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Sexta-feira, Novembro 29, 2002
E o barco fura...
Só ouço o que eu quero na minha playlist do Winamp. Uma miscelânea toda de músicas, compreendendo desde as que têm o cheiro de naftalina e de Dior 5 e a sonoridade dos choros de corno, até aquelas outras que muitos entendem como barulheira repetitiva para urbanóides alienados em suas pílulas mágicas sortidas. Mas, na minha seleção pessoal, não entram, dentre muitas coisinhas, nem o pagode, nem o axé, e nem bandas experimentais indie.
Também só leio o que eu quero. Às vezes, por referência de outros, outras tantas pelo meu gosto pessoal que fui construindo com o tempo. Aqui, meus preconceitos são menores, já que eu realmente leio de tudo. Eu me esmero para construir a realidade do jeito que eu quero, moldando-a com elementos que condizem com meu gosto pessoal, aquela colcha de retalhos que se juntam ao acaso e sem explicações.
Meu quarto é cercado das minhas reminiscências - as fotos no mural da parede, meus enfeites. Também só vou a lugares que não me lembrem das misérias humanas. Passear pelo Centro Velho de São Paulo sempre foi um suplício pra mim, aquele purgatório com os pedintes, os camelôs e todos os demais elementos que avivam a lembrança de que há tantas mazelas neste mundo.
Não gosto. Sei que tudo isso acontece, mas sou autista mesmo e me esforço bastante para construir habilidosamente a minha concha dourada de bem-estar. Minha concha acusticamente fechada, onde só entra o que eu quero. Mas os bilhetes do mundo de fora passam por baixo das pequenas frestas das minhas portas pesadas, as cortinas batem com o vento e me deixam entrever o horror do que se passa por lá.
Escrever, para mim, é um ato divino e apaixonado. Ah, escrita, paixão que veio pouco depois da sua irmã siamesa, a leitura. Escrever e ler, São Cosme e São Damião. Meu primeiro livro foi um Os Mais Belos Contos de Fadas, presenteado lá pelos três anos de idade. No início, liam para mim, a minha tia lia para mim empostando a voz, enquanto os olhos seguiam aquelas letras pequenas e pretas, as mãozinhas sempre pintadas de vermelho e cheias de anéis apontando as figuras vívidas, Olha aqui a Rosa Branca e a Rosa Vermelha... E lá estavam as duas irmãs, na choupana, resplandescendo como duas faces da mesma moeda. A capa dura e verde-água, ilustrando fadas, duendes, elfos e todas aquelas entidades mágicas que compartilhavam os segredos que na época eu entendia tão bem. A capa dura, grossa e espessa como que para guardar e para conter a força aquelas histórias tão fabulosas, que emanavam a maciez dos véus de princesas e de rainhas, a crueldade dos vilões e das madrastas, a bravura fulgurante das espadas dos príncipes.
As forças absolutas concentradas num único personagem, as forças que duelavam umas com as outras, para que só uma, a melhor, prevalecesse. Que vença o melhor, já vamos aprendendo isso desde pequenos, no início ainda imbuídos pela idéia do jogo justo. A limpidez do fairplay que se vai questionando e que se vai deixando de lado com os aprendizados. O tamanho gigante do livro, que eu mal conseguia abraçar e abrir, o mesmo tamanho do meu eu. O meu eu que, depois, foi crescendo por fora, que foi trocando as sandalinhas de couro Ortopé-ortopé-tão-bonitinho por tênis ortopédicos mais duros e mais feios, mais sólidos para que eu já começasse a pôr os pés no chão. O meu eu que foi, também, diminuindo por dentro, naquilo que não é possível medir com os olhos nem com a fita métrica... Nesse cresce-diminui, o livro foi ficando menor, mais leve e menos atraente, foi ficando remendado pelo uso constante, foi ficando esquecido. Não servia mais às mãos, ávidas por pegar tudo, nem aos pés, que não eram mais alados, mas fincados ao chão em raiz firmíssima. E, até que, enfim, o livro cumpriu o destino final de tudo, que é o de sumir. Meu livro verde sumiu, com e como aquele esperançoso conteúdo dele, tão idêntico ao guardado que eu tinha dentro de mim.
A leitura virou Literatura, a maiúscula. Metamorfose lenta de lagarta que vira borboleta, que ganha tanto e que perde outro igual tanto. Menos intuitiva e subjetiva, mais crítica e atenta aos detalhes formalizados. Rima pobre, rima rica, rima preciosa, os "ismos" dos realismos, dos romatismos... Mas prossegue, a grande Literatura, refletindo, em palavras, em enredos e em tantos outros recursos, a mesma grande essência do mundo dos meus, dos nossos sentimentos.
Não me lembro nem de quando, nem de onde nem de porquê, mas houve uma conjunção de tudo isso que me levou às tentativas de escrever. De percorrer o caminho inverso, para fechar o ciclo. Bem, eu posso até tentar encontrar uma razão: cresceu dentro de mim aquele fermento que me impelia a tentar que eu me descarregasse um pouco, as palavras saindo dos dedos como a teia sai das patinhas agéis da aranha. Uma tentativa de rendição, de compreensão daquele especial, único e só meu que eu não achava nas palavras dos outros. Quem sabe, retirando os fios emaranhados do meu dentro para o de fora, eu não conseguiria colocar alguma ordem ao meu caos interno?
Quando escrevo, para mim e para os outros, estou-me desnudando. Cada vírgula colocada naquele lugarzinho pode denunciar a minha segurança naquilo em que eu deveria ser inseguro, ou as minhas incertezas naquilo em que eu deveria ser sólido e firme. É por isso que eu guardo, com a linguagem escrita, relação de profunda e sincera reverência. As primeiras palavras que um livro me ofereceu falavam de mágica, de forças de primeira grandeza. Já prenunciando e sublinhando a função maior das palavras, a de desvendar segredos, ou de trancá-los num alçapão.
Escrever é um ato que demanda e que merece respeito, e carinho, e amor, e esmero, e todos os outros sentimentos de devoção. E é triste, nesta época de massacre dos mais inocentes, dos mais veneráveis em sua maleabilidades e em sua fraquezas, ver as palavras sendo maltratadas. Junto com os bichos e com as crianças.
Isto é um horror. Mais um pra se juntar ao grande e infindável amontoado de horrores do Grande Horror que se tornou este planeta.
Estou repetindo os mesmos bordões dos mais velhos, sim; estou seguindo o modus vivendi estereotipado daqueles cabelinhos algodoados, daqueles dedos em riste e daqueles olhos arregalados. Que se escandalizam com todas as transformações a que assistem. Estou repetindo este comportamento porque me sinto exatamente assim: escandalizado, indigano, e todos os outros "ados" da conotação do mal-estar.
