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Se não consigo, apenas copio e colo...
"Não posso ler nem escrever. Ligo a televisão. Plumas, pedrarias, dourados - é o desfile do carnaval milionário. Os holofotes estão tontos, tonto o cinegrafista porque os apelos são excessivos, tudo é importante, focalizar o passista é perder a mulata que já vem vindo no auge, fantasia de estrela, hora e vez da estrela no carro de glória mas cuidado! que os lamês e as lantejoulas não cubram os seios, o ventre, o traseiro - câmera abre no traseiro rebolante. Corte para o passista, um menino vestido de príncipe que desaparece sob o leque de plumas vermelhas e ressurge logo adiante, num salto que é um vôo - corte para o público aplaudindo delirante. Câmera abre na rainha rodopiando com seu estandarte, a rainha avança o enfoque vai para o ventre de uma sambista com o rubi encravado no umbigo, câmera lenta para o detalhe do umbigo no meneio desossado, os seios, a boca que se abre e os colares se abrindo no giro desvairado. Corte para o fiscal-feitor de terno branco e palheta, não sabe do olho da câmera e por isso não disfarça, está desesperado, o júri que classifica, desclassifica, nega ou dá a verba pode estar vendo a baiana que desmaiou de cnsaço, Vocês aí! mais depressa, depressa! repete e corre até o passista, câmera abrindo no passista que capricha - vida? Morte? Corre para o júri, detalhe da mão segurando o copo, enfoque maior para o polegar do César no palanque, vida? Corte. Câmera abre em Garrincha num trono dourado. O detalhe dos olhos cheios de lágrimas, está perplexo como um boneco que não entende - herói usado e desusado, símbolo dos deuses caídos, já rendeu? É um enfeite para emocionar o público que aplaude, grita. Corte para um negro da arquibancada, o negro chora, levanta os braços. Câmera lenta acompanhando a boca desdentada que diz Gar-rin-chaaaa... Corte rápido para a cantora que dá uma entervista, está suada, rouca, diz que adora o carnaval e que vai ganhar quem merece, quer falar mais e o coro vai cobrindo a voz como uma vaga espumejando na avenida, As águas vão rolar! / garrafa cheia eu não quero ver sobrar! Câmera abrindo no carro alegórico com um Pierro de cetim branco, o bandolim de lantejoulas, ele ri e faz gestos largos de quem toca o bandolim. Atira beijos. Corte para a ambulância, a luz vermelha acendendo e apagando, a sereia, o aglomerado na calçada, corte para uma mulher chorando e gritando. Corte para o público da arquibancada, detalhe da criança fantasiada de bailarina, dormindo no colo da mãe. Câmera abrindo na cara da mulher que ri e grita, Já ganhou!
Aperto o botão e a tela vai se fechando. A pálpebra. A penumbra. Os últimos sons demoram um pouco no ar ainda tumultuado. As ondas vão submergindo.".
Até segunda-feira. A cafonália das ruas que é televisionada, as bebedeiras, essa ingestão não apenas de álcool, o suor generalizado, esta cidade... Tudo aquilo. Tudo aquilo de sempre que, este ano, eu vou deixar por um trio de dias. Vou para uma Pasárgada, onde eu não só sou amigo dos reis, mas onde eu como frutas e verduras sem agrotóxicos, onde respiro ar sem gás carbônico, onde sintonizo o meu pulsar do coração com o da natureza. Onde eu posso ser (um pouco mais) eu.
Taurino, obrigado pela informação. Nada como ter amigos que lêem jornais e que sabem filtrar as coisas que são do meu interesse.
E... Ferry Corsten, aqui? Já se diziam os flyers (ou, para o Rio, filipetas) da época do Hell's Club (que, infelizmente, eu não conheci): don't forget your sunglasses!
