pouco" e de "regular". Pena que a caixa reservada a comentários por extenso só admitia, no máximo, 240 caracteres.

Ah, eu tinha tanto mais a dizer lá pra eles, já que, por aqui, me faltam palvras e idéias.




Quinta-feira, Julho 04, 2002
 
Beth Gibbons (Portishead)

OVER

Portishead

I can't hold this day
Anymore
Understand me
Anymore

To tread this fantasy, openly
What have I done

Ooh this uncertainty, is taking me over

I can't mould this stage
Anymore
Recognise me
Anymore

To tread this fantasy, openly
What have I done

Ooh this uncertainty, is taking me over
is taking me over

To tread this fantasy, openly
What have I done

Ooh this uncertainty, is taking me over
is taking me over
is taking me over




 
Dia de terapia. De entrar no prédio, de ouvir a campainha repetitiva do elevador, de entrar no lobby padronizado em rattan, e de deparar com com reproduções que não possam dar margem a qualquer tipo de relação fálica-freudiana (a Associação dos Psicanalistas certamente dispõe de um acervo de móveis e de obras de arte "autorizados" para comporem um consultório). Paredes amarelas texturizadas, vasos de plantas, mais rattan, mesinha com cinzeiro e lencinhos a postos...

...Jargões soltos pela minha boca e preenchendo meus ouvidos. "Você está projetando", "voracidade oral", "buraco a ser preenchido", "desvio de sexualidade", "síndrome Peter Pan"... Uma conversa de botequim adquire outros ares quando não há álcool inebriando os seus interlocutores, quando a terminologia aplicada é mais acurada e quando se pagam cento e vinte reais por ela.

São basicamente esses elementos que fazem com que aquelas conclusões que beiram à obviedade subam à categoria de epifanias altamente reveladoras. E que, em termos mais absolutos e genéricos, provam que precisamos de ilusões para nos esquecer de nossas misérias e, sobretudo, para acreditarmos que é possível remendar a má-por-natureza natureza humana.





Quarta-feira, Julho 03, 2002
 
*** O filho da puta do professor (que pleonasmo!) me deu zero de seminário (aliás, Solange Boneca, pra você também, como em breve vou-lhe informar por telefone!). Essa nota seria composta, em tese, pela apresentação de um seminário e de um trabalho escrito. Fiz o primeiro, mas não o segundo e, com isso, ele se achou no direito de antecipar minha Páscoa e me entregar esse ovinho aí. I wouldn't care at all se, com isso, a minha média geral não caísse pra um hediondo 4,5 e eu fosse pra reavaliação. Claro que eu já fui ao Departamento reclamar, mas nem o velho nem o seu asslicker das botas Caterpillar foram localizados. Então, vou ter de, só pra fazer as coisas um pouco diferentes na minha vida, esperar;

*** O meu micro também está uma merda. O técnico veio aqui ontem, embolsou seus trezentos reais, ficou de voltar hoje e, claro, não o fez. Espero que eu não esteja sendo vítima de mais outro 171 da vida. Fato é que esta merda está sem vírus, mas o infante que veio aqui (cruzes, ele tinha idade pra ser meu filho, I do mean it) insistiu em instalar o Windows 98 (que vergonha), me jurando que o sistema era mais estável. Resultado? Esta droga de computador está mais lenta do que uma criança limítrofe dopada de Lexotan. Só a título de ilustração, eu simplesmente não posso abrir uma janela do Explorer sem que as minhas músicas tremam, brindando os meus ouvidos com um remix indesejável;

*** Daqui a pouco, tem terapia. Vamos esperar. De novo.




Terça-feira, Julho 02, 2002
 
Mensagens do fundo do abismo...

*** Meu ICQ voltou - quem foi desnaturado e não me pediu o UIN novo, não precisa mais se preocupar!

*** A quem me mandou e-mail recentemente e não obteve resposta, favor retransmitir. Meu catálogo de endereços do Outlook foi todo pro saco;

*** Sim, continuo de péssimo humor com a vida acadêmica; as férias mal começaram e eu já tive o desprazer de ganhar uma nota baixa e mal calculada. Vou ter de levantar mais cedo amanhã pra resolver esse pepino.