Há tempos, eu desisti dos noticiários. Primeiro, eu desprezava os de papel, sob a alegação de que a tinta e o cheiro me faziam mal. Depois, eu percebi que aquela repetição de atrocidades, todas iguais em teor e que apenas mudavam de endereço e de vítimas, eram a raiz de todo o mal. Um antídoto que esmigalhava a já minha pouca alegria e que alimentava, em generosas garfadas, o meu ceticismo. E desisti dos noticiários televisivos. E dos virtuais, também.
A alienação independe da necessidade de tomar ciência dessas barbáries. Qualquer ser minimamente sensível sabe que vivemos em tempos de merda. Já tenho meu bom quinhão de masoquismo para torná-lo ainda maior com esse tipo de informação.
É com muita constância que a vida nos oferece uma série de lições a ser aprendidas, um outro bom punhado de belezas a ser apreciadas, tantas coisas... Pois somos rodeados por uma infinidade de coisas já boas em seu próprio estado bruto; e, por isso, prontas para ser desfrutadas integralmente; e, melhor, sem o peso daquelas cobranças todas que já tomamos como certas e obrigatórias. É, nem sempre é preciso pagar, com a dor da concessão, para se obter a glória de um ganho.
Mas estamos, primeiro, tão absortos em nossas rotinas enervantes e nas nossas pequenas preocupações agigantadas pelo molde distorcivo e egoísta das nossas mentes, que não nos damos conta disso. E estamos, ainda e me repetindo, tão acostumados à idéia de desconfiar da gratuidade das coisas, que equacionamos, instantânea e inconsciente (ah, o id!) qualquer adição à outra e necessária subtração.
Estou dizendo tudo isso para contar que, ontem, eu recebi dois conselhos de vida. Ou melhor, recebi um único conselho, talvez o único - tão óbvio e, por isso, talvez o mais difícil de aprender - por meio de duas experiências. Experiências que já poderiam ter ocorrido há tanto tempo; ou que, melhor explicando, já aconteciam há muito tempo, mas jamais tinham recebido a atenção devida. Experiências que sempre estiveram ali, nas berlindas que espreitam o meu dia-a-dia, e que eu sempre ignorei.
A primeira dessas experiências aconteceu na ante-sala do meu confesionário moderno. Entrei no espaço de vidro, de móveis contemporâneos, mergulhado no silêncio branco. Invadi esse terreno, agora tão familiar, já irritado pelo mormaço inconveniente do meio da tarde, pelo suor que ameaçava desnaturar o meu arquétipo de perfume e de gel e pela perspectiva de enfrentar um calvário muito pior na hora de sair de lá.
Desde que eu comecei a me terapeutizar à tarde, conheci a secretária. Íris. Ontem, ela estava sob duas peças daquele azul que é muito claro e denunciador em seu espírito tênue e aparentemente pueril. Cinqüenta e três anos contabilizando uma viuvez por assassinato. E ela, também assassinada, pela traição do marido em longos anos de uma alongada fidelidade unilateral. Esta fidelidade que, mais do que sinônimo de virtude, soaria a muitos como prova de inocência verde e de dignade de ser predada pela seleção natural.
Mas ela não foi presa da voracidade das circunstâncias. Ela estava lá, mais-que viva, o Sol da pele queimada e cheia de vida, feito o próprio Astro-Rei iluminando o oceano das vestes. A pensão miguada que recebia e que a havia feito passar fome, as humilhações sofridas publicamente no pronto-socorro emocional dos tribunais, todos esses flagelos que açoitam tantas pessoas, nada... Na-da havia conseguido macular sua alma a ponto de torná-la um farrapo humano que assombra os olhos alheios com a exposição das suas chagas.
Minha casa. Minhas tias. Falo tanto e tão pouco delas, que já viveram, individual e temporalmente, o triplo do que eu. E que, emocionalmente, viveram muito mais do que eu consigo imaginar caber no espremido de uma única existência. Há pouco a dizer e muito a aprender com aqueles que guardam a síntese mágica das coisas... Ontem, eu estava digitando um quadro de avisos, aqui no computador, para ser afixado na nossa casa de praia. A casa de praia, que veio depois da primeira e antes desta. Todas arduamente conquistadas, num espírito de colaboração entre os doze irmãos e irmãs.
Tia I., a mais velha, a que trocou desde muito cedo as poucas bonecas de sabugo de milho pelos irmãos, que a vieram seguindo numa longa seqüência que se ia multiplicando mais e mais a cada ano. As panelas em miniatura da infância eram os grandes boiões de ferro pesado dos adultos, que se puseram à frente, exigentes. No interior, no agora, e no intermezzo purgatório do bar...
Tia T., no balcão do bar alugado, chorando por cada moeda e por cada nota que ela não conseguia economizar para guardar na sua frasqueira vermelha. E, talvez, por cada veio, já tão recessivo, de juventude que lhe ia escapando. Tia T., depois cortando os cabelos alheios na garagem da casa nova e contruída, de onde ela ainda não saiu, esta casa vinda depois de muitas frasqueiras vermelhas enchidas de cifras e transmitidas ao banco em seguida. Tia T., indo ao Japão, numa idade em que muitas mulheres já reclamavam a falta de forças para levantar uma panela. Ela levantou blocos mais pesados do que as inocentes panelas, e não só no horário, estipulado e limitado, das refeições...
Tia L., erigindo todas as casas, reformando-as quando necessário, providenciando cada lâmpada que se queima, restaurando a luz quando ela termina, providenciando cada coisa que falta. O Leão soberano que a rege nas estrelas a tornou sua filha legítima e a fez liderar em seus olhos sempre pintados e altivos de felino, na idade que não se demonstra, nem na alma e nem nos seus reflexos gestuais que dela derivam...
Tia A., a mais arredia, a mais okinawana em compleixão física. Testemunha e síntese dos tantos pontos que marcam qualquer saga da coletividade da família...
E Tia M, a mais nova, a nenê, em tamanho, em gosto pelas gulodices. De quem eu, minha irmã e meus primos fomos os sucedâneos naturais das bonecas, já de pano e de plástico, que a idade não mais a permitia ter. E que a outra idade as queriam apenas emprestadas...
É. Há muitos que não transmitem o legado da nossa miséria. Porque foram destinados e eleitos para realizar outras formas de transmissão da essência. Formas melhores e que transmitem, também, o melhor de nossos eus.
Trinta e quatro graus. 23 de maio engarrafada no meio da tarde. No meu carro sem ar-condicionado, que eu nem arrumei por estar, há tempos, esperando que a distinta concessionária me entregue o novo. Por enquanto, sem identificações internáuticas; não vou dar, por ora, nomes aos bois, ou melhor às vacas. Bem por enquanto. Porque juro, se os miseráveis não realizarem a traditio do bem muitíssimo em breve, este blog vai-se transformar em um eu-odeio-a-concessionária-e-a-fabricante por tempo indeterminado. Com indicação, profusa e insistente, de nomes.