Palco Outdoor Stage 16:00-16:30 DJ MARNELL E WILL 16:30-17:00 ZEMARIA live 17:00-17:30 CLEBER PORT 17:30-18:15 DJ MARKY x XRS apresentando MC STAMINA live 18:15-19:00 JAY C 19:00-19:30 ACID LOGIC live 19:30-20:15 CLAUD!NHO ! 20:15-20:45 NUDE live 20:45-21:30 CARLO D'ALLANESE 21:30-22:30 JUNKIE XL live 22:30-23:30 MARCOS MORCERF 23:30-00:30 STEREO MC'S live 00:30-02:00 CAMILO ROCHA x ALLEX S 02:00-03:00 808 STATE live 03:00-03:45 MURPHY 03:45-04:30 FABRICIO PEÇANHA 04:30-06:30 JEFF MILLS 06:30-07:30 THE YOUNGSTERS live 07:30-09:00 ANDERSON NOISE
Tenda The End 16:00-17:00 GABO 17:00-18:00 GU 18:00-20:00 MARK FARINA 20:00-21:30 MAU MAU 21:30-00:00 LAYO & BUSHWACKA! 00:00-02:00 GREEN VELVET dj set 02:00-03:30 DERRICK MAY 03:30-05:00 RENATO COHEN 05:00-07:00 TREVOR ROCKCLIFFE 07:00-08:00 PIL MARQUES
Tenda Bugged Out! 16:00-17:00 ERICK CARAMELO 17:00-18:15 GUSTAVO TATÁ 18:15-20:15 MEDICINE 8 20:15-21:30 GIL BARBARA 21:30-12:30 SLAM dj set 12:30-02:00 RENATO LOPES 02:00-04:00 DAVE CLARKE 04:00-05:00 LUIZ PARETO 05:00-07:00 FUTURESHOCK DEX'N'FX 07:00-08:00 MARCIO ZANZI x ILYA SIMIONE
Tenda Movement 16:00-17:00 LINKAGE 17:00-18:00 KOLORAL 18:00-19:30 TOTAL SCIENCE 19:30-21:00 XRS 21:00-22:30 MAKOTO 22:30-00:00 GROOVERIDER 00:00-01:30 DJ PATIFE 01:30-03:30 LTJ BUKEM apresentando MC CONRAD 03:30-05:30 DJ MARKY 05:30-07:00 BRYAN GEE 07:00-08:00 DJ ANDY
Tenda Gatecrasher (os horários desta tenda poderão sofrer alterações) 16:00-17:00 a confirmar 17:00-18:00 GRACE KELLY DUM 18:00-19:00 DMITRI 19:00-21:00 NICK RILEY 21:00-22:15 JASON BRALLI 22:15-00:15 MARIO PIU 00:15-01:15 BUGA 01:15-03:15 DAVE SEAMAN 03:15-04:45 LEOZINHO E RODRIGO PACIORNIK 04:45-06:45 FERRY CORSTEN 06:45-08:00 SANTIAGO
Área Chill Out 16:00-21:00 CD 21:00-00:00 HENRIQUE CURY 00:00-03:00 EDINEI 03:00-06:00 MARIO FISCHETTI 06:00-08:00 CD
Bom, vocês devem ter percebido que eu estou um pouco afastado disto aqui. Cheguei a pensar em uma pausa oficial e, mais do que isso, cheguei a quase formalizar esse hiato, pendurando um daqueles posts clássicos de "estou dando um tempo por período indeterminado blablablablabla".
Mas, como eu sou uma pessoa de hábitos rígidos -- dizem que é a natureza canceriana -- e que se apega por demais às coisas estabelecidas, ainda que elas sejas aparentemente sem importância (ou melhor, o apego acontece preferencial e justamente com coisas desta natureza), fiquei com pavor de parar o blog. Ao menos, assim, de vez. Talvez seja como uma separação, que, para se completar, exige a exaustão de todas aquelas fases, uma exaustão que, no meu caso, demora muito mais para acontecer do que com outros, os "normais".
Enfim, já que a minha inspiração e minha paciência para me relatar andam um pouco engessadas, eu pensei em, ao menos, atualizar o layout das coisas por aqui. Os arquivos, que estavam sendo mostrados só até dezembro, os lugares que eu visito, também completamente defasados (aliás, eu leio todos os blogs listados aí à esquerda sim; se não deixo comentários, é porque é assim que sou e isso seria assunto para outra ocasião). Só que, como já estão todos aí cansados de saber, o agá-tê-ême-éle, com aquele monte de parênteses e de símbolos hieroglifados não me fazem a cabeça. Ou melhor, não me entram na cabeça mesmo. Este (agora não mais tão, por minha culpa) belo desenho que vocês vêem foi uma cortesia dele. Não sei se o desenho continua tão belo já que, como eu disse, parece que eu o estraguei. Tentei brincar com cores e com tamanhos de fontes e, bem, aí está esta coisa pra que vocês estão olhando. Me sinto mais ou menos como uma criança que entrou na cozinha, tentou manipular panelas, fogões e afins e agora se sente culpada por ter feito uma merda federal.