*** Por ora é isso. Estamos fechados e, por enquanto, e não temos pão velho. Se quiser, deixe o recado aí embaixo.




 
Amanheci sem blog, o que pode significar que estou parcialmente sem voz. Nem sei se este post vai conseguir ir pro ar, mas eu preciso dizer que agora eles são meu mais novo objeto de ódio.



Segunda-feira, Julho 01, 2002
 
Isn't It Ironic?

Ao contrário de 99,999999% da população brasileira, eu não assisti à final ontem. Mas não foi só por pura birra que eu não me plantei em frente à televisão e fiquei deixando meus olhos correrem por aquela tela, freneticamente seguindo o curso de uma bola; também ao contrário de 99,99999% da população brasileira, eu simplesmente não gosto de futebol. Não vejo graça alguma e, honestamente, esse tipo de evento esportivo rodeado por muito alvoroço e alarde me faz lembrar que não evoluímos porra nenhuma desde a política panis et circensis de Roma Antiga. E eu preciso-me iludir um pouquinho e acreditar que houve algum aprimoramento dos seres nesses milhares de anos, porque senão eu fico mais deprimido e acho que tristeza é uma coisa da qual eu já ando muito bem servido, não é mesmo?

E não me venham acusar de ser elitista-porco-esnobe-que-faz-pouco-caso-das-paixões-nacionais. Primeiro, porque esse comentário, considerando o tipo de gente que normalmente o emite, provavelmente me soaria como elogio. Segundo, porque isso é uma grandessíssima impostura. Eu ainda acho a carne daqui uma das melhores do mundo, as nossas frutas são umas das poucas no planeta inteiro que ainda têm gosto de fruta e acho a nossa literatura imbatível (se alguém, por exemplo, achar quem chegue perto da originalidade e do lirismo de Guimarães Rosa, me conte, por favor!). Eu poderia prosseguir com uma infinidade de exemplos ilustrando os predicados do meu país, todos muito bem conhecidos e verdadeiros, mas não é essa a intenção.

Bom, embora eu não tolere futebol, não tive outra escolha senão ficar acordado durante o famigerado jogo, porque dormir com todo aquele barulho era impraticável, ainda que eu estivesse munido de todo o estoque de Valiums disponível na cidade. Então, havia duas opções: a velha e boa Internerd ou o sofá + televisão. Não preciso dizer qual escolhi. E já que era tudo uma droga, apelei pro IRC. E, para minha surpresa e contrariando o espírito raso e imundamente cruising que impera nos bate-papos (ou seria bate-punhetas mesmo?) da net, tive uma das raras boas conversas que eu posso contabilizar nesses alguns anos como navegante. Claro que eu não sou tão Cinderella assim e não nutro grandes pretensões. O mais irônico de tudo é que o cara era alemão.




 
E o mês de julho já chegou - acabo de me dar conta porque a minha tia me relembrou que hoje é dia de acender senko (incenso japonês) no altar dos nossos antepassados. Acho que eu nunca falei muito de religião aqui. Além de ser um assunto extremamente delicado e totalmente impassível de qualquer tentativa de explicação racional, o tempo me mostrou que discussões nesse sentido são infrutíferas e periféricas. Vivi cercado por uma babel de credos religiosos e percebo, com alguma propriedade, que os preceitos que guiam todas religiões são os mesmos. Esse conhecimento, entretanto, deve ser creditado especialmente às lições que a minha avó, implícita e sabiamente, me deixou.

A minha avó era budista praticante, que encontrou na religião o alívio para uma loucura que ameaçava-se instalar nela. Após tentativas caras e subseqüentes de busca de ajuda médica, foi apenas com o velho Ibaragui Nissui que a cura foi achada. E ela não era praticante só porque ela rezava o mantra três vezes por dias, sempre com o terço budista em mãos, ou porque era ciosa de todas as outras obrigações formais que a religião lhe impunha (mesmo fraquejando nos últimos dias de sua vida, ela ainda insistia em carregar as pesadas bandejas de oferendas ao altar). Mas, sobretudo, porque ela realmente vivia de acordo com os ditames que a sua religião pregava.