E o Sahel está de volta à terra que foi da garoa um dia! Ninguém merece, é o que muitos diriam, seguindo o fluxo da expressão que já tomou conta. Eu, como sempre, digo que algumas pessoas mereceriam sim. E até um pouco mais. Mas não eu.
Exija que a vida lhe dê tudo. Que, mesmo assim, isto nunca será o bastante. Não poupe o mínimo átomo do que lhe rodeia para atingir esse ideal hedonista: engula, sugue, absorva aspire. Mas cuidado pra não levar isso muito ao pé da letra.
Porque você pode amanhecer rodeado de cadáveres.
Que humorzinho idiota.
Como eu disse antes, as pessoas estão loucas mesmo. E isso não é mera retórica.
E, sem querer, eu comecei este dia com o lindíssimo texto abaixo, da Marina Colasanti. De quem eu sei pouco. De quem eu também li muito pouco. Acho que, na verdade, li só esse conto aí abaixo. Que é, aliás, um exercício de ensino da escrita. De como brincar com as palavras e de como fazê-las verdadeiras servas para expressar as emoções. Mas podem ficar sossegados. Por hoje - ou melhor, por este post - eu não vou cometer a sandice de discorrer sobre cada pormenor que pode ser extraído do pequeno conto, traçando meus paralelos e apontando os recursos estilísticos, invejáveis e de que eu jamais conseguiria fazer uso. Por este post, vocês estarão livres dos meus solilóquios literários.
Pois bem. Um ano que eu escrevo aqui. Seria tolo, óbvio e ululante eu dizer que muita coisa mudou, que eu sou uma nova pessoa, enfim. que todos aqueles clichês. Clichês muito verdadeiros - como todos - que dispensam que eu me alongue, já que eu imagino que a maioria das pessoas que vêm aqui tenham testemunhado todas as minhas transformações, evoluções, involuções e estaganações.
Essas datas me levam a um espírito de reflexão que desemboca na mais horrenda melancolia mesmo. Sempre acabo pensando mais no que não foi, no que deveria, ou no que poderia ter sido feito. Ou no que poderia ou deveria ter sido melhorado. Ou escondido. Ou apagado. É pretensão minha achar que esse sentimento é só meu. Até porque, no final, eu não sou tão perfeccionista assim...
*** Eu fazia personal trainer; hoje não mais... *** Eu estudava de dia; hoje, não mais... *** Eu estava com pavor de não conseguir meu deferimento de matrícula pro noturno! Hoje, meu pavor - na época, já existente, mas aumentado - é o de não passar na OAB e o de não conseguir emprego algum.
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para a frente e para trás, a moça passava seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado nas escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.
Não precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando na sua vida.
Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
- Uma casa melhor é necessária - disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. - Por que ter casa, se podemos ter palácio? - perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates de prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. Entre tantos cômodos, o marido escolheu pra ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
- É para que ninguém saiba do tapete - disse. E antes de trancar a porta advertiu: - Faltam as estribarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-se veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua pequena casa e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou, e espantado olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
***
Para Eiki, um conto de fadas. Um conto de Grimm em língua pátria.
Que a Internerd está coalhada de esquisitices de toda ordem, já estamos todos cansados de saber. Também sabemos muito bem que, quando julgamos já ter visto o exemplo mais bizarro que poderíamos conceber, imediatamente aparece uma outra mostra de quão imprevisível e, digamos criativa, é a raça humana.
Não tenho o que dizer, além de endossar e de reproduzir as mesmas palavras do Djoh...:
" (...) O amor pode fisgar você. Veja quantos espécimes maravilhosos existem em Inmates. Melhor de tudo é que muitos falam mesmo que querem se corresponder com homem, mulher, VIXE. O que cair na rede é peixe??? CONFIRA!
E não tenha preconceitos. Se até a Simony topou..."
E você, leitor, o que acha? Deixe a sua mensagem na urna aí embaixo (se ela estiver funcionando, claro!).
Piece by piece I release once was mine now undone turned blue like New Orleans and went down like a southern sun I still feel you beneath my skin I am tempted to throw my senses in 'cos its easier to fly than to face another night in southern sun and your love is all around (x2) in the air to set me free set me free you last like a song I'm deflated I am pieces on the wind unrelated I still feel you beneath my skin I am tempted to throw my senses in 'cos it's easier to fly than to face another night in southern sun and your love is all around in the air to set me free set me free 'cos it's easier to fly set me free
Foi ao som disso que eu fui deixando a festa ontem, saindo da enorme e já vazia pista, de costas, numa despedida calma, balanceada e feliz. Já estava sozinho nesta hora, porque as pessoas tinham-se cansado. Mas eu tinha-me prometido que eu precisava ouvir essa música, um dos hinos trance no meu Winamp deste ano.
Sou ruim para descrever eventos com apuro. Há pessoas imbatíveis nesse quesito, tais como a Criança Hype. Mas posso dizer que estava ótimo. Não tanto pela música, que não estava agradando a todos os meus convivas. Nem pela força do colocón, que, embora tenha-me proporcionado bons momentos de ápice, não foi devastador a ponto de me tirar do ar.
A organização foi perfeita, obedecendo àqueles preceitos básicos de qualquer festa civilizada - Skol Beats, aprenda que a entrada ocorre antes da revista - que não tornaram o acesso inviável. A decoração também estava muito boa, com um jogo de luzes bom e uma acústica bombástica e sem reverberações indesejadas. Mas tudo foi tudo bom por conta daquele fator que faz toda e qualquer diferença, sempre: as pessoas que estavam junto comigo. Mais uma vez, aprendi a lição do significado de aura e de vibe. O casal maravilhoso que eu tive o prazer de conhecer. A alegria da Criança Hype que, embora não estivesse no seu ponto mais alto de fofura e de outras coisas, não fez feio e vibrou muito. Carol e Menino Contente. Rio de Janeiro em ótima representação. E abraços e beijos. Em todas as modalidades e intensidades. Bom, mas estas coisas não cabem aqui, porque, como eu disse, certas parcelas da minha vida estão, por ora, restritas ao mundo particular da minha caixa craniana. Ou quando, muito, ao círculo também fechado dos que compartilham a minha vida real.
Pena mesmo que acabei-me desencontrando da delegação carioca. Espero mesmo que haja outras vezes.
Nota - graças ao Blogger, este post acabou saindo mais de vinte e quatro horas depois da sua elaboração original.
you are MDMA (or Ecstacy). you are many people's friend, and provide people with love and support for 8 hours at a time. just warn your friends not to hang out with you too much or they may tire of you. you may also feel the nervous tendencies of too much energy for too long.