Só me respondam uma coisa, crianças: deixo as letras aqui dos posts menores, do jeito que estavam antes (ver os primeiros posts, ainda não atualizados)? Ou elas devem ficar do jeito que agora aparecem, maiores, um pouco mais brutas e escandalosas e mais adequadas aos míopes? Me respondam mais: e as cores, devo mudá-las? Aquele cinza parecia pesado demais, mas este outro, clarinho aí do menu à esquerda, não parece leve demais?
Ai, não bastassem as involuções que eu sinto sofrer às vezes, agora, ao que parece, o meu senso estético desapareceu por completo. Então eu preciso da opinião de vocês, que pode ser depositada aí nos comentários ou na minha posta restante cibernética.
"Um cara cruel, frio... Isso que é você. Quando alguém te faz mal, já pensa em uma vigança mil vezes pior. Atropela todo mundo com esse seu jeito de ser.
OK, para um cara tão bom como você, eu te dou um castigo ótimo também, tortura! Você vai ser muito torturado, você vai implorar pela morte. Já que eu sou muito cruel também, eu nunca te mataria...".
Há exatos dois anos, acordei no meio da madrugada e encontrei um silêncio absoluto e branco, as paredes também brancas e nuas, sem quadros. Acordei como que de um sonho para uma outra realidade, perpétua, num ingresso que não comporta retorno. Na verdade, a nudez-mudez era muito maior, mais profunda, e de tudo. Um lugar no sofá que permaneceria desocupado para sempre, um retrato que seria o último, uma voz que não se ouviria outra vez. Morte é isso -- é o silêncio, ou melhor, é o eco do que passou, é o crescente da convivência que vai embora para dar lugar ao desaparecimento da saudade. É uma pessoa que deixa de existir para se transformar apenas em mais um nome, é um nome que vai para uma estaca, é uma estaca que se queima para se juntar a outro amontoado de nomes.
Hoje, os quadros voltaram a cobrir as paredes. No meio delas, vozes, sapateados, tiliintares e outros sons -- o tempo exige que se preencha o vazio. Voltou também o cheiro forte e verde, que queima as narinas e que traz de volta as memórias. Porque só elas sobraram, reverberando cada vez de modo mais fraco e mais esparso, confundindo-se mais e mais com a invenção, até perderem toda a sua exatidão.
Reconheço que sucumbi, e atire o primeiro comentário quem jamais se rendeu a qualquer modismo. Estou ouvindo Cachorrinho da Kelly Key e a letra não me sai da cabeça. E seguindo uma tradição inversa da que eu criei para mim mesmo -- a de não dedicar qualquer letra de música a ninguém mais do que ao meu homem invisível e idealizado e inexistente -- esta música eu dedico a todos os meus homens do futuro.
"Mar de Rosas Gancia Responde" ou "Momento Google" ou, ainda, "aprenda a usar aspas quando fizer a sua pesquisa" ou qualquer outra coisa equivalente - a esta altura, você já deve ter captado o meu (mau) espírito...
dicas de mensagens de formatura para o dia da colação de grau -- se candidatou à eleição de orador e agora não sabe o que dizer, é? Agüenta o tranco ou, então, peça à Dorana Forte Real que, quase com certeza, é a companhia que vai organizar este momento tão emocionante da sua vida que, como todos esses momentos emocionantes, são micos institucionalizados. Com certeza, eles devem ter vários discursos prontos. E nem se preocupe em fazer feio - com certeza, ninguém vai prestar atenção no que você estiver dizendo e, muito menos, vai-se lembrar depois.
frases de agradecimento pela amor recebido-- agradecer "pela" amor recebido? Olha, "meu filhinha", isso ainda vai levar você "pra chón", então nón se antecipe em agradecer.
síndrome peter pan -- deixe de ser avarento e vá procurar um terapeuta. Jardins e Moema são áreas coalhadas desses profissionais. Falta de dinheiro? Se você gasta o seu tempo na rede procurando isso, a falta, com certeza, é de outra coisa.
frases de otimismo -- não deveria, mas vou dar algumas dicas de livros baratinhos a que você pode recorrer para enriquecer os seus arquivos pê-pê-ésse. Este aqui, por exemplo, é baratíssimo. Pode-se, também, claro, pedir uma folhinha da Sei-Cho-No-Ie. Uma mensagem edificante para cada dia do mês! São trinta e uma sugestões de mensagens lindas para você!
comida de astronauta -- eles é que viraram comida, agora. Os tubarões devem ter feito a festa.