Uma das minhas tias tornou-se fervorosa Testemunha de Jeová; eu fui batizado na Igreja Católica e, como já contei, fiz todo o meu ensino fundamental num colégio de freiras (onde, também como já contei, comecei a construir a idéia de hipocrisia religiosa, percebendo, por exemplo, a incongruência entre pregar a tolerância e viver condenando, com base em critérios altamente questionáveis, os outros ao fogo do inferno); uma outra tia minha é dada a crendices populares e vai regularmente a benzedeiras e adivinhas sincréticas. Em meio a toda essa diversidade religiosa em que a minha família vivia, jamais vi a minha avó, aproveitando-se do seu status de chefe da família, dizer que a sua religião era melhor do que a dos outros.

Muito pelo contrário. Nas poucas vezes em que ela se pronunciava abertamente a respeito do assunto, ela dizia, com toda a serenidade que lhe era cara, que todas as religiões levam ao mesmo lugar. Que, por exemplo, mais vale um ateu ou um agnóstico que não sacaneam o seu colega de trabalho do que uma católica de mantilha e assídua a todas as missas da manhã que cresce os olhos invejosos quando vê um vizinho com um carro melhor do que o seu.

São idéias hoje muito disseminadas e repetidas exaustivamente por tantos, e que, como todas as outras idéias amplamente difundidas, caíram na mesmice e tiveram muito do seu sentido esvaziado. Idéias por muitos sabidas, mas por poucos, efetivamente e com genuíno sentimento, aplicadas. Eu tenho meus mil incontáveis e reconhecidos defeitos, mas, ao contrário de muita gente por aí, certas noções régias não são, para mim, meras palavras bonitas para ser colocadas no papel.




 
PAYLIST

Telepopmusic - Breathe.

Já disseram que a música é um dos espelhos da alma. Então, se quiser saber a quantas eu ando, é só ver o que está rolando no meu Winamp. No momento, descobri Telepopmusic. Essa música, especialmente, é muito gostosa, um clima meio chill in, calmo e urbano...




 
Este é um dos poucos lugares em que eu posso exercer, na íntegra, aquela porção de menina choramingona, que todos, à parte de preferência e de gênero sexuais e tantos outros bichos, carregamos dentro de nós. Embora esse pendor à tristeza seja inerente à natureza humana, somos reiteradamanete ensinados a sufocar essa nossa inclinação a reclamar. Reservamos essa verve pessimista a artistas desajustados e visionários que só terão suas genialidades reconhecidas devida e postumamente, ou, pior, a seres inferiores, que se curvam, fácil e debilmente, às intempéries.

Desde pequenos e a todo instante, recebemos maciças descargas de preciosidades tais como "chorar é coisa de fracos e desocupados" , o que nos disciplina a manter distância das pessoas com tendências depressivas, acreditando que esses seres são pedras de tropeço das quais emana uma energia negativa e contagiosa que vai-nos arrastar à condição de contraproducentes e que vai-nos impedir de seguir em frente e obter tudo aquilo que foi estabelecido como sinal de sucesso.

Comigo, não podia ser diferente. Eu tento espantar esses pensamentos de insatisfação, só que, como moscas indesejáveis, eles insistem em ficar-me rondando. Tento-me convencer de que reclamo por nada, que sou um ingrato, que tem muita gente passando fome; enfim, tento-me segurar em todos esses argumentos que já começamos a internalizar, na tenra infância, como a mais absoluta das verdades. E, apesar de saber que existe uma outra lacuna que, para ser preenchida, demanda um pouco mais do que cama, mesa, banho, livros e carros, me enquadro imediatamente como injusto e exigente quando me vejo querendo mais do que cama, mesa banho...

Por mais que eu saiba a falácia que o raciocínio contém, tomo como descabida qualquer reclamação minha - afinal, eu não sou nem um artista visionário e eu não quero ser um daqueles seres inferiores. E fico aqui, sem fazer barulho, vivendo meus dias mecanicamente, aceitando tudo o que os outros querem que e faça. Só que estou apresentando sinais inequívocos de um quadro depressivo e crônico: custo a dormir e, quando consigo, acordar torna-se outro custo invencível; por causa disso, faltei hoje ao cursinho; estou fumando muito e meus dias são passados quase integralmente entre o computador, o quarto e a cozinha.

Mas, como eu já disse, não posso reclamar disso. I can't be taken as a weak and hopeless person. Então, venho aqui, pra este meu cantinho, choramingar. Ainda assim, em silêncio.