You are ECSTASY! You are most popular with ravers, and you have a love for glow sticks and techno music. More and more people are considering you very dangerous, but the kids at raves wouldn't have a party without you!
"'cos its easier to fly than to face another night in southern sun"
Paul Oakenfold - Southern Sun
Estas teclas são fofas como um tapetinho de nuvens... A festa foi excelente, mas vou parar por aqui, que eu quero balancear tudo com mais vagar depois.
Recebi uma lição de um de meus filhos, antes dele fazer 14 anos. Haviam me telefonado avisando que uma moça que eu conheci ia tocar na televisão, transmitido pelo Ministério da Educação. Liguei a televisão mas em grande dúvida. Eu conhecera essa moça pessoalmente e ela era excessivamente suave, com voz de criança, e de um feminino-infantil. E eu me perguntava: terá ela força no piano? Eu a conhecera num momento muito importante: quando ela ia escolher a "camisola do dia" para o casamento. As perguntas que me fazia eram de uma franqueza ingênua que me surpreendia. Tocaria ela piano? Começou. E, Deus, ela possuía a força. Seu rosto era um outro, irreconhecível. Nos momentos de violência apertava violentamente os lábios. Nos instantes de doçura entreabria a boca, dando-se inteira. E suava, da testa escorria para o rosto o suor. De surpresa de descobrir uma alma insuspeita, fiquei com os olhos cheios de água, na verdade eu chorava. Percebi que meu filho, quase uma criança, notara, expliquei: estou emocionada, vou tomar um calmante. E ele: --Você não sabe diferenciar emoção de nervosismo? Você está tendo uma emoção. Entendi, aceitei, e disse-lhe: --Não vou tomar nenhum calmante. E vivi o que era para ser vivido.
Acabei de acordar. Meu desjejum foi a pizza que a minha irmã comprou ontem, requentada no microondas. Já fumei meu cigarro pós-refeição (quase ou tão bom quanto o pós-coito) e estou com aquele sentimento de satisfação. É, nos esquecemos do vazio de alma quando preenchemos o estômago.
Ontem o meu dia foi muito ocupado. Fui ao Shopping Kosher com a Carol e, para nossa desgostosa surpresa, eles não tinham mais os ingressos. A loja é toda novinha e eu achei estranho pensar que, até há pouquíssimo tempo, eu comprava meus perfumes naquele mesmo espaço, agora irreconhecível, com música eletrônica no fundo e com um sistema meio que pegue-e-pague. Mais estranho ainda foi descobrir que o dono da loja é conhecido meu, das baladas. Este mundo é um grão de areia, definitivamente. E, mais definitivamente, somos mamutes passeando por esse grão e nos entrechocando a todo instante...
Apesar do contratempo, a menina Carol conseguiu-se prontificar a ir ao outro local de vendas. Ela salvou o meu dia. Primeiro, porque eu jamais saberia chegar naquele lugar (sim, eu sou limitadíssimo pra andar em São Paulo). Segundo, porque eu tinha de voltar correndo para casa, no meio de um trânsito infernal de sexta-feira (o que foi aquilo ontem?), a tempo de ir buscar uma das cadelas aqui de casa no veterinário. La pauvre tinha acabado de ser castrada. E a coitada estava totalmente grogue e foi um suplício trazê-la até aqui em casa, com aquele peso todo.
Depois, eu ainda fui a outro templo de consumo para comprar uma camiseta e... Um tênis! É. Eu sei que sou um pouco avesso ao calçado esportivo, mas eventos como o de hoje exigem esse tipo de visual. Comi um strognoff muito do ralo e muito do caro aqui e cheguei extenuado em casa.
Para, ainda, tratar de outros assuntos com a Criança Hype que, graças à Divina Providência, conseguiu evitar que eu tivesse, de novo, de sair de casa, àquela altura já sem energias pra qualquer coisa.
Acabei indo capotar às nove horas da noite, para levantar agora há pouco. E eu preciso dormir mais à tarde porque senão não consigo agüentar a...
Estou ansiossísmo pro evento. Ele vem. Ela vai. E eu estou com o pressentimento de que vai ser ótimo. Só lamento o fato de a minha irmã não ir, mas há tempos eu já sei que a vida está longe de ser perfeita...
Chega. Que me deu o maior trabalho ficar caçando e inserindo esse monte de links. E, como eu disse, preciso de repouso. Aos que me amam, wish me luck. Aos que não, espero que toda essa bad vibe lhes retorne. Em dobro!
Pessoas da minha contact list do ICQ, do MSN e afins: muitas vezes, eu não estou online, apesar de parecer o contrário. Especialmente nestes últimos dias, tem sido quase impossível eu ficar aqui, neste computador. Meu pai está cheio de trabalhos impostergáveis para entregar e eu acabo tendo pouquíssimos momentos para me conectar, como este, agora, em que ele está tomando banho. Infelizmente, só existe um micro utilizável nesta casa - os outros estão totalmente bichados e impossíveis de qualquer coisa. Assim, não se sintam ignorados por mim. O mesmo vale para os comentários.
Quanto aos e-mails recebidos, eu faço uma linha mea culpa. Gosto de responder às minhas mensagens de modo adequado e, infelizmente, meu estado de espírito ultimamente tem pouco contribuído para isso. Desculpas especiais ao Azolan. Assim que tudo estiver razoavelmente normalizado, eu respondo para você, ok?
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, foi criada no Recife, adotou o Rio e, logo depois de casar com um diplomata, jovenzinha, viveu longos anos mundo afora. Mas não foi nesse "transetê" pelo globo que a escritora brasileira se mostrou uma forasteira.
Clarice Lispector foi "uma estrangeira na terra", como a classificou o escritor Antonio Callado, na personalidade e na literatura.
Na próxima segunda-feira, um volume de pouco mais de 300 páginas traz às livrarias uma colaboração de peso na aproximação dessa distante Lispector de seu fiel corpo de leitores.
No mês em que se completam 25 anos da morte da autora de "Perto do Coração Selvagem", a editora Rocco lança o livro "Correspondências", com 129 cartas recebidas ou enviadas pela escritora. Realizado pela biógrafa clariceana Teresa Montero, o trabalho reúne missivas que abrangem toda a carreira da autora.
Organizado de modo cronológico, o volume começa com uma madura carta ao escritor Lúcio Cardoso, na qual a rapariga de 21 anos incompletos mostra ao já experiente autor de "Crônica da Casa Assassinada" a "vontade de provar" que é "+ do que uma mulher", e termina com um singelo bilhete da amiga Lygia Fagundes Telles, dias antes da morte da autora, em 77, com 57 anos.