Falei da Princesa Isabel e fiquei pensando se tantos e longos anos de história trouxeram, de fato, alguma evolução à espécie humana. Ficando só no exemplo da escravidão, de que adiantaram tantos movimentos que somente dizem tê-la abolido? Aqui no Brasil, a má remuneração das empregadas domésticas e de todos aqueles que prestam os serviços ditos de baixa especialização demonstra uma situação talvez mais vergonhosa do que a vivida em tempos escravocratas. Uma situação não apenas talvez, mas provavelmente muito pior do que a de antes, por estar sob a odiosa máscara da hipocrisia (afinal, agora há a paga de um salário, não é mesmo?), e por, provavelmente, implicar condições de vida talvez mais insalubres e desonrosas do que as vistas na era pré-Lei Áurea.
Saindo um pouquinho da nossa Pindorama, temos a mão-de-obra espalhada nos países emergentes (que em nada lembram o glamour das Loyolas e das Tamborideguys), este contingente de crianças e de imigrantes que nos dão desde as bugingangas como o ventiladorzinho para agüentar o calor do verão até as roupinhas descoladas -- que, aliás, nem precisam proceder de mercados persas como a José Paulino ou como a Vingt-Cinq. Experimente ver a procedência das suas pecinhas importadas -- você vai ver que, da Itália, a Armani só tem o nome mesmo.
E eu ainda tenho de ficar ouvindo e lendo sobre esta guerra que, dizem, é uma cruzada santa em favor dos direitos humanos. Não, não quero fazer discurso político. É só falta de paciência e de amor com gente mesmo. Grupo no qual eu não me deixo de incluir porque, afinal de contas, eu tenho uma torre branca bem aqui atrás de mim fazendo um ventinho e meu underwear vem de algum país obscuro da Ásia.
Das pessoas que eu vi e com quem conversei ultimamente (conhecer alguém de fato exige tempo, decepção e rugas), não excluo duas -- um bartender quarentão, gaúcho, à la George Clooney e um menininho de vinte anos, sotaque paulistano-italianado.
Mas os dois são tão retos quanto um straight pode ser.
Quem disse que os gays se divertem mais e são mais bonitos e interessantes?
Na minha cerimônia de colação de grau, o paraninfo falou na fita gravada e exibida no telão - o insigne jurista, devido à idade avançada, nunca comparece quando convidado a esses eventos -- que não éramos meros bacharéis em direito. Na verdade, tínhamos aprendido a dominar a complexa arte da convivência humana. Até ironizei um pouco a afirmativa que ele tanto enfatizava - como eu disse, a idade avançada - pensando que, naquele caldeirão heterogêneo quase-covil que é a fogueira de vaidades daquele disputado ambiente acadêmico, de fato eu tinha aprendido a conviver com a (pior) espécie humana.
Verdade ou não, tenho sido bastante testado nessa difícil arte do conviver, talvez um castigo divino por ter ridicularizado o dito do ser profético de cabelos muito brancos e a voz um pouco trêmula -- a idade avançada, de novo. Pessoas que se reclamam e que não se esmeram para minimizar esses atritos, pelo contrário, o esmero delas resume-se à maledicência e à impaciência que me enchem os ouvidos. Pessoas que se utilizam de tentativas de subterfúgios -- só tentativas mesmo, porque os artifícios são tão visíveis e tão deploráveis -- para ostentar um pouco que não têm -- ontem, presenciei o cúmulo do triste ao ver uma criatura simulando ligações para o próprio celular para forjar uma vida social inexistente, só para dar um exemplo. Pessoas, enfim.
Você percebe que já está envelhecendo quando o interesse em alargar o seu círculo de amizades torna-se nulo, quando você já se sente bem e acomodado e até muito atarefado com as pessoas que você garimpou em um penoso e longo processo de seleção onde o joio, infelizmente, é muito mais profícuo do que o trigo.
Podemos ter uma relação amigável? Eu escrevo, eu dou os créditos para você aqui no meu espaço. Em troca, você apenas tem de publicar. Nada além disso. Publicar no tempo certo, claro. Sou só eu que estou passando por isso? Enfim, caro Blogger, só queira se foder bastante.
Hoje eu fui à concessionária para revisar o carro, ao cabeleireiro para cortar o cabelo (parece óbvio, mas tem muita gente que vai a esses lugares pra qualquer outra coisa menos cortar o cabelo ou afins) e, na volta, comprei dez salgadinhos na doceria aqui perto de casa. Comi vários deles e agora estou estufado. E assim vai-se vivendo, eis o mote conformista da semana.
Provavelmente, vai ter (mais) uma saidinha hoje, essas saídas de sempre, de porquê mais ou menos desconhecido. Já é sexta-feira e é obrigação natural de todos nós -- essas pessoas que não se preocupam com o que comer amanhã nem com os milhares de crediários, para ficar nos exemplos mais basais -- fazer qualquer coisa para se divertir. E esse conceito de se divertir deve abarcar, obrigatória e naturalmente, a socialização. Socialização esta muito rasa, apenas no sentido de estar fisicamente dentre um monte de seres, mas que não alcança o sentido de comunhão que, em verdade, está por trás da palavra. Uma multidão de gente perfumada e ete-cé-te-ra, mas sempre com aquelas olheiras mal disfarçadas, que não conseguem deixar de denunciar o cansaço. Não o cansaço da semana cheia de trabalhos, mas o cansaço do esforço de conciliar uma aparência feliz e satisfeita com ares de indiferença. Uma combinação milimétrica e muito estudada, uma fórmula inventada e outorgada sabe-se lá por quem e, muito menos, para que. Uma briga, esse esforço de não mostrar esforço. Quase um jogo infantil de cabo-de-guerra. Quase.
Ah, essa indiferença temperada! Incrível essa cultura do blasé que, no reduto, ganhou o nome de carão. A cara grande mesmo, inchada de e condicionada a fingimentos, uma grande célula túrgida a caminho de explodir. Há algum tempo eu li (acho que na Joyce Pascovitch) uma visão otimista de que estaríamos em vias de reverter essa cartilha de estar nos lugares certos, bebericando os drinks certos e com as roupas certas, mas tomando o cuidado de não transpirar alegria de viver, pois a medida do certo é exata e não comporta excessos. Não ria demais, não ria para os outros, não ria, enfim; quando muito, apenas sorria enviesadamente, como um grande conhecedor das coisas que, em um ataque de magnanimidade, concede a graça de sua manifestação aos outros. A euforia é para os novatos, para os desajeitados, para os arrivistas. A coluna que eu li dizia, na época, que o certo -- e que já se observava então, ainda segundo a afirmação da colunista -- seria demonstrar alegria nesse tipo de vivência e de fruição das boas bebidas e das boas roupas. Ou seja, escancarar mesmo. Rir e mostrar francamente que fazer parte do que se tem por melhor é aprazível. Pode ser. Só que, ao mesmo tempo, me pergunto se é realmente possível extrair prazer desses programas e desses eventos, se este melhor é o que realmente nossa alma e nosso corpo pedem. Pois, como eu já disse, só tenho visto caras descontentes e enfastiadas, e só tenho voltado para a minha casa com a mesma sensação do nada.
Enfim, não estou muito conexo, acho que é por isso que eu tenho evitado tentar escrever sobre o que quer que seja; deixo tudo morrer no antes do pensamento que nem se formula direito. Não tenho podido requerer concentração de mim, sob pena de abrir uns alçapões aí que têm de continuar fechados. Esses dias vi a minha tia cozinhando alguma coisa na panela de pressão e fiquei imaginando o desastre o que sucederia caso a panela fosse destampada. E assim eu tenho evitado a mim mesmo, alegando indisposição por causa do calor. Pois bem -- hoje nublou, o ar ficou fresco e, pelo que eu vejo, não estou exatamente livre de incômodos.
Lady Murphy, mais impiedosa do que a White Lady...
Assim se vive: você dorme e acorda em horários mais ou menos convencionais, todos os dias. Menos na véspera de um dia em que precisa acordar um pouco mais cedo.
E, com licença, que eu preciso desligar esta torradeira que, em vez de pães, guarnece uma CPU e outras parafernálias, que eu preciso parar de trocar mensagens com esses pseudônimos com quem eu dificilmente vá-me deitar, que eu preciso parar de ouvir estas mesmas músicas de sempre.