Em sua maioria inéditas, com exceção de algumas já publicadas em "Cartas Perto do Coração" (que reúne correspondência com Fernando Sabino) e em "Esboço de um Possível Retrato" (da amiga da autora Olga Borelli, morta há um mês), as missivas fornecem importantes peças ao quebra-cabeças Lispector.
"Ela se vivia de forma tão fragmentada que parece que todos seus escritos se interpenetravam. Suas cartas são exemplos de como ela podia viver processos que depois ela vai ficcionalizar", diz a professora de literatura da Universidade de São Paulo Yudith Rosenbaum, autora de livros como "Metamorfoses do Mal: uma Leitura de Clarice Lispector" e de "Folha Explica Clarice Lispector".
Mas, por mais que esse "exercício de elaboração de vivências" que eram as cartas da escritora ajudem a acompanhá-la, a professora acredita que não tiram da personalidade clariceana seu caráter eterno de "lacunar".
A também professora da USP Nádia Battella Gotlib fala no mesmo diapasão. Mais do que ajudar a entendê-la, a correspondência de Lispector ajuda a "percebê-la". "Cartas a parentes e amigos flagradas na conversa do dia a dia deixam que o leitor perceba Clarice na sua intimidade povoada tanto por um despojamento emocionado e simples quanto, por vezes, por pitadas de indagações mais profundas e críticas."
Autora de uma biografia da escritora ("Clarice: uma Vida que se Conta") e de um livro de ensaios sobre correspondências ("Prezado Senhor, Prezada Senhora", com Walnice Nogueira Galvão), Gotlib diz que "cartas de escritores algumas vezes não ajudam nada. No caso de Clarice, acrescentam muito".
A pesquisadora se diz fã, em particular, do conjunto de cartas que a autora trocou com os "mineiros do Rio", como chama Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende.
"Correspondências" traz apenas mensagens trocadas com Rubem Braga e com Sabino, um dos mais frequentes companheiros de envelope de Lispector.
Dos outros pouco mais de 20 interlocutores presentes no trabalho (aí incluída a santíssima trindade poética brasileira: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto), se destacam pela frequência os intercâmbios com seis missivistas. Lúcio Cardoso, primeiro "mentor literário da autora", divide espaço nesse ranking com parentes (como a irmã da autora Tânia Kaufmann e o filho Paulo Gurgel Valente), com amigas (especialmente Mafalda Verissimo e Bluma Wainer) e com uma garota então com nove anos.
São para a menina Andréa Azulay, que era filha do psicanalista da escritora, algumas das mensagens prediletas da organizadora do volume. "São lições comoventes sobre como escrever", diz Montero.
A maior parte das cartas compiladas no livro vem da mesma fonte. Estavam guardadas no arquivo Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio. É de outro local -o Arquivo Nacional-, porém, que vêm duas das correspondências mais curiosas do volume.
Em 1942, ainda "inédita", Clarice Lispector escreveu duas vezes ao presidente Getúlio Vargas. Tema: registrada como ucraniana, queria adiantar o processo de naturalização para brasileira.
Personalidade forte, ela conseguiu o que quis. Mas a julgar por falas como as de Antonio Callado -e por suas cartas- a brasileira Clarice Lispector continuou, para sempre, estrangeira.
CORRESPONDÊNCIAS De: Clarice Lispector Organização: Teresa Montero Editora: Rocco Quanto: preço não definido (330 págs.)
Além das férias há pouco mencionadas, eu também preciso disso.
Adendo: o livro Durante aquele estranho chá, de Lygia Fagundes Telles, começa justamente com o relato de uma experiência mística e belíssima sobre a morte de Clarice. E que, como não podia deixar de ser, me emocionou muitíssimo.
Acho que eu não nasci mesmo para advogar. Ao menos, não no sentido comum da palavra, que abarca aquela função de estar sempre representando um dos pólos da lide. Não tenho a mínima fleuma para discutir, especialmente quando sou uma das partes envolvidas. Digo isso porque já iniciei meu dia em conversas telefônicas sob o fundo musical de um irritante jingle de zero-oitocentos, tentando fazer com que os meus direitos de consumidor prevaleçam. E já me irritei, já me exaltei e sinto que eu não vou conseguir o que me é de direito.
Hoje teve terapia. Acho que ando tão disperso que, enquanto a minha interlocutora discursava fervorosa e didaticamente a transferência da minha dinâmica familiar para o campo das amizades e mesmo para o meu incipente plano amoroso, eu fiquei olhando pela janela e admirando o Shopping Ibirapuera, que tremeluzia no calor desta tarde, como uma miragem no deserto. Fiquei, por poucos instantes, pensando nesta selva de pedra que nos torna impacientes, o que me fez relembrar da discussão acalorada que eu tive com mais um motorista imprudente e egoísta na entrada do estacionamento do prédio. Eu tenho realmente sentido o peso de viver numa megalópole aformigueirada de pessoas que se sentem sufocadas e privadas de tudo...
Enfim, a sessão foi interessante, though. Me trouxe uma série de conclusões e de brilhos muito bons, aqueles pequenos amontoados de luzes que têm vindo aos poucos e que têm, tambémm indo rapidamente. Mas que, ainda assim, deixam seus pequeninos vestígios e que, hoje, me fizeram diferente do que eu era há tempos atrás. Estou falando em termos bem genéricos e não me aprofundando com detalhes porque, por motivos que apenas dizem respeito a mim, não estou mais e agora afim de partilhar essas minhas intimidades muito profundas por aqui. Posso sublinhar que, no momento, o que está pesando mais para esta reticência é o fato de que, ultimamente, cada vez em que eu faço alusões diretas ao desenrolar dos meus dias, tenho-me visto numa miríade sucessiva de situações desagradáveis, que significam a exposição das minhas fragilidades de uma maneira com a qual, mais uma vez, não estou sabendo lidar. E, novamente em termos genéricos, isso tem-me impacientado muito e me feito muito mal.
Sei que a proposta inicial e maior destes meus escritos era a de fazer as vezes de uma extensão do que se passava no meu divã. Dos meus dois divãs, melhor dizendo: o de verdade, pago em espécie e freqüentado semanalmente. E o imaterial da minha mente elucubratória e dialética. É, porque pode não parecer, mas eu me torturo pessoal e constantemente sim, com uma série de afirmações e contra-afirmações internas, que culminam numa síntese hegeliana que em nada lembra o ponto ótimo e conclusivo a que se pretende chegar.