Amanhã, preciso estar às dez horas da manhã, perto da Rua Augusta para revisar a macchina e preciso cortar os cabelos. Amanhã é sexta-feira e o thanks God só pode ser bradado depois que se encerra a hora do rush.
12/03/2003 às 13:59: "Meus bichos de estimação já foram gatos. Depois, transmutaram em passarinhos. Agora têm sido os espectros. Formas invisíveis ao meu olho, mas altamente sensíveis ao tato. Arrepios, vislumbres, criaturas que ainda não existem. A mente que é o nascedouro.".
12/03/2003 às 16:40: "Talvez os espectros não sejam forma. E o que pode o informe? Pode, por exemplo, existir ao mesmo tempo que meu corpo no espaço. Não exatamente me preenchendo, mas, enquanto vácuo, me esvaziando. (Às vezes os espectros se comportam como buracos negros e se manifestam como dor ou saudade.)".
Eu não estou conseguindo responder aos comentários. Juro, leio todos, fico muito feliz pela participação de vocês -- e continuarei adorando isso tudo enquanto vocês não estiverem me contrariando e enquanto vocês ainda perceberem o espírito de "complemente e bajule, mas não contradiga, em absoluto" -- só que, na exata hora em que vou responder, aparece uma daquelas odiosas páginas de erro. Ou tudo sai do ar. Enfim, acontece qualquer uma daquelas coisas que me impedem de responder. Irritante, para dizer o mínimo dos mínimos.
Repetindo o que eu já disse há pouco, não levem para o lado pessoal. Além do meu exílio um tanto quanto voluntário, há, ainda, os fatores externos contribuindo para a minha incomunicabilidade.
Minhas desculpas. E nos falamos pelo I Seek You, pelo e-mail ou por qualquer outra forma. Isso, claro, se a Providência Divina assim quiser e permitir.
meu carro fazendo exatos 6,36 quilômetros por litro
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o preço extorsivo da gasolina (que, dizem, vai subir de novo)
+
o preço (de tudo)
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o calor infernal que tem feito aqui, que me tira o ânimo e que me obriga a usar o ar condicionado e que me leva, novamente, à primeira condição lá de cima, num ciclo vicioso
Sinto uma dor horrível. Não é de alma, ao menos não é só de alma. É um mal-estar no corpo mesmo, na região das costas; uma dor aguda, pontada e constante. Por conta desta dor e por conta do calor (dor e calor, isso até rima; o Eiki chamou meu blog de calorento e não entendi o porquê), tenho dormido muito mal (esta noite, foram quatro horas).
Vivo ao mesmo tempo aéreo, como se tivesse tomado algum ansiolítico potente e irritadiço, como se me faltasse alguma substância vital e indispensável à disposição.
E não gosto de médicos e nem de hospitais. E tenho pavor de injeção.
Não é só com você. Não são só os seus telefonemas que eu não atendo e que eu não retorno, não é só para você que eu não tomo a iniciativa de ligar. Não é só para você que eu deixo de escrever, não é só para você que eu deixo de responder os comentários deixados aqui e em todas as outras formas de contato que a eletricidade e as fibrás óticas e que tantas coisas oferecem.
Você não é o único. E nem é a razão do que tomam por misantropia.
Sou só eu, eu sozinho. E ninguém mais. Não é raiva, não é desespero, não é depressão. É o branco do nada. É o calor dos dias de que eu ainda vou reclamar muito, este sol escaldante e cheio de vida que não combina com uma cidade de concreto nem com este amontoado de pessoas que só dariam o seu calor humano às outras se estivessem à beira de uma praia, sem esses prédios barrando o vento que as congregam. É o meu aparelho de telefone celular que está desligando sozinho. É toda uma conjunção astral e física e de tudo o mais que me empurra para ficar só com meu nada particular.
Por fora e por dentro, sou levado a estar mais só.
Então, não pense que eu lhe dirijo desprezo, desdém ou qualquer outro sentimento de conotação negativa da negligência. Só me dirijo para mim mesmo, tanto por vontade própria quanto por elementos que eu não controlo. E neste eu comigo mesmo, tenho-me confrontado só com uma bolha, que é grande, mas nada espessa e cheia de vácuo. Uma bolha de sabão. Um bolo de glacê enfeitado e sem recheio. Um presente que, se eu não compartilho nem comigo mesmo, não vou mostrar para você.