Escrever foi uma terapia salutar para mim. Um recurso que me aclarou e que ajudou a evitar, um pouco, que eu esbarrasse tanto nas paredes desse labirinto escuro e de difícil compreensão que se chama de vida. Contudo, não sei mais a validade de dar publicidade a essas minhas pequenas descobertas e a esses singelos pitacos epifânicos na minha própria vida. Houve uma época em que eu acreditei - no momento, ainda acredito, mas com menor intensidade - que essa seria uma via libertária, que não iluminaria apenas o meu caminho, mas o dos meus leitores. Além de alimentar a vaidade - este monstro tão faminto e tão sedento que reside em todos os habitáculos de nós mesmos que exige alimentação e cuidados constantes - o que se consubstanciou na série de elogios e nas pessoas novas que eu tive o prazer de conhecer graças a estes alfarrábios.
Enquanto muita gente boa tem aderido a essa tendência de se despir em público sob o formato de weblogs, muitas outras têm exterminado os seus diários públicos e virtuais, recolhendo-se à intimidade e à privacidade do segredo, agora menos pela falta do que escrever do que pela sensação de estar sempre pisando num imenso tapete de ovos quebradiços. Ou, então, esses veteranos têm amainado o tom confessional de seus escritos, discorrendo sobre generalidades de forma menos ilustrativa do que a antes empregada.
Não estou querendo dizer que a minha intenção é a de dar fim a tudo isso. Nem fazer charminho para que as pessoas peçam para que eu não pare de escrever. O que eu estou escrevendo aqui e agora é uma tentativa de captura do meu fluxo de consciência, de um estado fugaz e que passa pela minha cabeça numa rajada, para vir revisitá-la, posteriormente e com freqüência. É. Isso que eu estou relatando agora têm-me ocorrido em pequenos relâmpagos, que se têm repetido com constância e por isso eu achei que seria interessante tentar colocar ordem a tudo isso.
Mas, no fim, eu não escondo que um dos meus maiores defeitos é o da frivolidade e o da inconstância, então é provável que eu ainda venha recorrer a esta tela e a este teclado por algum bom tempo. Mas, por ora, não mais do mesmo jeito de antes.
Que "meu nome é Zé Pequeno" nada! A frase acima é muito mais legal. Dentre vários outros termos e expressões que eu já roubei do filme para utilizá-los, largamente, na minha vida real. Vão assistir, suas almas sebosas!
E as provas terminaram. Quer dizer, tem mais uma, na próxima segunda-feira, mas que já está, literalmente, pronta. É mais um daqueles exames inteligentíssimos - e, no fim, mais honestos - já preparados em casa (obrigado, Jus Navigandi, por mais este trabalho ofertado), que eu levo apenas para "transcrição". Isso é bom, muito bom, por que eu estou reclamando? Afinal de contas, neste semestre, não estou passando por aquele mesmo suplício do último, em que eu, espertamente, escolhi os professores mais inflexíveis, convencidos e tomados pela síndrome da pequenez de pau.
Bem, hoje eu cordei cedíssimo hoje, como se vê no horário aí embaixo... Quer dizer, se isto aqui estiver efetivamente obedecendo ao horário de verão. Porque os ianques são, em regra muito geral e com pouquíssimas exceções, tão estúpidos e ensimesmados em seu mundo de alimentos gordurosos, hipercalóricos e de proporções gigantescas. Eles não entendem picas de geografia mundial, eles não sabem que existe acentuação em outras línguas e nem que as estações do ano são invertidas no hemisfério Sul (na verdade, acho que eles nem sabem que existem dois hemisférios neste planeta!). Dentre tantas mil outras coisas...
Uma vez, eu li um artigo, ouvi uma opinião ou loquesea afirmando como aquele povo é todo infantilizado. Meninos em roupas gigantes para acomodar aqueles tecidos adiposos de proporções igualmente gigantescas. Brincando com suas armas de verdade como se fossem crianças brincando de faroeste. Empanturrando-se de comida como bebês famintos e gulosos. Assistindo a seus programas pirotécnicos como infantes deslumbrados. E todo o resto, que já estamos fartos de saber. Todo aquele resto, muito primal e muito pronto. Não gosto de generalizações, mas o que dizer de uma revista como essas, que eu tive a burrice de assinar achando que, assim, eu ia treinar meu inglês? Estava relendo um dos artigos da ilustre publicação no banheiro (é um santo laxante, tamanhas as asneiras que são ditas por lá!). E, dentre as mil preciosidades, encontro uma afirmação dizendo que "a Constituição norte-americana não se aplica em Cuba.". Oras, nem em Cuba nem em qualquer outro país soberano do mundo. Acho que sovereignity é uma palavra de muita difícil assimilação pra ela; a própria escrita já deve esbarrar na dislexia natural daquela gente, o que dizer, então, da verdadeira compreensão de seu sentido?
Pronto, hoje eu estou bancando o Rei das Conferências. Iniciei falando sobre o meu dia e, agora, estou repisando no mesmo assunto anti-American Way Of Life. Como eu comecei, não paro mais. Esta porcaria ainda é minha, eu escrevo o que, quando, quanto e se eu quiser aqui. Mas não que eu deteste o país. Nova Iorque foi uma das melhores cidades que eu já conheci (talvez porque não haja tantos americanos por lá), gosto de alguns perfumes da Calvin Klein, as roupas íntimas (masculinas) são melhores do que as nossas. E não sou tão boçal a ponto de me recusar a comer no McDonald's e a tomar Coca-Cola porque eles são a corporificação do consumismo satanista e norte-americano. E há alguma boa poesia vinda do sagrado solo tocado pelo Mayflower: adoro Sylvia Plath, Anne Sexton, Walt Whitman, dentre muitas outras coisinhas. E acho que esses são fatores mais-que suficientes para mostrar que eu não sou tão inflexível.
E, convenhamos, a tacanhez e a limitação não são privilégio cultural deles. E nem nosso.
Nos dias de hoje é bom que se proteja ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares esqueça os amigos não pare nas praças não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida não ponha o dedo na nossa ferida
Nos dias de hoje não lhes dê motivo porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência Deus está contigo Deus está conosco até o pescoço
Já está escrito já está previsto por todas videntes pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas em todas estrelas no jogo dos búzios e nas profecias
Cai o rei de espadas cai o rei de ouros cai o rei de paus cai não fica nada
Elis Regina - Cartomante
Zé, apesar de você não me ler aqui, obrigado por me relembrar dessa preciosidade em forma de prece. Que eu dedico a todos. Até, e especialmente, aos inimigos.
A minha vida está razoavelmente normal e satisfatória, recebendo aqueles fachos tímidos da luz das pequenas alegrias. Ontem, eu saí com o Dudu e com M. E.. Passamos na casa do Dudu e fomos pra sauna da UltraLounge. Há tempos eu não via uma fila como aquela, nem uma lotação como aquela. Encontrei outro amigo meu, de longa data, querido e companheiro, que estava ausente por conta de um namoro mal administrado. Daqueles que sugam as pessoas ao relacionamento e as tornam autistas em relação aos amigos. E que me fazem pensar se é sempre assim que acontece. Às vezes, eu ainda acredito na possibilidade da tertia via do modo temperado e intermediário das coisas.
Bom, eu me diverti demais. Bebi, tomei meia balinha e dancei muito. Eu adoro esses meus pequenos momentos, ainda. São concessões que eu faço a mim mesmo. E, honestamente, eu não andei fodendo tanto a minha vida a ponto de me afundar em dependências na faculdade ou a ponto de me desligar de tudo. Houve um tempo em que foi mais ou menos assim, em que eu vivia apenas para a vida noturna, só para as boates e exclusivamente em função das festas "imperdíveis".
Mas a minha reclusão me reconduziu ao outro extremo que eu tinha negligenciado - voltei a ler com prazer e a encontrar alegria no cinema, na televisão e nas boas refeições e, por um tempo, até melhorei qualitativamente a minha escrita. Mas eu vi que não é só isso. É preciso fazer de tudo um pouco - é um dos conselhos mais repetidos por tantos - e o mundo mágico dos colocóns é uma parcela desse caldo tão diverso que compõe a minha cornucópia particular de vida.
Claro, há o contra-argumento de que existe uma miríade de pessoas que vivem - e muito bem - sem apelo aos artifícios químicos. (Un?)lucky them. Eu não sou assim. Ao menos, não agora. Estou tentando-me equilibrar na diversidade do pouco de cada. Tive uma conversa com M.E. ontem, na saída e na já habitual Galeria dos Pães que me fez questionar muitíssimo o cabimento das droguitas na minha vida. Cheguei em casa, conversei com o meu pai e, como tem acontecido há tempos, o nosso diálogo fluiu melhor. Falamos daqueles assuntos que, normalmente, são sagradamente proibidos e ignorados.
Eu estou-me sentindo fantástico hoje. Porque eu fiquei alegre ontem, porque eu até beijei um cara interessante e engraçado. E porque eu estou satisfeito com a minha noitada de ontem e, hoje, eu realmente estou ansiando pelo contraponto de ficar em casa, de ver uns filmes e de pedir uma pizza gostosa. E, ao mesmo tempo, eu me culpo por isso. Eu, ao menos, tenho aquele dispositivo sutilíssimo dentro de mim que reprime com zanga qualquer sensação de bem-estar. Como se fosse necessário que, em contrapartida, viesse o amargor, o arrependimento e o sofrimento. Ah, como eu sempre falo pra todos: "culpa - você ainda vai morrer disso.".
Nota aos leitores: este post integra mais um na vasta categoria dos "desabafos". Eu não quero receber comentários nem no sentido de passar a mão na cabeça e dizer que tudo vai ficar bem e, muito menos, no sentido de fazer as vezes de reprimendas.
Hoje eu decidi que eu quero, que eu preciso ir ao Heineken Thirst. Vai ser *O* evento, abduzida! Em uma palavra: TUDO. E no auge, muito ouro pra quem merece e gotas de luxo caíram do céu.
Eu sei que corro o risco de passar pelas mesmas agruras da Skol Beats e que o Sambódromo não é exatamente um Carnegie Hall.
E eu também sei que o Oakenfold é nojento, que ele já está pop demais. mas eu amo os mixes dele muito antes de o trance virar esse ímã atrativo de patrícias, maurícios (ou, em Lusitânia, betos).
"Estou absolutamente farto de literatura; só a mudez me faz companhia. Se ainda escrevo é porque nada mais tenho a fazer no mundo enquanto espero a morte. A procura da palavra no escuro. O pequeno sucesso me invade e me põe no olho da rua. Eu queria chafurdar no lodo, minha necessidade de baixeza eu mal controlo, a necessidade da orgia e do pior gozo absoluto O pecado me atrai, o que é proibido me fascina. Quero ser porco e galinha e depois matá-los e beber-lhes o sangue. (...)".
Guardei essas palavras como se guarda uma roupa especialmente feita para um dia solene. Guardei essas palavras para utilizá-las quando eu quisesse dar o meu aviso de que eu estava entrando em estado de hiato, naquele descanso que se diz temporário mas que nunca tem data certa e firmada para terminar. Guardei essas palavras para repeti-las exaustivamente, como um mantra, para assinalar definitivamente o momento sonhado em que eu teria-me libertado das racionalizações.
Mas tenho percebido que não existem momentos específicos e pontuais e que, por si só, marcam em definitivo uma fase de transição. Batismos, casamentos e enterros têm-me parecido nada mais do que atestados tardios e prescritos de estados que já ocorreram há tempos. A iniciação à vida precede a unção em água e em óleo; o matrimônio se consolida muito antes de cerimônias envoltas em véus de pompa e de circunstância; o óbito já se fez presente antes da certidão e do funeral.
As mudanças ocorrem todos os dias, aos poucos e insistentemente. A cada pequeno instante que não se aprisiona nem nos milissegundos, os nossos átomos vão-se rearrajando, vão saindo para dar lugar a outros. E quando você menos percebe lá está você, em nova roupagem, mirando-se com perplexidade nos espelhos de quartos, de hotéis, de restaurantes e de folhas de papel. Tentando descobrir quando foi que essas novas plumas vieram, sem perceber que elas são tão transitórias e, novamente, quando menos se espera, lá estará você novamente, encarnando uma personagem antagonizante à outra vista há pouco. Agonizando por se manter viva.
Rosa. Esta é minha cor no momento. Em bolinhas que vão do pescoço pro resto do corpo. Até meu rosto está assim. Que horror. Parece que eu estou com escarlatina. Não tinha uma doença com esse nome?
Então. Ontem teve o famoso bota-fora. Que já está um pouco descaracterizado, já que, desta vez, não teve pessoas jogando água uma nas outras e nem churrasco improvisado. Mas teve open bar com destilados (caipirinhas demoníacas de vodka pura). E claro que eu, Helena inveterada, não podia deixar de perder isso. Ainda mais depois de ter desembolsado aqueles malditos quinze reais num estacionamento de baixíssima categoria.
Aí eu bebi bastante. De perder a conta do número de doses. E conversei bastante. Falei besteiras demais, mas os meus interlocutores, em geral, estavam pra lá de Marrakesh e da Via Láctea, então ninguém vai-se lembrar. Ao menos, assim espero: que as minhas palavras insanas fiquem apenas como borrões diluídos no meio de outras inúmeras bobajadas que certamente foram proferidas por lá.
Depois, eu quis ir fazer haram. Mas meu corpo já estava totalmente em petição de comida e meu cérebro levou um chacoalhão conveninentíssimo de M. E. pra que eu não cometesse tal desatino. Lá, eu encontre iuma, duas, três pessoas que têm página confessional. E fui fumar no banheiro, escondido, como moça em colégio de freiras, acompanhado de outra pessoa muito contente. E depois eu cheguei em casa, às seis e meia, junto com meu pai. Ele estava dirigindo bem na minha frente.