*** Um caderninho para que eu anote os meus lampejos que a idade (e, ultimamente o calor também) tem dispersado mais do que antes. Ele tem de ser pequeno, bonitinho, resistente. fácil de carregar e de disfarçar (já dou muita bandeira da minha neurose);
*** Sunglasses;
*** Gel (para o cabelo);
*** Tem mais coisas, só que essas eu não adquiro nem com um maço polpudo de papeizinhos azuis estampados com a figura do peixe-boi.
Já que quem espera sempre alcança, faço uma prece-pedido-desespero a São Pedro, de maneira sintética para não perder meu costume de ultimamente: menos. Só isso. Menos Celsius, por favor. A minha sinapse, o meu sono, a minha hidratação enfim, o meu pouco bem-estar agradece profundamente.
Pois é. De tanto tempo que faz, nem me lembro de quando fiz a inscrição no Gongo, mas, até que enfim, recebi meu banner. Obrigado ao Eiki e ao Brian por me terem dito.
Em memória ao tempos em que eu escrevia -- não necessariamente bem, mas em que, ao menos, não me resumia a esta telegrafia insossa e que não disfarça a falta de conteúdo -- ficam os adjetivos aí acima.
Aos incautos que agora podem entrar aqui afim de encontrar esse espírito contraditório, antitético e barroco, sugiro que vão aos arquivos. Ou às outras páginas listadas aí à esquerda; apesar de o rol estar desatualizado (há muitos a entrar e outros a sair), aposto que encontrarão coisas melhores.
Tá. Deve ter saído isso aí só por causa do Dostoievski e da vodka. Infelizmente, não tenho o blasé parisiense da Paulíssima, de onde, aliás, eu tirei o teste.
De qualquer forma, deve haver um fundo de verdade neste resultado. Porque, subliminarmente, tudo o que eu queria agora era uma São Petesburgo bem enregelante, era poder estar encoberto por um casaco de mink, saboreando algum destilado bem forte para aquecer o meu corpo e a minha alma. Ai, qualquer coisa menos este calor que não me tem deixado dormir direito e que me tem piorado (ainda mais) o pensamento.
São muitos móveis, antigos e remodelados. As paredes são vermelhas e altas. O espaço é amplo, não tem como ficar-se acotovelando. Ah, sim, e a comida é ótima.
A página (ainda) não diz, mas fica na Rua Fradique Coutinho, 102.
Admito - fiquei morrendo de medo do filme O Chamado, que eu vi bem na estréia, na sexta-feira. Minha vontade de ver o filme era tanta, que eu arrastei mais três amigos comigo, deixei de lado a minha quase claustrofobia e enfrentei uma sala cheia de pivetes barulhentos (pensei que eu fosse evitar isso, indo ao Frei Caneca e assistindo a uma sessão mais tardia).
O filme assusta mesmo. Tanto que os gremlins do lado ficaram quietinhos. E tanto que eu até dormi de luz acesa, porque, quando estava caindo no sono, uma das imagens finais do filme não saía da minha cabeça (não sou estraga-prazeres, então não vou contar a cena), eu comecei a ficar (mais) agitado na cama e tive de acender a luz.
O medo evolui para a curiosidade, e essa perplexidade juntada ao meu ócio me levou a fazer uma pequena pesquisa aqui na rede sobre o filme. Especialmente sobre o livro e a trilogia originais e japoneses. Achei esta jóia aqui, de longe o lugar mais completo sobre o filme, repleto de imagens, de informações e de links.
Aviso: só visite a página se já tiver visto o filme, porque há uma série de coisinhas lá dentro que tiram toda a surpresa e o sobressalto, que são os objetivos - muito bem alcançados aliás - da obra inteira.
Carrie, Caroline, Linda Blair? Que nada. Sadako e Samara, eu digo e vaticino.
Meu computador continua com o vírus maldito. Na verdade, ele (o computador) ainda está utilizável. Eu "só" perdi as minhas ême-pê-três e minhas imagens (estas, nem fazem tanta falta, porque, ao contrário de muita gente, meu micro não é uma sucursal da pornografia digitalizada).
Estou sem saco e sem ânimo de salvar tudo em disquinhos pra dar uma formatada.
E sem saco, também, para escrever. Sei que estou-me tornando mais e mais desinteressante - na verdade, continuo quase o mesmo, mas acho que já me utilizei de todos meus artifícios.
Um tempo? Sim, por favor.
Que não seja aquele tempo que os namorados se dão e que, na verdade, significam tão-somente o fim.