E desde ontem, eu estou com uma alergia horrível. E fui levar a minha irmã para cortar o cabelo. E hoje eu só quero a minha casa. Meus livros. Minhas comidinhas. E a companhia, no sofá, da Pipoca.
Menina Carol, a minha mais-que fiel leitora, foi a visitante 7777.
Uma pessoa que eu tenho descoberto pouco a pouco. Generosa e maternal. Que combina a docilidade com uma força interna invejável.
É daquelas que estão ruindo por dentro, mas jamais demonstram isso num telefonema, jamais desabam num choro numa mesa de bar com um enxame de pessoas ao redor, enfim, jamais dão vexame.
Faz tempo, não é mesmo? Faz muito tempo que eu não escrevo aqui. De verdade. Contando meus dias com detalhes de horários, de lugares e de pessoas e, claro, dos meus pensamentozinhos. Ultimamente, tenho sido mais espectador do que ator - tenho mais lido (na verdade, relido) do que escrito e tenho mais ouvido do que falado.
A razão para isso? Honestamente e como sempre, desconheço. Alguns dizem que esse repouso faz parte de um processo interno de conhecimento, de descoberta e de amadurecimento. Não sei até onde eu posso acreditar nisso, porque, no fim, eu acho que estou mesmo é apagado e adormecido. A gente morre às vezes, eis minha máxima do momento. E eu estou assim: nada fervilhando.
Na maior parte do tempo, eu fico aqui em casa, jogando cartas no computador (em breve, vou conseguir ler a sorte no Paciência Spider), vendo alguns filmes e, claro, fumando. Se bem que eu tenho saído com relativa freqüência. Bebido um pouco (às vezes, demais, reconheço). No mais das vezes, contudo, eu sinto que é tudo tão mecânico e tão sem paixão...
A minha nova paixão é o Tostex (infelizmente, a casa não tem página própria). A minha quase Pasárgada, onde eu já sou amigo da hostess e onde os manobristas, os seguranças e os garçons já me conhecem. Ontem mesmo estive lá com a Criança Hype, de quem eu gosto muito. Sei que sou um pouco frio e marmorizado no geral, mas eu gosto pra caramba de você mesmo, viu? Gosto de ir descobrindo as pessoas com o tempo e bem aos poucos, de assistir ao seus progressos e de fazer parte de tudo isso. Como eu fiz com você.
Bom, finalmente, fiz o que tinha de ser feito e suspendi temporariamente as minhas aulas no calabouço alado da Avenida Paulista. Foi uma suspensão que só veio formalizar outra suspensão, a de fato; afinal de contas, eu não era, há tempos e efetivamente, aluno daquilo. Na ponta do lápis, eu assistia a menos de vinte por cento das aulas (desde o começo deste semestre, eu não assisti a uma aula de Processo Civil, por exemplo). Meu pai foi compreensivo - aliás, a iniciativa de "dar um tempo" partiu dele mesmo, que, vendo a minha constante apatia e as minhas faltas repetidas, achou por bem que eu parasse um pouco com aquilo.
A nossa relação tem melhorado - acho que, agora, eu percebo como as pessoas que amam não conseguem administrar o amor que têm dentro de si e acabam açoitando os amados com as farpas dos sentimentos mal direcionados. Ama-se demais, é um dos grandes, se não o maior mesmo, problema da humanidade. Ama-se demais, e como tudo que vem em grande quantidade torrencial não se controla, temos aí essa falta de entendimento.
Chega de escrevinhar. Acho que, ainda, não estou no momento pra isso. Talvez eu nunca tenha estado e o que eu fiz antes nesse sentido foram meras tentativas pretensiosas.
O sete é, em qualquer cabala, o número. Significa a completude de um ciclo, a inteireza de uma existência. Em Memorial do Convento, Blimunda era a sete-luas; Baltazar, o sete-sóis. E foi por sete anos que Blimunda vagou pelo mundo à procura de seu Baltazar, atingindo, ao fim desse período, o desfecho de tudo. Em Miguilim, é aos sete anos que o personagem principal ganha os seus óculos e vence a sua miopia, numa belíssima simbologia de iniciação aos mistérios da vida. No Japão, o debut acontece aos treze anos de idade; na verdade, quatorze, dois ciclos de sete, uma vez que a contagem do tempo de vida se inicia com a concepção.
Bom, estou dizendo tudo isso porque, em breve, esta página vai receber o visitante de número sete mil setecentos e setenta e sete. Sete-sete-sete-sete. 7777. Se você for o felizardo a atingir esta marca, seja bonzinho e deixe-me saber. Vá ao contador lá embaixo e à esquerda, dê um print screen e mande um e-mail para mim. Neste endereço. Espero que, desta vez, a campanha seja mais eficaz, já que, da última vez, ninguém se manifestou para ser o 6666.
O prêmio? Menção honrosa aqui mesmo, ao vivo, com post longo e especialmente direcionado. Desculpem, mas é o máximo que eu posso fazer no momento!
"As pessoas falam muito em felicidade, se atropelam para serem felizes, mas poucos se interessam pela felicidade dos outros. É um erro porque a felicidade de um beneficia a todos, quando mais não seja pela rara beleza do espetáculo. (...)".
Ao contrário de muitos dos meus amigos, eu fui ao cemitério hoje. E, ao contrário de muitos dos meus amigos, é uma coisa que eu faço desde longos tempos, desde quando eu ainda consigo-me lembrar...
Melancolia. De novo. Talvez eu fale mais sobre isso, mais tarde. Later on....
Não consigo arrumar esta droga do template. E essa zona toda de números, de acentuações desconexas me irrita, me incomoda, me causa engulhos. Me tira toda e qualquer disposição pra vir desovar aqui. Embora eu não seja uma virtuose em termos de ordem, há um limite que se torna insuportável para que qualquer ser humano que tenha sangue correndo nas veias. Bom, eu vou tentar organizar isso até amanhã. Depois, eu começo a gritar. Indiscriminadamente. Para os outros, é claro...
Afinal de contas, sinto muito se eu não entendo picas de agá-tê-ême-éle; lamento se, para realizar qualquer modificaçãozinha aqui, eu tenha de recorrer ao tosco Front Page; mil perdões por desconhecer as técnicas de tratamento de imagens. Desolé.
Só para constar, reabasteci, por algum tempo, meu estoque de ferormônios engarrafados. Agora que a minha grande amiga vendeu a loja dela (obrigado, alta do dólar, por mais esse baixar de portas), eu vou ter de sacar quase três dígitos para ter um vidrinho de perfume aqui em casa. Ainda estou tonto porque eu borrifei quatro tipos diferentes pelo meu corpo...